Paulino Damião expõe Nambuangongo em fotos

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Paulino Damião, mais conhecido por Cinquenta nas lides atrás da câmara fotográfica, faz-nos apreciar, numa primeira exposição individual em Angola, a Arte de Bem Desintegrar Imagens do Tempo e do Espaço e recompô-las na dimensão estática do papel.

Paulino Damião expõe Nambuangongo em fotos
Exposição de Paulino Damião

E é na superfície do quadro miniatural que o mundo dos seus passos se recompõe, ressuscita, e suscita novas leituras.
Acontece por ocasião da 4ª Edição da exposição “Vidrul Fotografia” 2015, aberta no passado dia 2 de Junho na UNAP – União Nacional dos Artistas Plásticos.
Cinquenta, “um homem que calcorreou o país, e andou um tanto pelo mundo, reúne em exposição fotografias da terra natal”, como refere a nota informativa da organização.
Também se lê que “o exercício, de aparente simplicidade, revela?se por demais complexo, a ter em conta a história do fotógrafo.
Aos 14 anos, Paulino Damião, “Cinquenta”, teve o pai assassinado e foi ele mesmo capturado pelas tropas coloniais portugueses, sob cuja guarda permaneceu. Por ironia do destino, foi no campo de guerra que descobriu a paixão pelafotografia. hoje, com quase 40 anos de carreira profissional, é dos mais respeitados fotógrafos de Angola e, na empresa em que sempre trabalhou, as
“Edições Novembro/Jornal de Angola”, é tratado com deferência por todos os profissionais de comunicação e considerado um exemplo a seguir pela perseverança e modéstia, que os muitos prémios conquistados não conseguiram desvirtuar. Nas fotos reunidas nesta exposição, há uma nota nostálgica a marcar o compasso de uma melodia que nos transporta para o passado. Mas, se o óbvio é o hoje tão rebuscado resgate de valores, as imagens de Paulino Damião “Cinquenta” trazem em tom maior um grito de revolta em face de um status quo, que, depois de ter demolhado as barbas na longa noite colonial, parece querer imbondeirar-se na gota de lágrima que ainda escorre pelos rios até ao imenso mar de todas as esperanças. Nas ruínas de velhos edifícios que o tempo continua a corroer sente-se o pulsar, enquanto um sorriso pode deixar transparecer algo de muito profundo parado no tempo. Mais do que um passado trágico resgatado ou de um presente doloroso captado para a posteridade, as fotos de “Cinquenta” são um embalar em sonhos.
Tantos sonhos quantas as lágrimas derramadas numa terra em que os fracos se fazem fortes diante das dificuldades, como a galinha cabiri que, ao invés de esgravelhar, caça borboletas.”

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