Prémio Nacional de Cultura e Artes: Gala consagra laureados

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A gala do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2013, prestigiada com a presença do Vice- Presidente da República, Manuel Vicente, e da ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, teve como pontos mais altos a entrega do troféu e do diploma de consagração aos vencedores e a homenagem ao octogenário Mestre Kamosso, exímio tocador do hungo.

O Vice-Presidente da República entregando o galardão ao músico laureado Justino Handanga

Outros momentos não menos importantes foram as intervenções da companhia de dança tradicional Ballet Kilandukilu, que coreografou o tema "Xinguilamento", baseado na cultura ancestral da população da Ilha do Cabo, em Luanda, e o reservado à poesia, com o poeta José Luís Mendonça, ao som do hungo, a declamar dois poemas seus.

Os Quatro Líricos, grupo vocal composto por jovens formados em música na República de Cuba, "resgatou", de modo arrepiante, os clássicos da música popular angolana "Humbi Humbi", "Monangamba" e "Muxima". Grande espaço da gala foi preenchido com os shows de Karina Santos e de Eddy Tussa e sua banda.

O homenageado da noite, Miguel Adão Filho "Kamosso", notabilizou-se nas décadas de 1970 e 1980, e deixou marcas na memória colectiva nacional com canções como "Massacre de Icolo e Bengo", "Kamosso wala ni jeto", "Manguxi" e "Zé Eduardo", sempre ao som do hungo, o seu instrumento de eleição. Chegou a actuar em Cuba e no Congo Brazzaville, tendo participado activamente, também, em várias edições do Carnaval da Vitória, integrado em grupos oriundos de Catete.

Aos 85 anos, de saúde visivelmente debilitada, Kamosso é um repositório de experiências e precursor de grupos como Kituxi e Seus Acompanhantes e Os jovens do Hungo.

O escritor Manuel Pedro Pacavira foi distinguido, na categoria de Literatura, pelo conjunto da sua obra, com realce para o romance "Nzinga Mbandi", em que se narram os feitos heróicos de uma das figuras mais proeminentes da história de Angola. Segundo o júri, o autor teve o mérito de ter instaurado a narrativa ficcional histórica, entre nós, baseada na historicidade do nosso passado.

A historiadora e docente universitária Aurora Ferreira, venceu na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, pelo livro "A Kissama em Angola do Século XVI ao Início do Século XX - Autonomia, Ocupação e Resistência", que o júri considerou de grande valor por reflectir um estudo profundo, fruto de longos anos de trabalho na pesquisa da História de Angola e da dedicação a esta área das ciências sociais.

O escultorJosé Mununga, em Artes Plásticas, foi laureado "pela perseverança e elevado valor artístico do conjunto da sua obra", desenvolvida ao longo de 37 anos de carreira, com um forte contributo ao desenvolvimento das artes em Angola. “A sua obra transmite a exuberância mítica em que se articulam referências diversas, o popular e o erudito e reinventam simbolicamente espaços do mundo contemporâneo…”, referiu o júri.

O grupo "Oásis da Base Aérea Número 1", em Teatro, igualmente pelo conjunto da sua obra, no seu percurso de 24 anos “dignificou o nome de Angola em eventos internacionais”. É um “grupo escola” e uma respeitável referência na história do teatro angolano.

O realizador Raúl Correia Mendes, em Cinema e Audiovisual, representado na gala por um familiar próximo, ganhou o prémio "pelo papel por si exercido no cinema e no audiovisual angolano". A sua obra cinematográfica “representa um arquivo de memória do percurso da nação angolana e um retrato de uma sociedade num dado momento da sua história”.

Justino Handanga, na categoria de Música, foi distinguido por compor canções de grande valor harmónico e melódico, “que suscitam em qualquer ouvinte lembranças de intrínseca angolanidade”.

O coreógrafo Domingos Nguizane, em Dança, recebeu o prémio pelo conjunto da sua obra que “tem contribuído para o desenvolvimento da dança em Angola”. Distinguiu-se igualmente, segundo o júri, “pela sua iniciativa pioneira em recolher e divulgar as danças folclóricas angolanas”.

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