Preservar o legado com novos talentos

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O único festival de banda desenhada da África Austral.

Preservar o legado com novos talentos
Artistas da BD em exercício criativo na XIII edição do Festival Luanda Cartoon que acontece anualmente Fotografia: Jornal Cultura

Fecharam-se as cortinas de mais uma edição do Luanda Cartoon, o único festival de banda desenhada da África Austral, e ao longo de oito dias os participantes deixaram visível a sua vontade de dar continuidade ao legado desta arte, através de iniciativas mais inovadoras e criativas.
Novos títulos, como “Mwangolando”, de Maniloy, marcaram o Festival Internacional de Banda Desenhada, que este ano trouxe a experiência de Portugal, pelo cartoonista Osvaldo Medina, e alguns talentos nacionais ainda no anonimato.
Experiências, críticas, imaginação e criatividade ficaram expostas para o público nas paredes do Camões - Centro Cultural Português e na Mediateca de Luanda, onde foram exibidos diversos filmes de animação infantil, numa parceria com a AllianceFrançaise.
O quotidiano foi e ainda é a principal “matéria-prima” dos artistas, que procuram entre as sátiras as diversas situações caricatas da sociedade angolana chamar a atenção para determinadas práticas erradas.
Porém, o mundo da banda desenhada angolana ainda precisa de um maior “brisa” para poder vincar. Os seus criadores, que reuniram em oficinas no Camões para perspectivar melhorias, continuam a ressentir pela falta de interesse das editoras, para colocarem os seus livros no mercado, dependendo, na maioria das vezes, de iniciativas particulares.
Apesar de ser um universo multimilionário e grandioso, em termos de mercado, nos Estados Unidos e Europa, a banda desenhada angolana ainda tem um longo trabalho pela frente. A sua esperança reside no empenho destes jovens, que têm, anualmente, mostrado aos aficcionados e curiosos o melhor da “arte sequencial”.
Para muitos é um erro, porque a banda desenhada, o “cassule” das artes, pode ser muito proveitosa na criação de hábitos de leitura, porque a associação entre imagens e textos, onde a primeira é predominante, ajuda muito as crianças nos primeiros “passos” rumo à leitura. A primeira vez que tive contacto com a banda desenhada era ainda um adolescente. Hoje, este género está mais distante do leitor adolescente. Ele chega a ser visto como literatura para crianças. Um erro, porque os hábitos de leitura não devem ser limitados por géneros literários. O leitor, apesar do seu critério pessoal de selecção, não deve estar “amarrado” as cordas do tabú e menosprezar o que nunca tentou ler.
Esta mudança de pensamento é importante para se mudar o futuro da “nona arte” em Angola, porque o surgimento de um público maior, abre portas para o aparecimento de um mercado mais favorável para os criadores. Actualmente, muitos dos desenhadores de banda desenhada vêm os seus trabalhos limitados por falta de mercado e para darem continuidade ao seu talento fazem do cartoon o seu “ganha pão”. Porém, apesar desta saída, as oportunidades continuam a ser muito reduzidas, devido ao número de jornais que usam este género de arte nas suas páginas.
Se o futuro da banda desenhada é o cartoon em Angola ainda é uma incerteza, porque existe um longo caminho a ser percorrido, em especial pelos jovens criadores, para uma inversão do actual quadro.

ADRIANO DE MELO |

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