Produtor angolano cria “Vidas em Risco”.

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Acção e investigação são as duas propostas que o produtor Funzula Eduardo “Genuíno” está a preparar para apresentar aos angolanos, em Outubro deste ano, com a estreia do filme “Vidas em Risco”.

 

 

Momentos de gravação de uma das cenas do filme “Vidas em Risco”

Acção e investigação são as duas propostas que o produtor Funzula Eduardo “Genuíno” está a preparar para apresentar aos angolanos, em Outubro deste ano, com a estreia do filme “Vidas em Risco”.

O foco da história é o roubo de um empresário, que contrata um grupo de especialistas para reaver os seus bens. As filmagens começaram em Janeiro deste ano e incluíram as cidades de Luanda e Benguela.
Com a duração de uma hora e meia, o filme é realizado no âmbito do projecto, Cinema na Minha Banda, da produtora Maffia Filmes, de Funzula Eduardo. O objectivo, conta, é incentivar os jovens apostarem na sétima arte, assim como descobrir e colocar novos talentos no mercado.
O produtor adiantou ainda que está a gravar, desde 2015, três filmes, em simultâneo. Um deles é a longa-metragem “Fúria de Calawenda”, que apenas falta concluir uma cena. O outro é um trabalho religioso, intitulado “Prova de Fé”, cujas gravações já estão concluídas e esperam apenas pelos últimos arranjos. O filme “Vidas em Risco”, que tem 29 cenas, das quais já foram feitas 13, completa o projecto do produtor.
Além destes filmes em carteira, Funzula Eduardo tem no mercado, desde 2015, o filme de terror “Sangue Derramado”, assim como o documentário “Matadouro do Loungo”.
“Todo esse trabalho só é possível por serem filmes com orçamento baixo e geralmente são os mesmos actores. As mudanças são mais no figurino, em função do papel de cada um deles e o género de filme.”
O produtor pretende ainda, dentro do seu sonho de chegar a todo o país, começar a divulgar o filme, assim como as produções já feitas, nas zonas suburbanas e rurais.
Funzula Eduardo é formado em edição e realizado de cinema, pela televisão Miramar Moçambique. Em 2010 fez cursos de caracterização de cinema no Centro de Formação da Profith, no Cazenga, Luanda. Em 2015 colocou no mercado “Sangue Derramado”.

O ENREDO

O filme ficciona a história do roubo de um misterioso produto a um empresário, que oferece o prémio de um milhão de dólares a quem encontrar os ladrões. Assim surge o grupo de especialistas, liderados por Neusa, que é também a actriz principal. Composto por Eduardo, Tucha e Ngola, o grupo descobre o paradeiro dos meliantes, liderados por Bravo e entra em confronto com estes.
A acção ganha outros contornos, quando os especialistas descobrem que o produto roubado era na verdade um contrabando de cocaína. Divididos entre o valor do prémio e a sua consciência, estes decidem lutar contra o empresário, por o considerarem corrupto. O drama aumenta quando os meliantes decidem usar a família dos especialistas para retaliar pelas acções destes, gerando um ciclo de vingança e ódio.
Escrito por João Kimbuimbiza, o filme tem a actriz Carolina Manuel no papel de Neusa, a protagonista, uma mulher que usa as suas habilidades para sobreviver. O elenco inclui ainda entre os protagonistas Makenda Eduardo, como Eduardo, e Esmeralda Tomás, no papel de Tucha. Além dos actores secundários e figurinistas, o filme tem ainda como convidados especiais os portugueses Paulo Renato e Rosário Rosa.

DRAMATIZAÇÃO

“Vidas em Risco” não explora somente a acção. O seu produtor procurou justificar as cenas de tiro e perseguição com um pouco do drama particular de cada um dos actores principais do filme, a começar por Neusa, que era órfã de pai, vivia com a mãe doente e via na operação de resgate a possibilidade de melhorar a sua vida.
Entre as luzes e câmaras também surge Eduardo, um jovem natural de Benguela, que vivia dos jogos e acaba com uma dívida tão alta ao ponto de perder quase todos os seus bens. O convite de Neusa e o prémio de um milhão de dólares foram a “lufada de vento” para sair da sua crise pessoal.
Os outros dois destaques da história, Tucha e Ngola, também viviam dificuldades e viram no “resgate” a chance de resolverem boa parte das suas necessidades sociais. As reuniões do grupo antes de partirem para a acção são feitas na casa dos dois, um lugar que mostra o nível de vida de ambos.

O PROJECTO

O projecto Cinema na Minha Banda foi criado em 2014, em Luanda, com o intuito de ajudar os criadores e jovens talentos da sétima arte com poucos recursos financeiros. O objectivo é também os ensinar a obterem mais técnicas de fazerem cinema.
Para Funzula Eduardo, o projecto é uma porta aberta ao surgimento e desenvolvimento de uma nova geração de artistas e criadores, a maioria ainda no anonimato. “É a chance de termos um cinema mais forte, particularmente na região da África Austral.”
Apesar de não terem patrocinadores e fazerem os seus trabalhos com o rendimento das vendas de bilheteira dos filmes já concluídos, como “Sangue Derramado”, o projecto já permitiu formar vários actores, muitos deles solicitados por outras produtoras, para integrarem outros projectos cinematográficos.
Dany Quissango

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