Projecto Olongombe Expõe em Luanda

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O projecto OLONGOMBE em Luanda.

Projecto Olongombe Expõe em Luanda
Esquerda: Mário Tendinha, Ministra da Cultura, Directora do Camões, Paulo Kussy e Paulo Amaral Fotografia: Jornal Cultura

Encerrou, dia 1 de Setembro, no CAMÕES, Centro Cultural Português, a Exposição Colectiva Itinerante dos artistas António Ole, António Gonga, Mário Tendinha, Masongui Afonso, Paulo Amaral, Paulo Kussy, sob a égide do projecto OLONGOMBE (os bois).
Seis consagrados artistas plásticos angolanos juntaram-se em torno de uma ideia, da qual resultou um projecto artístico a que deram o nome de OLONGOMBE (manada de gado em umbundo), concretizado numa exposição colectiva e itinerante que reunirá obras de pintura, desenho, escultura e instalação, unidas pela temática comum em torno do “Gado”, numa homenagem aos povos pastoris do Sul de Angola.
Ao evocar as comunidades pastoris do Sul de Angola, de que os Kuvale são paradigma, OLONGOMBE remete-nos, incontornavelmente para a obra do escritor, historiador, antropólogo e poeta angolano Ruy Duarte de Carvalho, a quem os seis artistas também pretendem homenagear com este trabalho.
O projecto OLONGOMBE desenvolve os trabalhos artísticos em torno do GADO, figura central e riqueza maior dos povos Kuvale, tão bem descrito por Ruy Duarte de Carvalho na sua obra “Vou lá visitar pastores”, que transforma em poesia “memórias históricas, migrações, pastagens, solos, climas, percursos milenares, rumos traçados por gerações, há muito extintas, legados e destinos, num quotidiano animado pela urgência viril das transumâncias”.
OLONGOMBE recorda a importância deste modo de exploração animal, fundado na mobilidade/circulação do gado. Um equilíbrio entre pastos, água, manada, força de trabalho e consumo. Toda uma economia a gravitar à volta do gado. Da paisagem ao consumo do leite. A carne do gado consumida de forma mais restritiva e complementar, nos casos de morte natural do gado, por doença, por acidente ou de abate ritual para cultos e sacrifícios. “Cada região, cada músculo, cada membrana, cada tripa e cada osso do boi tem nome, tem significado, tem destino e está ligado a alguma função ritual”.
Seis artistas de gerações diferentes, oriundos de lugares diferentes do país, com percursos artísticos, experiências e histórias de vida diferentes, embarcaram na aventura OLONGOMBE reconstruíram os caminhos perdidos da transumância. Primeiro em Moçâmedes, depois no Lubango, a seguir em Benguela. Finalmente, o projecto OLONGOMBE chega a Luanda, onde encerrou esta viagem no CAMÕES.

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