Renato Fialho expõe "Dez anos em Linha"

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A vida quotidiana em fragmentos

Renato Fialho expõe
Exposição de Renato

10 anos em Linha é o título da exposição levada a cabo pelo artista luso-angolano Renato Fialho, patente no Centro Cultural Português-Camões de 27 de Janeiro a 9 de Fevereiro. Nas mais de duas dezenas de quadros a imagética urbana de Luanda assume protagonismo temático. Mas não a imediata caracterização dos prédios e envoltura metropolitana. Renato, tal como já evidenciara na anterior exposição, em Novembro de 2013 na galeria Upgrade Art Room, tem inclinação na construção de realidades do quotidiano e da azáfama da cidade de Luanda, fazendo dos seus quadros um objecto de narração de momentos de ambivalentes estados emocionais produzidos no dia-a-dia da cidade, e talvez por isso reúna em jeito de continuidade, no estilo, esta sua forma de perceber e retribuir à alma da cidade retratos cuja perspicácia e objectividade artísticas ajudam na sua acepção.
Um desses momentos ficou destacado no intrigante quadro “Diogo na Passadeira”. Fá-lo sobre um preto carregado espalhado na tela como fundo, a contrastar com finas linhas que se misturam numa aparente casualidade matemática, dando relevo à composição anatómica e sem dar a entender qualquer informação emocional por via da face. O quadro traz quatro pessoas em pé. Três meninas que conversam descontraidamente e um senhor. Todos os personagens são construídos do contraste entre as cores. O diogo (vómito) é uma espécie de mancha azulada sobre o chão, despegada do primeiro plano.
No quadro “Carregador” a proeza do contraste das cores volta a ser destaque. O artista põe a nu o ambiente de um posto de carregadores. Mas é na mistura das imagens que a homogeneidade do traço pitoresco mais se distingue. As cores se assumem como linhas divisórias de uma imagem intacta e cujos contornos se misturam ilimitadamente.

Temas
É sempre motivo de alguma curiosidade as possíveis variáveis que determinaram a escolha dos títulos, tal facto assumido pelo artista por ser um “filtrador directo da vida quotidiana”. A sua concisa fragmentação imagética é sustentada com temas que chamam a atenção de relatos tão urbano quanto as imagens, rebuscando e propondo novas abordagens que podem ajudar a desprender das limitações dos cânones e do convencional. “Lavando a Roupa”, um plano aéreo de um ambiente de pessoas a lavar a roupa, construído sob contrastes do branco e azul, “Fazem-se-matrículas”, uma intervenção pictórica que explora as debilidades da organização urbana, “Sai gelado”, “Porto Amboim”, “Assim é difícil”, “Submarino”, “O mundo de hoje” e “Candongueiro”, obras que espelham a visão do autor em captar heróis da vida urbana: o kupapata, o zungueiro, o chamador, o ferro e o sonho do espaço.

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