Sérgio Guerra expõe "Hereros" no México

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"Hereros. Pastores ancestrais de Angola"

Sérgio Guerra expõe
Beleza angolana

De visita às províncias angolanas da Huíla e Namibe para gravar um programa de TV com notícias e informação cultural, o fotógrafo brasileiro Sérgio Guerra entrou em 1999, na terra dos Mucubais, um dos cinco subgrupos em que se divide o grupo etno-linguístico dos Hereros.
Cativado por esta nova visão do mundo, Guerra regressou em 2008 com o objectivo de converter-se num dos Hereros, conhecer a sua cultura e captá-la através da sua objectiva.
Guerra capturou, através de imagens coloridas de grande formato, o universo dos Hereros, suas roupas, seus rituais e costumes. É possível ver como circuncidar uma criança ou como uma mulher encontra o seu ritual diário de limpeza através de um banho em que a água não é usada. "Há fotos muito especiais, muito íntimas, porque os muhimbas não tomam banho com água. Utilizam manteiga, óleo e raspam uma rocha para obterem um pigmento vermelho com o qual se cobrem".
Como se consegue esse grau de intimidade com um povo africano?,
"Temos de falar, falar, falar; os Hereros não têm abertura para estrangeiros, é verdade, são muito reservados, mas comigo foram estabelecendo uma relação de confiança mútua, até que nos tornamos muito próximos, eles vão à minha casa em Luanda, e são meus amigos."

OS HEREROS NO MÉXICO
As imagens desse encontro viajaram agora até ao México. Depois de, no começo deste ano, expô-las em Santiago de Querétaro, sua exposição "Hereros. Pastores ancestrais de Angola" ficou patente no Palácio de Minería, desde 4 de Junho, no Centro Histórico da cidade.
Em entrevista exclusiva ao jornal PLAZA DE ARMAS, de Querétaro, Guerra admitiu que o encontro com esse povo o cativou:
"O meu primeiro contacto foi em 1999 e, em seguida, comecei a entrar mais na cultura, porque eles são diferentes, os Hereros estão divididos em cinco grupos principais, os mucubais, os muhimbas, os muhacaonas, os mudimbas e muchavícuas, e cada grupo se desdobra numa linguagem e numa forma de vestir própria", disse o fotógrafo, que levou já essa mostra fotográfica para o Rio de Janeiro, Florença, Madrid e Valência, entre outras cidades. Este ano, a exposição “Hereros de Angola” percorrerá ainda as cidades de San Luis Potosi e Guadalajara, a segunda maior cidade mexicana e capital do estado de Jalisco, num muito provável término de cinco anos de itinerância da mesma.
Sérgio Guerra vê o México “como um país muito especial na trajectória da exposição “Hereros de Angola”, pela valorização e preservação das culturas indígenas”, o que, segundo ele, enseja uma oportunidade singular de intercâmbio entre dois universos culturais muito distintos.

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