Tintas e destroços da terra e do mar

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OBanco Económico, que tem vindo a desenvolver uma missão de promoção, divulgação e valorização da cultura angolana, convidou o artista plástico António Ole.

OBanco Económico, que tem vindo a desenvolver uma missão de promoção, divulgação e valorização da cultura angolana, convidou o artista plástico António Ole, por ocasião dos seus 50 anos de carreira, para expor as suas obras no seu espaço dedicado à Arte. Erica Teixeira, directora-adjunta da área de comunicação do Banco Económico, confidenciou ao jornal Cultura que será editado um livro sobre a exposição e a vida do artista, que está agora em processo de maquetização para ser lançado no final de Junho. Cultura esteve à fala com António Ole, fala essa que é aqui reproduzida e na qual se põe em relevo um percurso de 50 anos plenos de tintas, destroços da terra e do mar, para uma reinventariação ao Homem e que abre com um suporte de grandes dimensões para 50 telas, com o título sugestivo de “Cinquenta Aguarelas”.

Jornal Cultura – Quando é que foi feita a obra “Cinquenta Aguarelas”?
António Ole – Foi feita em Agosto e Outubro de 2018. É uma coisa que, no fundo, assinala uma data: 50 anos. Mas tem um título assim muito poético que é o Poder da água e das partículas sensíveis. Partículas são aquelas que dão a cor às aguarelas. Instalei-as de outra maneira, lá no Camões estavam todas alinhadas, agora coloquei todas na mesma ordem, mas de uma forma aleatória, menos austera…

JC – Qual o propósito desta exposição?
AO– O compromisso da exposição é assinalar uma data. Nem todos os dias se chega a este patamar temporal, e eu sinto que ainda tenho muito a dar, mas é fundamental para mim celebrar esta data e partir para outra, tenho muitas coisas a fazer e essencialmente quero voltar ao audiovisual, cinema, isso é que me está no fundo a fazer correr. A pintura é um exercício quase diário, portanto quando entro no meu atelier não sei se vou ler, mas, muitas das vezes a gente tem que ler, os artistas precisam...

JC – E nessas leituras, qual é o lugar do romance? Já alguma vez o romance inspirou uma obra?
AO – Há um livro em particular que é um romance da Marguerite Yourcenar, cujo título é “O Tempo, esse Grande Escultor”. Acabou por inspirar de certa forma essas duas telas, a primeira e a segunda ao mesmo tempo, mas no fundo é um pouco o livro dela.

JC – Têm o mesmo título do livro?
AO – Sim é o mesmo. “O Tempo, esse Grande Escultor” é um romance que já li há muitos anos, muito interessante mas, quando eu estava a fazer estas pinturas, este título vinha constantemente à cabeça, e aí disse “é pá, alguma coisa há de haver ao ter escolhido este livro”, mas tem obras assim, inspiradoras. O outro compromisso da exposição é fazer uma mini-retrospectiva. Estes cinco quadros no fundo pertencem à mini-retrospectiva, mas o compromisso era de mostrar algumas coisas do passado, coisas inclusive do meu período m Los Angeles, na Califórnia onde estudei cinema e onde fiz as primeiras exposições e queria justamente desse período mostrar também para as pessoas ficarem um pouco com a sensação da evolução das obras.
Estas aqui são obras de um projecto muito ambicioso sobre ilhas à volta de África, esse projecto chama-se “Ínsula” e reúne 9 ilhas, umas no Atlântico outras no Índico.
E é justamente um projecto que exige a deslocação a alguns países, para tentar sensibilizar, e exige uma produção e patrocínio, e vamos ver, já conheço algumas das ilhas e excepcionalmente não conheço Cabo Verde, e agora devo citar talvez as ilhas Cabo Verde, no oceano Atlântico, Goré, no Senegal, São Tomé e Príncipe, porque me interessa muito falar sobre os angolanos, e sobre essa implantação dos angolanos, as nossas ilhas aqui do Mussulo, a Ilha do Cabo também me interessa pela riqueza das sua tradições e depois passo para a ponta de África, a ilha de Robben (onde Mandela esteve detido durante 27 anos), Madagáscar é muito grande, não me interessou, a ilha de Moçambique, Zanzibar, Lamu, no Quénia e a ilha da Reunião.

JC – Entretanto, qual é o objectivo?
AO – É um projecto muito ambicioso, que quer fazer um pouco de luz sobre as culturas crioulas. Muitas destas ilhas eram ilhas vulcânicas, ninguém vivia lá e, ao longo dos séculos, foram se caldeando, num encontro de culturas que particularmente me interessa. No fundo, vou falar dos misticismos, das religiões, da construção naval, aquilo que essas próprias ilhas foram desenvolvendo em termos desse encontro de culturas e no fundo, em síntese, é um pouco desta ideia do projecto Ínsula. Não me interessa evidentemente certas ilhas, como Las Palmas, Madeira ou Açores, interessa-me ilhas onde esse contributo da cultura africana foi vital para a vivência e a ocupação dessas ilhas.
Depois há muitos trabalhos recentes sobre tela. As pessoas estão sempre interessadas em pintura, do que trabalho experimental, aqui exponho aqueles desenhos de outras épocas que fui repescar nuns cadernos já muito antigos e que no fundo às vezes, na altura, a gente não desenvolve, mas achei muito interessante e peguei nesses desenhos e acabei por dar-lhes uma nova roupagem. É uma série de objectos: este é o Objecto Literário, este é o Objecto Preciso e com a Ciência, este é o Objecto Preventivo, o Objecto Parco e este é o Objecto Precário. É uma série de considerações acerca de objectos inertes mas que, no fundo, a gente vai reinventando as formas, enfim, o desenho para mim é a primeira das artes, não se faz nada sem o desenho, e o desenho é um suporte considerável.

JC – Já Leonardo da Vinci tinha uma série de desenhos, pois, antes de pintar, desenhava…
AO – Eu não me quero comparar... Agora aqui temos uma série de pinturas que estão aqui interligadas: Nós e a Natureza, este é Homem Camaleão, já de certa forma esta forma do homem me persegue, é um trabalho que gosto particularmente que é as errâncias Axiluanda, mas no fundo equivale muito às minhas próprias andanças, quando vou trabalhar para o Mussulo e lá fico entretido no trabalho com as rotinas diárias: passear, apanhar pequenos objectos. Esta outra obra tem por título A Espera. As pessoas perguntarão: “Mas porquê A Espera?” Ora, a gente em toda a nossa vida espera. Esperamos 9 meses na barriga da nossa mãe para aparecer, esperamos por um dia melhor, esperamos por uma sociedade melhor, as kinguilas esperam horas para fazer as suas trocas de dinheiro, no fundo, as esperas são tão grandes e vai crescendo uma árvore dentro da consciência, o azul é uma cor que me agrada sobremaneira, A Epera é um dos quadros mais procurados, e o quê que isso quer dizer? A Espera, porquê? Nós, humanos, esperamos a vida inteira por coisas algumas que nunca acontecem, esta cadeira representa um bocado este sentido de espera, de que as pessoas estão à espera sempre de algo que acontece, umas vezes, outras nunca acontece.
Já aqui, estes quadros têm um lado mais retrospectivo, são quadros do passado.
Há aqui uns desenhos que eu fiz para a capa de um bloquinho universitário, em 1973, 1974, digamos que é um desenho que estava guardado. No princípio, fiz muitas artes gráficas, muitos grafismos, parte das artes gráficas que eu fiz no pós-independência para livros e autores angolanos foi imensa, e aqui foi uma série de colagens quando eu cheguei a Los Angeles, eu vivi uns tempos na casa do professor Gerry Bender. O Gerry é que me disse: “Tens aqui estas revistas todas, se quiseres fazer recortes…”, e, a partir dessas revistas, fui trabalhando.
Isto é uma coisa que eu chamo Carta Astrológica, é um bocado premonitor, uma leitura quase cinematográfica dos filmes que se fazem na América. Este aqui é do mesmo período. Acontece que o vendi lá a um professor universitário e, para minha exposição em Los Angeles, no Museu Afro-americana ele não me mostrou as obras que eu tinha vendido, e eu acabei por imprimir e tirar umas fotografias. Este chama-se King Kong Memory of Apocalipse, é um pouco de sarcasmo.
Este é um quadro muito particularmente interessante, tem muito reflexo, resulta de uma história vivida, em certa altura, estava em Nova York, estive lá dois meses, estava a concluir um filme para o UNICEF sobre as mulheres camponesas angolanas e lembro-me de uma noite que fui jantar na casa de um senhor indiano e da mulher coreana que viviam não muito longe, para chegarmos, tínhamos de apanhar um metro, mas a conversa foi interessante que acabei por apanhar o metro uma certa hora um bocado tarde e então, quando fui apanhar o metro não havia quase ninguém, entrei numa carruagem, encontrei lá uma punk cheia de alfinetes adormecida, quando o comboio começou a andar senti que havia um barulho ensurdecedor de alguém a abrir as portas e a fechar com toda a violência. Quando ficamos só eu e ela, ela estava adormecida mesmo, mas eu fiquei assim um pouco preocupado o que seria que vinha ali? E então quando apareceu a pessoa que estava a produzir este barulho, era um homem com quase com 2 metros e uma gabardina, um sobretudo até abaixo, e eu fiquei realmente assustado, porque o homem vinha com ar muito agressivo, acabei por sair, e quando eu ia já a subir as escadas vinham uns enfermeiros e uns polícias a correrem a toda a velocidade a descerem para apanharem a carruagem. Quando cheguei à rua é que eu vi que estava em cima do passeio uma ambulância com doentes mentais, portanto, o senhor devia ter escapado e estavam à procura dele. Acabei por ficar muito impressionado e acabei por inventar e recriar essa história, mas só a pintei não em Nova Iorque, mas numa altura em que fui para o Texas, Austin, onde vivia um casal amigo que já não via há muitos anos, lá fiquei um mês e então nessa altura é que eu a concluí.

JC – Este material é cartão?
AO – É sim, é cartão, também foi uma série que eu fiz lá em Los Angeles para um calendário de uma cerveja muito popular “Koors” que é muito popular no meio afro-americano e acabei por começar a trabalhar nestas ilustrações, no fundo também tem um pendor gráfico e quando já ia no nono, a senhora Barbara Fusk que estava a fazer negócios com a Sonangol, tinha umas ligações com Angola, e quando cheguei ao nono , a senhora disse-me: “António, infelizmente não vai ser possível.” Irritou-me um bocado, mas acabei por fazer os doze, dos quais parte deles vendi e estas acabei por guardar. Algumas destas pinturas são propriedade da Sonangol, mas eu já tentei saber onde estão, ou foram as pessoas que levaram para as próprias casas e é uma coisa que me irrita um bocado.

JC – E qual é o material usado? É lápis?
AO – Tem lápis de cor, aguarela, lápis de cera que uso muito. Nessa altura, a minha obra é muito mais gráfica. Este aqui particularmente produzi em Maio, estávamos muito bem eu e a minha mulher em casa a dormir e havia um temporal em Los Angeles, chuvadas e raios, principalmente muitos raios, e fomos acordados pela vizinha de baixo, que apareceu completamente nua, e me disse: “Fogo! Saiam de casa”, e um dos raios atingiu uma das palmeiras, eu tinha um pequeno balcãozito que dava para o exterior, junto a este balcão tinha duas palmeiras. Só me lembro de vestir as calças, a minha mulher ainda tirou os passaportes e ficamos na rua a ver quando é que a casa começava a incendiar, ardeu uma parte da palmeira e depois lá chegaram os bombeiros e apagaram, isso foi outro susto. Esta aqui é a primeira obra, quando voltei do meus estude da Califórnia e que chamo Super Powers, naquela época os Estados Unidos e a Rússia andavam em confronto de grandes poderes, por isso chamo de Super Powers, mas, no fundo, é um confronto.
Nessa sequência de 1986 a 1976, fiz este que se chama O Beato e o Corvo. É uma coisa que a gente começa a desenvolver, o recurso a cor, eu estava longe de África, andei muito tempo na Califórnia mas ao mesmo tempo com o pensamento em África, enfim estas são as primeiras obras que fiz neste contexto .
A certa altura, ganhei uma bolsa do Centro Nacional de Cultura, que era dirigida pela Helena Vaz da Silva, uma senhora que já faleceu e que recebeu a minha proposta sobre uma coisa que me interessava sobremaneira: fazer um mergulho na história, e qual era a história? Era a escravatura e o trabalho forçado que se prolongou, e acho que a escravatura ainda não acabou totalmente, ainda temos pelo mundo exemplos tristes de pessoas que escravizam outros por razões de trabalho ou terem mão de obra barata e, quando recebi esta bolsa, para cerca de quatro meses para investigar esse assunto, passei muito tempo nos arquivos históricos aqui em Luanda, ficava aqui numa rua bem perto da primeira casa do MPLA e vai até à Serpa Pinto. A Rosa Cruz e Silva nesta altura era directora do Arquivo Histórico e abriu-me as portas para eu fazer investigações e evidentemente estava muito interessado no tráfico a partir de Benguela, onde eu estive também a fotografar. É um trabalho multidisciplinar, tem pinturas, tem instalações, digamos, tem coisas que resultam directamente da leitura, por exemplo, lembro-me que um dos funcionários que trabalhou durante muito tempo como revisor no Jornal de Angola, o Sá, que me mostrou livros de registos de escravos, investiguei sobre isso e cheguei à conclusão que a maior parte dos escravos que foram para o Brasil e outras partes do mundo eram muito jovens. Mas, ao mesmo tempo, nas descrições dessas folhas esquecidas (aliás, que deram o título ao projecto “Hiden Pages”), porque este projecto teve uma grande circulação internacional, esteve em Washington, esteve em Bruxelas no Palais des Beaux Arts, mostrei também aqui, mostrei em Lisboa, e havia discrições do próprio ferro que os escravos levavam, uma coisa um pouco cruel e bárbara, mas tudo me interessou e a partir dessas histórias de escravos acabei por desenvolver um trabalho longo. A partir desses escravos numa posição muito sofrida…

JC – Que é a capa do meu livro de poesia “Angola, Me Diz Ainda”…
AO – … Sim, foi assim que acabei por desenvolver um trabalho com um longo percurso, que levou várias etapas, umas partes apresentei na África do Sul, em Grahamstown, perto da cidade onde o Mandela nasceu e onde há um festival todos os anos. Depois de ter recebido a bolsa e de ter mostrado em Lisboa uma parte deste trabalho, quando fui para Grahamstown, aí, o trabalho desenvolveu-se incrivelmente com todo esse material, que tinha recolhido. E depois teve uma grande circulação.
Este outro trabalho é resultado das minhas errâncias e andanças no Mussulo, que eu chamo Calemas. Quando há calemas, o mar arrasta uma grande quantidade de objectos, plástico, chinelos, etc. Fiz lá no Mussulo e acabou por criar esta “assemblage” de objectos e escolhi a cor azul, dada a sua relação com o mar, a cor do mar. Este tipo de trabalhos sobre coisas que eu acho na rua teve uma grande repercussão. Eu andei durante muito tempo a desenvolver mentalmente, nos meus tempos de liceu em que queria ser arquitecto, intrigava-me muito a própria maneira como as pessoas nos bairros populares juntavam tralha que a sociedade deitava fora para construir as suas casas. Desde essa altura que me interessa criar uma espécie de ambiguidade de choque. As pessoas precisam de ser um pouco beliscadas para que a sua consciência crítica venha ao de cima. As pessoas que vivem nos bairros não estão debaixo do holofote. A mim interessava-me falar muito particularmente sobre esta problemática, esta “art povera”, e encontrei uma criatividade imensa nas fachadas dessas casas, ou pelo uso da cor, e, a certa altura do meu percurso, acabei por meter dentro dos salões de artes plásticas esse trabalho de reconstrução de coisas que eu apanhava na rua. Fiz no teatro Elinga uma grande exposição chamada “Margem da Zona Limite”, e ainda noutro dia encontrei a ex-Primeira Dama que esteve lá quando inaugurei a exposição e me disse “Ah, isto é muito triste!”, mas “Margem da Zona Limite” era um projecto para sacudir as pessoas, era um projecto em cima da violência, em cima da pobreza que as pessoas arrastavam. Muitas dessas peças já estão em colecções particulares, nos grande museus, a Culturgest comprou uma que eu fiz em Lisboa, um nigeriano que era muito meu amigo e que faleceu muito recentemente, Okwi Enenzor, um nigeriano famoso que por a arte africana no mapa, foi ele que de certa maneira acabou nos retirar da obscuridade, e nos pôs a circular pelo mundo. Neste momento, eu tive o privilégio de partilhar a minha obra em grandes museus do mundo, a própria Los Angeles, tudo isto me fez correr e sentir que podia expressar-me de outras formas de expressão para além da coisa corriqueira da pintura.
Neste projecto das ilhas, a certa altura fiz uma obra em cima de três serigrafias que me pareciam que estavam incompletas. As serigrafias foram produzidas em Maputo, Moçambique, nessa altura um amigo serígrafo, o Aladino Jasse, veio a Luanda e sugeriu que fizéssemos uma coisa juntos. Fiz as três serigrafias com alunos de um núcleo de arte em Maputo, mas tive sempre a sensação de que o quadrado se resumia a uma coisa muito mais pequena. Acabei por aumentar esse projecto das serigrafias e acabei por fazer este tríptico que dediquei ao Ruy Duarte de Carvalho, meu grande amigo e meu grande parceiro dos primeiros anos iniciais de cinema, da TPA, e de quem tomei emprestada uma frase muito interessante de um livro dele, que era a sua tese de doutoramento e que se chama “Ana Mwazanga”, que em quimbundo, quer dizer, “os filhos da rede” (os que pisam a água do mar). A obra que lhe dedico é uma obra muito colorida, todas as pessoas demonstram muito interesse por ele, mas só será posto à venda mais tarde, porque quero concluir este projecto das ilhas, muito ambicioso e que me vai dar a possibilidade de fazer uma mega-exposição, que quero mostrar em três continentes, aqui em África, a começar pelo nosso país, mas também no continente americano e na Europa. É um projecto multi-disciplinar, com filmes, mapas, um diário (escrita), fotografia, pintura, que durante essas estadias irei produzir. Esse é o projecto mais ambicioso que tenho em mãos e que ainda não viu a luz do dia, porque vai exigir muitos recursos.
Esta exposição também inclui um filme sobre a minha pessoa, pelo Rui Simões, um cineasta muito ligado ao documentário, e que está na história da cinematografia portuguesa. Eu conheci o Rui Simões já há muitos anos, naquele tempo do 25 de Abril, naquela convulsão toda, esteve exilado na Bélgica durante muitos anos, onde conheceu muitos angolanos, e ele estava a fazer um filme sobre os refratários que fogem da tropa, até fez um trabalho com o Mena Abrantes, o Arlindo Barbeitos e quando veio cá perguntou-me: “Já alguém fez um filme sobre ti?” E eu respondi que já algumas pessoas pretenderam fazer um filme sobre mim, sobre a minha carreira, mas essas pessoas pensavam que eu é que ia arranjar o dinheiro, e foi assim que o Rui fez um filme de uma hora e 17 minutos dobre a mim, filmado aqui em Luanda, no Lobito, em Benguela, sítios onde eu nasci, e vivi n adolescência e que tem por título “Ole. António OLe”.
Agradeço muito ao Banco Económico por ter feito esta exposição que vai ser complementada, no final, com um livro, pelo qual eu andei muito tempo a lutar, um livro que vai fazer luz sobre os cinquenta anos da minha actividade plástica e cultural.

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