Tons e reflexões de Patrício Mawete

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O Mawete traz obras de fácil leitura.

Tons e reflexões de Patrício Mawete
Artista Mawete Fotografia: Jornal Cultura

Passados mais de dois anos desde a última exposição, Patrício Mawete inaugurou no passado dia 15, na Galeria Tamar Golan, a mais recente exposição que intitulou Tons e Reflexões. O seu traço artístico volta a estar inclinado a temas que vem trabalhando, sempre tendo como base o paralelismo entre a cor (tons) e o pensamento (reflexões), a incidir sobre a vida do mundo infantil. Mawete traz obras de fácil leitura, dando à estampa as questões que procura levar à discussão. É uma arte temática e recorrente.
“As ilustrações da minha tela sempre têm inclinação para o mundo da criança. Penso que a aproximação às crianças através da formação que dirijo no domínio das artes tem me ajudado e definido a minha temática nestes últimos anos. Tem sido um tema apelante, fazer e usar a arte como meio de debate das variadas problemáticas que vivem as crianças”, refere o artista.
Contudo, nos quadros é-nos apresentado uma linguagem homem-criança. O lado estético e cromático foi fundido com o diálogo e as cores escolhidas reflectem o mundo da criança. Há um certo psicologismo funcional, para abortar problemas vários, como o alcoolismo, e reiterar a educação infantil como primeiro bem.
Na composição pictórica, não segue acentuadamente um artista ou uma linguagem exacta, mas, conforme nos fez entender, o seu trabalho tem grandes influências da estruturação filosófica de Etona, no que toca à linguagem e filosofia de arte.
Nos dias que correm criou uma escola de arte no bairro Palanca, mas ainda não conseguiu conquistar as crianças a frequentarem cursos de arte. Antes, tinha iniciado esta empreitada nos arredores do Nova Vida e onde teve melhor sucesso, dando iniciação à pintura, cerâmica, desenho e escultura. Mas a arte ainda não é facilmente assimilada: “Para as famílias menos entendidas o assunto é ainda mais complicado, porque as crianças que estão nas oficinas de escultura e produzem algo fora do senso comum correm o risco de serem dadas como feiticeiras e as crianças da pintura como malucas”, conta Mawete, que também afirma que é um pouco deste raciocínio que traz à exposição.
Isso se reflete bem em títulos como “Sonhadores do Futuro”, obra de grande força pictórica, em que o artista estanca as pueris e alegres brincadeiras, mas também provoca e sugere os seus sonhos. Mawete tem trabalhado para que a exposição seja rotineira nas escolas de Luanda e produza um certo debate sobre os variados temas que nela aborda.

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