UTO PELO GUITARRISTA ZÉ KENO MÚSICA ANGOLANA PERDE UM DOS SEUS “GÉNIOS”

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Os Jovens do Prenda, sempre se manteve fiel aos seus ideais.

Artista ajudou a divulgar a Música Popular Angolana Fotografia: Jornal de Cultura

Quando se escreve sobre a música angolana, existem nomes, que impreterivelmente sempre vão ser parte importante da sua história. Zé Keno é com certeza um destes. O seu talento na guitarra, que, ao longo dos anos, o fizeram afirmar-se como um dos “génios”, provaram a todos, público, fãs e músicos, que o seu nome merece estar no “hall da fama” dos grandes.
Apesar dos instrumentistas não serem tão conhecidos como os cantores, alguns, como Zé Keno, foram e sempre serão excepção. Durante anos, como histórico líder dos Jovens do Prenda, o guitarra solo já recebeu várias homenagens, pelo seu contributo para a valorização e divulgação da música popular angolana.
A sua morte, no passado dia 4 de Agosto, na África do Sul, vítima de doença, deixou um “vazio” enorme na música angolana. A perda já foi e continua a ser lamentada em vários sectores da classe. O Ministério da Cultura e a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) também exprimiram os seus sentimentos de pesar à família enlutada. Os artistas continuam a fazê-lo, de forma escrita, nas redes sociais, ou em entrevistas aos órgãos de comunicação social.
Como realça a nota de condolências do Ministério da Cultura, Zé Keno foi “um guitarrista de mãos cheias”, que conseguiu construir uma carreira bem-sucedida ao longo dos anos e influenciou toda uma geração de instrumentistas. Para quem o ouviu “solar” a sua guitarra, aprendeu a ver inovações no seu jeito de tocar.
O seu trabalho, fruto da experiência adquirida com outros artistas de sua época, ajudou a “imortalizar” o agrupamento Os Jovens do Prenda, dos anos 70 e 80, com a produção de grandes referências musicais no mercado da Música Popular Angolana, entre as quais se destacam “Patos Fora”, “Filho Doente”, “PangueYami”, “ Pôr do Sol”, “Hukeba”, “Mama”, “Desespero” e “Nova Cooperação”. Como um dos transmissores e defensores da Música Popular Angolana, o guitarrista procurou, frequentemente, manter vivas as suas raízes musicais e, apesar das inúmeras cisões e novos rostos dos Jovens do Prenda, sempre se manteve fiel aos seus ideais.
Mesmo antes da sua morte, homenagens não lhe faltaram. O antigo Maria das Crequenhas, hoje centro cultural e recreativo Kilamba, albergou algumas delas. Na maioria todas elas foram consideradas, quer pelos artistas convidados, quer pelo público, como devidas e apropriadas, pois serviram para mostrar a grandeza de um “génio”.

O “SOLISTA” DOS JOVENS
Nascido, em Malanje, a 15 de Dezembro de 1950, José João Manuel, “Zé Keno”, foi o principal protagonista da trajectória dos Jovens do Prenda que liderou com invulgar mestria, 4 gerações, tendo iniciado, oficialmente, a carreira musical, ao fundar o conjunto, em 1968, juntamente com Chico Montenegro, Didi da Mãe Preta, Tony do Fumo, Augusto Chacaya, tendo ainda como co-fundadores Kangongo, Mingo e Verry Inácio, aos quais se junta o vocalista Gaby Monteiro.
Criado em 1968 no bairro do Prenda, em Luanda, Os Jovens do Prenda foram um dos primeiros grupos angolanos a ter reconhecimento internacional. No princípio tinha a designação de Jovens do Catambor, mas, no mesmo ano, adoptou a denominação de Jovens da Maianga e, finalmente em 1969, passam a ter a designação actual.
O nome surge a conselho de Manguxi, um empresário do Sambizanga que era proprietário do Salão Braguês e alugava aparelhagens, que lhes disse que “O certo é denominar o grupo com o nome do bairro de onde vocês são provenientes”, daí o nome Os Jovens do Prenda, já que o grupo era originário deste histórico de bairro Luanda. Uma segunda geração dos Jovens do Prenda surge em 1980 e anos seguintes, com Dom Caetano, Zecax, Mingo Canhoto, Kintino, Twely Bamba, Romão Teixeira, Alfredo Henriques, Deodenay, Tomé Domingos, Conceição Alberto, Luís Matoso “Massy”, José Fausto Ricardo, Cassiano dos Santos, Julinho Vicente. E depois, Zé Mueneputu, que forma, actualmente, dupla com Imperial Baião.
ADRIANO DE MELO |

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