Vicky Muzadi passeia moda angolana no Museu Real da África Central

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Ethno Tendance Fashion Week em Bruxelas

"A Natureza apenas produziu um modelo, por isso somos todos parecidos quando estamos nus; se vestirmos as roupas da Natureza e esta vestir as nossas, onde está a diferença?" Robert Burton

O Museu Real da África Central, em Bruxelas, acolheu de 14 a 16 de Setembro, a passerelle de moda "Ethno Tendance Fashion Weekend Brussels 2012", um acontecimento internacional em torno duma moda étnica, ética e solidária.

A temática deste ano teceu uma panorâmica do pano africano tendo como veículo os desfiles das cores, tecidos, formas, materiais, linhas, modelos, cortes, produtos da mestiçagem, como se lê na nota de imprensa distribuída. Em suma, uma plataforma onde os estilistas fizeram jus às suas criações.

Por meio da sua demarche artística, a moda ética favorece o desenvolvimento social, ao valorizar a recuperação dos saberes locais e o desenvolvimento ambiental pela utilização de matérias-primas naturais e técnicas respeitadoras do meio.

A moda ética tem também o desejo profundo de aliar a criação artística ao desenvolvimento. Ethno Tendance Fashion Weekend de Bruxelas entrou pelo Museu Real adentro e instalou-se durante esses dias para oferecer uma oportunidade aos criadores frequentemente ignorados dos grandes pódios em voga que só se levantam em Paris, Florença, Tóquio ou Nova Iorque. Afinal, os ignorados também existem irrigando o mundo da moda ao dar-lhe um novo fôlego.

Porquê o foco sobre o pano?

O pano é um vetor de cultura, circula, atravessa continentes e categorias sociais. Deslocaliza-se, internacionaliza-se e conjuga-se sob diferentes formas. O pano torna-se um objeto de prestígio social, participa na invenção continua duma estética e duma cultura coletiva.

Trata-se de uma herança cultural real. Mais do que um pedaço de tecido, o pano constitui um símbolo original da cultura Africana e asiática. E foi ele "a vedeta" aquando desta primeira edição do Fashion Week-end 2012.

Que o diga a estilista angolana Vicky Muzadi, que lá esteve para colocar em evidência a sua imaginação e os seus dons nessa mostra de moda ciosa do homem e do seu meio ambiente que, por essa razão, incluiu uma sensibilização à "consum-acção".

Para além de deter um stand de exposição-venda permanente no recinto da Moda Étnica dedicado aos estilistas e criadores, o nome de Angola esteve bem representado com Vicky Muzadi que, no dia 14, às 18 horas, foi bastante aplaudida ao abrir o desfile dos criadores de Alta Costura, para, no dia 16, encerrar a festa da moda em Bruxelas.

Vicky revalorizou e bem o pano africano, usando o `Wax holandês' em conjunção com o `Or' (panos que têm dourado), o `Bazin', ou o `Wax.java-or', para confecionar roupas para cocktails e para cerimónias noturnas e receções, Apresentou 20 modelos de vestidos e fatos, tendo recebido diversas propostas de representantes comerciais na Bélgica, mas cujas ofertas não se afiguraram equitativas.

A artista belga-congolesa Zap Mama (Marie Daulne) abrilhantou a gala de abertura deste evento que teve por detrás a mão esvoaçante de Cerina de Rosen, detentora da marca Farushi.

Uma parte dos rendimentos obtidos com o desfile reverterão a favor de uma associação africana que luta pelo respeito e o desenvolvimento da mulher. Outra parte vai ser utilizada para abrir um espaço de criadores artesãos que promovem uma moda "ética e étnica" em Bruxelas.

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