"Vizinha Zongolas" Apanhadas com a "Boca na Botija"

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Gaby Moy e Baló Januário na III Trienal

Gaby Moy Fotografia: Paulino Damião

Mais uma vez, a III Trienal de Luanda cumpre o seu objectivo em resgatar a memória, seja ela muito distante ou próxima dos dias que correm, dando oportunidade a artistas que raramente são lembrados pelos promotores de espectáculos mediatizados. Trata-se de GabyMoy, que algumas vezes é chamado para espaços que optam por abrilhantar os convives com música angolana feita num passado não muito distante, e de Baló Januário, que é chamado quando a música tradicional volta à baila.
O autor de “Vizinha Zongola” subiu ao palco na sexta-feira, 15 de Julho, numa actuação suportada pelos seus sucessos do passado e temas marcantes de David Zé, seu irmão. A banda Gengibre, com João Mário na viola ritmo, Nando Bernardino na bateria, Montenegro no baixo, Chico Santos nos tambores, Nelas do Som a solista, JujúLutona nos teclados e os coros de Fulgência de Almeida e Zé Manico, foram os parceiros cuja tarefa grata era aquecer mais uma noite de cacimbo. Foi com este grande sucesso que fechou em grande esta noite, em que também se pode voltar a ouvir os temas “NukaKiMuene” e “MakakuKubata”.
“Sofredora”, “Merengue Santo António”, “Candinha” e “Namorado do Conjunto”, todos da autoria de David Zé mas interpretados ao modo de GabyMoy, causaram uma forte emoção ao público.
GabyMoy por pouco desapontava a plateia, uma vez que não tinha no reportórioum dos seus maiores sucessos: “Rumba Madalena”,mas, diante da solicitação dos presentes, teve que tocar mesmo sem ensaiar, comprovando que quem sabe faz ao vivo, seguindo-se “EmeAlengue”, tema com o qual se lança no mercado musical angolano e que o leva,em 1979, a vencer um concurso musical da então Secretaria de Estado da Cultura.O cidadão Moisés Gabriel Ferreira, foi baptizado artisticamente como GabyMoy pelo também músico e investigador cultural, Dionísio Rocha.

Boca na Botija
No dia 23, foi a vez de Baló Januário, uma das maiores referências da música folclórica da actualidade. Por muitos considerados como o Rei da Cabecinha, ritmo proveniente do Icole eBengo, Dande, dentre outras regiões da província do Bengo, não ficou apenas com esta vertente da tradição. A cassanda, a cabetula, a ngaieta e incursões no semba foram outras sonoridades tradicionais que BalóJanúario transportou para o palco.
Temas como "Boca na Botija", "Azar da Belita" e "Macanduma" , ajudaram a compreender que há mais musica nacional.
Os músicos Josué D'Angola( teclados), Esteves Bento (Congas), Benjamim( baixo), Zé Luís ( viola ritmo), Dama Neusa nos coros e Ti Paulino na guitarra solo, um invisual que faz maravilhas com a viola, trazendo do seu dedilhar uma rítmica que levanta a poeira nacional. A cantora Ary acompanhou Baló em “Papá Fugiu”, uma parceria que resulta muito bem nos palcos e estúdios.
Antes, dia 16, o roteiro cultural da III Trienal de Luanda prosseguia com KyakuKyadaff, num espectáculo em que o autor de "Se Hunguile" prestou homenagem a Teta Lando e Papa Wemba.

Analtino Santos

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