Casadas e solteiras, futebol no feminino

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O Golungo é terra de inegáveis pergaminhos. Velho de mais de trezentos anos viceja altaneiro mobilizando todos os talentos na conquista do seu lugar ao sol. Professa a máxima Age quod ages (em português: faz bem o que estás a fazer). Trocando em miúdos: na hora do trabalho, produz o melhor que puderes; à mesa, come-lhe e bebe-lhe bem; na igreja reza com força; nas tuas horas livres, goza a vida que é breve; nos folguedos... farra é farra!

O Golungo é terra de inegáveis pergaminhos. Velho de mais de trezentos anos viceja altaneiro mobilizando todos os talentos na conquista do seu lugar ao sol. Professa a máxima Age quod ages (em português: faz bem o que estás a fazer). Trocando em miúdos: na hora do trabalho, produz o melhor que puderes; à mesa, come-lhe e bebe-lhe bem; na igreja reza com força; nas tuas horas livres, goza a vida que é breve; nos folguedos... farra é farra!
Assim, como tristezas não pagam dívidas, houve quem enxertasse no ânimo desta gente um desporto praticado por senhoras e raparigas. E por que não? Boa seiva (quer dizer, ideia feliz) em tronco bom (sem gente de bom senso) e a enxertia pegou.
E a vila toda do Golungo Alto despejou-se para o campo, para o Estádio Municipal a transbordar de alegria e entusiasmo, com gente dos arredores, e gozamos uma das mais belas tardes desta ridente vila de Santo Hilarião.
Equipas em campo: senhoras casadas contra – não digo bem – com um ranchinho de solteirinhas. Ensaiaram: o grupo de senhoras, o dinâmico Juka; o ranchinho de raparigas, o Carvalho e o professor Torres.
Acolhida com salvas de palmas a troca de galhardetes. Árbitro: o sempre imparcial Luís Gomes de Faria. Capitães das equipas: das jovens, Paula de Macedo; das senhoras, D. Ivone Santos. Juízes de linha: gente moça.
- Prrreee!!! – E começa o jogo.
O grupo de raparigas sobressai pelo entusiasmo infrene consentâneo com a idade, mas encontra uma barreira testudínica na resistência serena e jogo combinado das senhoras casadas.
Numa arrancada das moças o esférico ultrapassa o meio campo, Paula de Macedo finta uma, finta outra, passa à Celeste e esta, colhendo o esférico em boa queda, imprime-lhe rumo certinho às redes GOLO! – goooooolo!
Pouco depois, o grupo das senhoras revela domínio sobre o outro. Margarida apodera-se do esférico e condu-lo em boa ordem, passa à Anastácia e esta à Delmira. Quase à boca das redes, Delmira passa à Gravinda mas esta escorrega e cai sobre a bola quando ia a rematar. Boa oportunidade perdida!
Nova arrancada das jovens, mas facilmente anulada. Agora é Dulce Quintães que intervém. Como sentinela alerta sabe onde estão as melhores do seu grupo. É bloqueada mas consegue, num movimento rápido, passar a bola à Teresa que não perde tempo: - Goooooolo!
O grupo de jovens quer anular o empate, mas as senhoras não deixam. Há alternativas de vantagens e fracassos de parte a parte, até que o árbitro assinala o termo do jogo.
O sol esconde-se para os lados de Cambondo numa tarde tingida da cor do crepúsculo. Vai uma temperatura morna. O céu está lavado de nuvens. Não há vento.
Este pequeno mundo de Evas proporcionou ao Golungo Alto uma das mais belas tardes da sua história.
Equipas das casadas: Anastácia, Delmira, Dulce Quintães, Dulce Rocha, Glória Trovão, Graça Pereira, Gravelina, Ivone Santos, Margarida, Teresa Sampaio, Vicência.
Equipa das solteiras: Alice, Amélia, Alzira, Celeste, Deolinda, Fátima, Inácia, Maria Miranda, Paula de Macedo, Sílvia, Zélia Danin.

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