A África ganhou o combate da Fé - Dany Leriche e Jean Michel Fickinger

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Dois professores aventureiros sulcam o continente africano em busca do invisível. A colonização não conseguiu erradicar totalmente as formas da espiritualidade negra, que continuam vivazes e pertinentes. A sua resistência é o contraponto à ocidentalização galopante..

O trio: Inzant et Karim Koné (pai e filho) e no chão, Badra Coulibaly

Este casal de retratistas tem África na pele. Dois olhares, quatro mãos, que se debruçam sobre a essência das formas de espiritualidade africanas. Dany Leriche e Jean Michel Fickinger trabalham em conjunto e percorrem o mundo do invisível. Partilhar a dois as vicissitudes da vida de artista é um projecto em si. E possuir uma certa fé parece ser o mínimo requerido.

As crenças africanas e as suas representações, mas sobretudo o fervor dos seus praticantes e chefes religiosos, são captadas com garbo e dignidade. Viagem após viagem, fotografia após fotografia, escrevem visualmente, testemunham e dão conta da vitalidade das religiões animistas de um e de outro lado do Atlântico. Imergem na cultura da África Ocidental da qual nos dão retratos autênticos e fiéis.

Nada lhes escapa, nem as cenas de transe colectivo, nem as prédicas dos pastores, e muito menos os outros rituais, como os sacrifícios de animais. Jean Michel Fickinger partilha o Sodabi local (vinho de palma de 70°) durante as sessões fotográficas para ficar mais próximo dos sujeitos fotografados.

Embora não cheguem a entrar em transe, por projecção, o casal está impregnado pelas imagens e pela riqueza espiritual do mundo negro, tanto de África como do Brasil, onde as manifestações animistas continuam fortemente ancoradas na cultura baiana.

Perpetuam com a força das imagens o trabalho documental começado por Pierre Verger e Roger Bastide. Dos sacerdotes vudu aos pastores dos templos evangélicos, os retratos são impressionantes.

Em Dezembro fizeram uma exposição na Casa de África, alguns dias antes de regressarem ao Togo para apresentar ao ar livre, na Place Acofin, a série «As divindades negras» à população residente em Aného. Mas as suas aventuras e experiências pitorescas não ficam por aí. Em Fevereiro estarão em Ségou (Mali) para participar num colóquio sobre o desenvolvimento da arte e da cultura em África.

Se a arte, a fotografia e a literatura tentam transmitir com fidelidade a experiência do transe, só o vivido permite um contacto real com o mundo invisível. Esse mundo, ao nosso alcance e tão longínquo, abre-se a nós por intermédio da paixão dos artistas. Estendenos os braços com a ajuda de Dany Leriche e Jean Michel Fickinger.

Exposições:

Os Filhas e as Filhas dos Deuses, Festival Chroniques Nomades, Reims, 2012
Alètheia, Galeria Michel Journiac, Paris 1 Panthéon-Sorbonne, 2011
Chasseurs de l'invisible, Musée Tavet ,Pontoise, 2010
Le Temps d'une pose, Hôtel de Guînes Arras, 2009
Paris Photo, Galeria Baudoin Lebon, Paris, 2008
Portraits Allégoriques, Palais de Montemuzo, Saragosse, 2007

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