A pintura bucólica de Jiang Qingbei

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De cabelo grisalho, 60 anos e 1,80m de altura, Jiang Qingbei, o primeiro Presidente da Associação de Artistas de Dafen e pintor de prestígio, é amável e de trato fácil.

"Nasci no norte da província de Anhui", recorda Jiang. "Depois, a minha família mudou-se para o nordeste da China, a fugir à fome." Ele e o pai foram mineiros na província de Heilongjiang. "Comecei a trabalhar nas minas com 17 anos." Devido à sua paixão pela pintura, foi-lhe atribuída a tarefa de fazer posters para o sindicato da mina de carvão.

In 1970, Jiang teve pela primeira vez a oportunidade de participar em aulas de pintura. Mas acabou por perder essa oportunidade. "Senti-me muito frustrado e desapontado", diz Jiang. "Mas não podia desistir." Agarrou todas as oportunidades de aprender pintura.

Na altura, o cinema era o único entretenimento e Jiang poupou dinheiro para comprar bilhetes. Foi também ao cinema para ver o instrutor a pintar, em vez de ver filmes ano após ano. Por fim, o instrutor sentiu-se tocado pela atitude de Jiang e deu o seu melhor para o ensinar a pintar.

In 1973, Jiang foi admitido na Escola de Artes de Heilongjiang, no departamento de artes performativas. Em 1984 foi admitido na Academia de Belas-Artes de Lu Xun. De acordo com o seu entendimento da arte e da exploração das técnicas, publicou dois livros:Técnicas de pintura de paisagens e Exploração de formas de pintura paisagística.

Os dois livros tiveram enorme influência no círculo de pintura a óleo da China. O primeiro livro teve cinco edições e continua a ser muito procurado. Foi nomeado professor associado de pintura a óleo.

Depois da graduação, Jiang tornou-se pintor profissional. Criado na província de Heilongjiang, a terra do solo negro formou muitas das suas primeiras memórias, e no seu trabalho ainda perpassa a saudade dessa região. Jiang declara que a sua primeira grande influência foi Isaak Levitan (1860-1900), o famoso mestre de pintura paisagística russo.

"As suas paisagens de montanhas e rios, à excepção da torre do sino e da igreja russas, eram muito semelhantes às da minha terra natal", explica Jiang. "Fui tocado pelo mesmo sentimento lírico."

A fim de aperfeiçoar ainda mais as técnicas de pintura, Jiang participou numa aula de pesquisa sobre pintura a óleo em 1991, French Claude - Iraq's oil painting research class, Repin, sendo o melhor da Academia de Belas-Artes em 1997.

Actualmente a sua obra notabiliza-se pela pintura de paisagens, combinando o impressionismo ocidental, o realismo e o novo romantismo. Tendo formado um estilo próprio, a obra de Jiang é plena de beleza, calma e luminosidade. "Espero que todos os que vêem os meus quadros se sintam bem-dispostos", afirma com um sorriso.

Os seus quadros reflectem a atmosfera da pintura russa profunda -- Jiang capta com precisão toda a expansão da bela tonalidade prateada, em pinceladas vívidas, em suaves e ricas camadas...... reflectindo exactamente o monólogo interno do artista.

A pintura de Jiang intitulada Outono em Heilongjiang revela o cenário outonal do Norte da China. O quadro apresenta uma composição completa, cores vivas, descrições precisas das características locais e sazonais, através de uma técnica de pintura sólida, mostrando uma rica textura da superfície e tensão. É um bom quadro que nos cativa.

Não são apenas as obras de Jiang que são belas, a sua alma é bela também. Em Dafen existem cerca de 100 pintores com deficiência vindos de todo o país. Lutam pela sobrevivência. Por não terem conhecimentos básicos de pintura, tudo o que podem fazer é copiar obras conhecidas de todo o mundo.

A maioria já sofreu muitas provações. Em 2007, Jiang aceitou o primeiro aluno deficiente. Jiang dá aulas gratuitamente e também fornece os materiais de pintura. Um dia, veio ter com ele um jovem abastado, que lhe disse que lhe poderia dar muito dinheiro. Mas Jiang não se deixou convencer, e recusou: "Não preciso do seu dinheiro."

O artista mostra-me no seu estúdio de cerca de 40 metros quadrados, mais de 20 cavaletes dispostos ao acaso. As paredes estão cobertas com os trabalhos já feitos pelos estudantes. Mas os dos cavaletes estão por terminar. Jiang aponta para uma tela onde se vê um céu dourado e campos de trigo maduro. "É o trabalho de uma mulher que anda em cadeira de rodas e está quase completamente paralisada, à excepção da mão direita. Está cá todas as semanas."

Até agora Jiang já deu formação a mais de 30 pintores deficientes e seus filhos. Assim podem criar os seus próprios trabalhos e ter uma vida melhor. Presentemente o seu trabalho de voluntariado prossegue duas vezes por semana. Jiang espera ter um impacto positivo na vida dos pintores migrantes e seus filhos.

"Dafen distingue-se não apenas por albergar várias escolas de arte, mas também pelo seu carácter humanístico. Espero que a nossa sociedade lhes dê mais atenção", diz Jiang sorrindo.

Em 1987, a obra de Jiang ficou em primeiro lugar na Exposição de Pintura a Óleo da China; em 1990, os seus trabalhos foram expostos na Exposição de Arte da China; em 1993, participou na exposição anual de pintura a óleo chinesa; em 1994, participou no salão de arte de pintura a óleo da China; e em 2004 os seus trabalhos participaram na 11ª Exposição de Arte da China, onde ganhou a medalha de ouro.

Jiang realizou exposições individuais no Japão, na Áustria e noutros países por diversas vezes e muitos dos seus quadros fazem parte de colecções na China e no estrangeiro. Em 2013, o seu quadro Nova Visão ganhou o 2º lugar na Exposição Nacional de Pintura a Óleo de Jovens e Adultos em Dafen.

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