Arménio Vieira: Uma fulgurante ilustração da mudança de paradigma na poesia caboverdiana (II)

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Igualmente digna de realce na mais recente poesia de Arménio Vieira é a opção pela prosa poética ou pelo poema em prosa, em nítido contraste com o regresso ao soneto e outras formas fixas herdadas bem assim, como em alguns dos poetas adiante nomeados, a uma linguagem literária de tom elevado, preciosista e/ou metrificado recentemente empreendido, aliás, com assinalável êxito, por alguns poetas caboverdianos, francófonos, como Mário Fonseca, crioulógrafos, como Kaká Barboza, ou lusógrafos, como Danny Spínola, José Luís Tavares ou Filinto Elísio Correia e Silva.

Arménio Vieira: Uma fulgurante ilustração da mudança de paradigma na poesia caboverdiana (II)
Arménio Vieira Uma fulgurante ilustração da mudança de paradigma na poesia caboverdiana (II)

Por este modo, Arménio Vieira retoma a célebre consigna mallarmeana “a prosa não existe”.
Quanto à lição mallarmeana, ela é inteiramente assumida logo no segundo poema do caderno “Canto das Graças “ do livro MITOgrafias, no qual se
dá graças por “Bento Spinoza e também por Malarmé, /já que ambos, em seu tempo/e seu lugar, viram o que jazia/ oculto sob a máscara da Esfinge./”, “esse ponto em que o texto/como um rio /se desdobra e, nítido, surge o poema,” e que “só se vê num mapa que Mallarmé doou/aos filhos que teve com a Musa”.
Para além disso e à semelhança, aliás, do que tinha intentado no romance No Inferno e no poema “Epopeias” do livro MITOgrafias quanto à
suposta impertinência, na actualidade, respectivamente do romance e da poesia épica/heróica como géneros narrativos pertinentes, a opção pelo
poema em prosa e pela prosa poética narrativa parece constituir uma insofismável subversão (aliás, sempre esperada, porque congénita à praxis
poética do vate praiense) e reflectir, senão uma condenação explícita, pelo menos um posicionamento crítico não só em relação ao poeta como artesão do verso (mormente daquele metrificado e sujeito à classicizante e disciplinadora (por isso, libertadora e criadora, segundo outros) “tirania” da rima e das formas fixas) como também em relação às práticas versilibristas, oportuna, tempestiva e irruptivamente introduzidas em Cabo Verde pelos claridosos e, depois, generalizadamente cultivada por poetas de diferenciado mérito e de diferentes opções estético-ideológicas (neles se incluindo o próprio Arménio Vieira e a sua respiração poética por vezes assaz coloquial, se bem que trespassada pela metáfora), assim como por versejadores de múltiplos calibres panfletários.
Versejadores, diga-se, as mais das vezes enredados nas armadilhas do versilibrismo e da aparente simplicidade da poética caboverdiana anterior,
sobretudo daquela legada por Jorge Barbosa, bem como na crença sustentada nas mesmas armadilhas e segundo a qual a factura da poesia, em
especial da poesia moderna, derivaria, não da congruência das palavras utilizadas e do seu ordenamento com as exigências do ritmo, da imagética e
da sua propensão e capacidade expressiva para a produção de emoção estética e/ou qualquer outra forma de sensação estética de estranheza e/ou
de adesão, mas da mera versificação das palavras, quer mediante a sua submissão, ainda que em grau mínimo, às regras da rima e da métrica,
quer ainda, e num sentido mais obtuso, mediante a sua mera e abstrusa colocação em escadinhas, sem mais e desnecessárias interferências quer da
rima e da métrica, quer ainda do ritmo e da imagética.
É o que perscrutamos no 25º texto de O Poema, a Viagem, o Sonho (sem título como a esmagada maioria dos poemas desse livro):
“De repente um pobre homem, sem apoio de mágica ou de alquimia, que também é magia, converte-se num aparelho de espremer poemas. Ele então que os faça, pois assim quis a sina.
Se for soneto, isto é, um monte deles, que eles saiam mais ou menos bem rimados.
Atenção: quem rima choro com cachorro, jamais apanha a chave de ouro, e no fim é o cão que fica a rirse.
Por que não uma ode, semi-Píndaro, semi-pimba, ou então uma epopeia, já que em democracia a cópia de Homero é cópia de direito? Em cada
beco um Pai Natal, o que se vê é mais barbas que brinquedos, meu Deus, a crise que aí vai! Nos acuda Sto António, ubíquo e forte em sortilégios de
que os peixes deram fiel testemunho.
Já que o santo era padre e a poesia é o tema, encerre-se o texto com Vieira, também padre e António, tanto mais que os sermões, a mor das vezes chatos, em Vieira eram poemas. Entendeu-o Pessoa e, a dobrar, também eu.
Por me chamar Vieira?”
Deste modo, a aparente similitude entre a rasura temática da caboverdianidade mais típica, designadamente no que respeita à nomeação explícita de lugares, ambiências, espaços, cheiros, odores, cores, pessoas, tragédias, estórias, ou à sua mera alusão, e a “obsessão greco-latina” e  ocidentalizante de Arménio Vieira e idênticas rasura e obsessão europeia classicizante dos préclaridosos é destroçada não só por um diferente enquadramento históricoepocal das respectivas poéticas e gerações literárias como pela antonímia das técnicas e do formalismo estético
presentes nas respectivas oficinas.
Decididamente, Arménio Vieira – tanto o celebrado poeta versilibrista como o nosso mais recente cultor do poema em prosa – situa-se nas antípodas
das convicções estéticas mais profundas e sinceras de Pedro Cardoso e seria certamente amaldiçoado pelo venerando poeta neo-clássico, hesperitano, nativista e pan-africanista e pela sua visão que, tendo excomungado o versilibrismo e havendo-o remetido à ciclotímica comiseração da piedade divina, não seria certamente menos áspera (ou, sequer, mais condescendente) em relação ao poema em prosa, mesmo que se se tratasse de um poema em prosa que deambulasse pelas mais sábias e controversas cogitações dos mestres da antiguidade greco-latina.
Relembremo-nos, pois, do que escreveu o mestre foguense na sua “Profissão de Fé”: “Todo o artista pressupõe uma técnica, o poeta tem de ser um técnico da métrica, porque o verso é a vestimenta mais própria e condigna da poesia (…) Impetrando ao bom Deus da misericórdia que deles se amacie e lhes remita a veleidade da extravagância de chamarem verso à prosa, que, em última análise, não é nem uma coisa, nem outra”.
O mesmo raciocínio antinómico, acima dissecado, pode igualmente ser aplicado às aparentes similitudes entre as oficinas dos actuais cultores das formas fixas e a compreensão do poeta como um técnico da métrica e das formas fixas clássicas por parte dos antigos.
Cremos deverem essas similitudes serem antes interpretadas como indícios de recentes tendências de revalorização de uma parte importante da nossa herança e história literárias no quadro das contemporâneas interrogações dos poetas caboverdianos num contexto de assumido cosmopolitismo e de plena e multifacetada identificação com os múltiplos rostos, matrizes culturais e raízes identitárias da nação diaspórica caboverdiana.
A propósito das peculiaridades poéticas da prosa poética e do poema em prosa, que, aliás, perfazem a totalidade do seu último livro, escreve Arménio Vieira precisamente no poema “Prosa e Poesia”: “Troco as voltas à metáfora, / fazendo de conta que Aristóteles/ e o seu alfarrábio de tropos/valem tanto como esse velho/ Mar Morto onde os peixes, / de tanta secura, já nem sabem /se são peixes ou pedras de sal./Assim, embarco e sigo/ sem que eu saiba em que ponto no rio ou no mar/bifurca a prosa e, nítido, se vê o poema”, retomando, aliás, a tal consigna malarmeana a que acima se fez referência.
Consigna mallarmeana que, aliás, foi incorporada e vem sendo igualmente prosseguida, é certo que com diferentes níveis de conseguimento estético, por poetas caboverdianos tão díspares entre si, como, por exemplo, Ovídio Martins (designadamente no poema “Ilha a Ilha”), Mário Fonseca, Dina Salústio, José Luís Tavares, Vera Duarte, Valentinous Velhinho, Danny Spínola, António da Névada ou Filinto Elísio Correia e Silva, cultores pós-coloniais da prosa poética e do poema em prosa, mesmo que não necessariamente na extensão e com a identidade própria dos longos poemas de louvação da cidade, como em Jorge Carlos Fonseca, e de virulenta causticação das incongruências do quotidiano pós-colonial, como em Osvaldo Azevedo ou Erasmo Cabral de Almada, ou dos longos poemas narrativos, de teor epicizante, cultivados por T. T. Tiofe, Nzé di Sant’ y Ago, Mário Lúcio Sousa ou António da Névada (relevando-se os momentos deliberadamente prosaicos que, por vezes, salpicam e entranham alguma dessa poesia, designadamente a de T. T. Tiofe), ou, até, em seu sarcástico contraponto como assinalado no poema “Epopeias”, de Arménio Vieira:
“EPOPEIAS
Arma virumque cano… Deixemonos/ de tretas! Versos destes escreviam-se/ antigamente, quando Eneias e Ulisses,/em barquinhos de papel, arrancavam/ olhos aos ciclopes, rindo nas barbas/ de Neptuno, um rei de óculos e bengala/ a precisar de viagra.
Ezra Pound,/ cowboy e poeta, quis ressuscitá-los./ Pensando em quem?
Mussolini via-se/ que não. Era um anão gorduchinho,/ parecido aos que andam nos circos/ a divertir a garotada.
Entre um bicho/ assim e um homem
chamado Aquiles/ a distância é de uma légua.// Canto l´arme pietose e´l capitano…/Deixemo-nos de tretas!
Nós, a mor/ das vezes, somos tigres a fazer figura/ de urso. As armas e os barões…/
Isso era antigamente, quando os Lusos/ se riam a custa de Baco, rei sem/ préstimo, bebedor de vinho”.
Sarcástico contraponto que, por representar um dos muitos e contraditórios olhares do poeta sobre a herança poética ocidental, da qual se sustenta, todavia não impede Arménio Vieira de beber reverentemente da taça onde rescende ainda o inebriante odor dos versos tanto de Homero e Dante como de Walt Whitman e Álvaro de Campos Com os seus últimos livros, Arménio Vieira coloca mais pedras – aliás, maioritariamente rutilantes - no edifício do espanto e da perplexidade que vem construindo para deleite dos seus admiradores e benefício do alargamento do pluralismo estético-formal e temático na literatura produzida pelos filhos das nossas ilhas e diásporas, e para alguma raiva e contestação dos (in)habituais detractores da sua poesia (ou, pelo menos, daquela mais recentemente dada à estampa), talvez demasiado ciosos de uma mais estrita observância de um determinado formalismo técnico mais conforme com o cânone dominante e/ou de caminhos mais irrepreensível e exclusivamente telúricos na poesia caboverdiana, independentemente do nível e do tipo de linguagem eleitos, desde que compenetradamente apegada ao chão mátrio das ilhas ou a ele alusivo, ainda que de forma um pouco remota.
Diz o poeta num dos textos mais emblemáticos da sua ancoragem numa pátria, nua e sua, irredutivelmente inominada porque tão-somente aspergida de palavras e do seu desejo de liberdade, o qual, aliás, se expande em todos os sentidos e perpassa todo o seu último livro:
“Apaga as escrituras todas. Se a missa ou o sino de qualquer igreja chegarem aos teus ouvidos, o que ouves é apenas o vento a sacudir os ramos, é um velho boi ruminando sempre a mesma palha. Em ti há um marinheiro demandando uma ilha onde ninguém ainda esteve. Também em ti encontrarás o mapa, a bússola e o navio.
Há coisas a que não deves atribuir nomes”. E conclui peremptório: “ A tua ilha não tem nome”, para que, embevecidos, possamos rematar - pois que inomináveis são os trilhos da poesia da liberdade (incluindo da liberdade de construir o poema desta ou daquela forma) que habitam o wanderlust, ou, se se quiser, o evasionismo e o sonho da viagem, lavra consabidamente de muita fértil imagética.
Viagem essa, aliás, sempre de novo encetada em especial pelos poetas islenhos, da beira-mar e da beira-sonho, pelos poetas badios aparentados com os gatos, sejam eles brancos, pretos, pardos ou de cores zebradas; sejam eles de inspiração greco-latina ou uma sua mera ilusão, magicação ou desconstrução, mas certamente crioulos caboverdianos firmemente ancorados na sua dupla herança matricial,
na sua ambivalência (no sentido próprio de bivalência), também identitária, e na sua inesgotável demanda de entrelaçamento com tudo que lhes foi legado e com o todo de que foram diversamente gerados ou de que livre, sabida e soberanamente se apropriaram.
Terá sido pela polivalência da sua obra poética e ficcional que, a despeito das legítimas expectativas criadas em torno de outros abalizados postulantes caboverdianos, e não só, que Arménio Vieira teve o privilégio de nos dar a incomensurável alegria de ser o primeiro galardoado caboverdiano com o Prémio Camões?
Foi certamente pelo seu imperial domínio da língua de labor literário e da linguagem da poesia bem como pela sagaz pertinência das suas indagações existenciais na sua congruência com as preocupações do viajante e náufrago do mundo, que também é o ilhéu caboverdiano, esse ser permanentemente expectante porque habitante, a um tempo, sedentário e nómada, de um algures sempre se abrindo a esse mundo que até ele chegou com as sementes iniciais, nele doridamente renovadas pelas contingências da história, nele sempre se renovando pela inteligente apreensão da por demais trágica saga do seu nascimento e da sua maturação como povo crioulo soberano e da sua consciente incorporação nas deambulações do escriba e no labor do poeta.
Afinal, embora diversos na cana que se utiliza para a pesca da palavra sensível, ela própria peixe e anzol, presa e predadora, e na substância concreta ou onírica do pão-nosso-decada-dia que se almeja, parecem ser idênticos os sonhos do cais-de-verpartir de “O poema de quem ficou” de Manuel Lopes” (paradigmático do que se convencionou chamar evasionismo psicológico e anti-terralongista, também omnipresente no dantes considerado sumo-pontífice desse mesmo evasionismo psicológico que foi Jorge Barbosa) e os sonhos do viajeiro sedentário que é o poeta Arménio Vieira, aquele que, (anti-)máscara contemporânea de Ulisses, pede que, vindo a desgraça, que venha de avião, e prefere o voo que só pela imaginação se enceta-:
“Quem jamais viaja, e, viajando nunca, poupa-se ao enjoo, a que se junta a chatice de juntar papéis de que a pauta é o avesso. O viajante que jamais viaja é quem deveras viaja, pois que, viajando nunca, ele sabe dos múltiplos dons com que o Destino distingue o sonhador. Sendo assim (por arbítrio alheio, é certo), o navegante, que jamais teve navios e nunca os desejou, mesmo assim, ele é o detentor das rotas que levam aos portos por nomear. Diga-se então que o azul de tantos céus, que Ulisses viu, como ninguém houvera visto, mais não é que os sonhos de quem, em terra, os sonhou no mar”. Eternos insulares, viajantes inveterados com as âncoras presas à inominada solidão da ilha, evasionistas anti-evasionistas, Ulisses sempre em demanda da casa, daquela que também se constrói pela capacidade de sonhar e, estando lá, segura e indefectível, alimenta todos os sonhos de viagem por todos os mundos, deste e de de outro mundo, conhecidos ou simplesmente vaticinados…
Diríamos, concluindo, que a sagração de Arménio Vieira, o poeta praiense das altas escarpas marginais da vida e das suas praias esparramadas em sonho e fantasia, ocorreu quase que em conformidade com as expectativas todas, de quase toda a gente, tanto da nação literária como também daquela, que de forma quase inexplicável, se vem deslumbrando com os demiurgos, os cultores e os semeadores dessa lavra misteriosa que é a palavra poética, incluindo as do poeta eruditíssimo (sapientíssimo, diriam outras sombras) retratado no poema “Megalomania” do livro O Poema, A Viagem, O Sonho:
“Eu, que de Homero recebi o poema no instante em que o poema nasce, e vi o Inferno pela mão de Dante, tal-qual Leopardi mais tarde o viu, e, após me afundar no rio onde Hamlet e Lear beberam o vinho que enlouquece, comecei a ter visões que Rimbaud, De Quincey e Poe registaram em negros textos; eu, que no eterno transportei a bandeira que era peso nas mãos de Elliot, e renovei a charrua com que Pound lavrava os versos, e de Whitman furtei-me ao licor, que em Álvaro, digo Campos, porque dorido e menos doce, sabia melhor; então que falta em mim para de Camões herdar a estrela, que Pessoa deixou fugir?”
Premonição de um estatuto camoniano (ainda que travestido na pouco fugaz honraria do prémio homónimo), apesar de, , na vida e na obra, o poeta se posicionar, a mais das vezes, como nitidamente avesso a um qualquer mimetismo grandiloquente e neo-camoniano e indiferente a outras fulgurações neoclássicas e neonativistas da palavra poética. Palavra poética que em Arménio Vieira é quase sempre entendida e posta em riste como radicalmente vocacionada para a transgressão na sua evidência contra as correntes hodiernamente hegemónicas, tal como, aliás, vazada no livro O Poema, A Viagem, O Sonho. Indiferença que, todavia, não o impede de também revisitar a obra de D. Dinis, o Camões lírico, entre outros autores marcantes da tradição poética lusógrafa.
Livro que, escrito um tanto antes da atribuição ao seu autor do prestigiado prémio (porque a maior distinção respeitante a uma obra literária em língua portuguesa) na rotina solitária e automatizada do teclado do telemóvel (também ele merecedor de louvação com ressonâncias necessariamente greco-latinas chuviscando sobre um qualquer banco de praça ou mesa de café do plateau praiense), foi todavia publicado depois da mesma atribuição.
Atribuição que ao povo das ilhas e diásporas e a todos os seus poetas, escritores e outros letrados e criaturas de cultura, cumulou de auto-estima e de autoconfiança, de muita empáfia e fundada basofaria (essa bazófia especifica e vistosamente caboverdiana) pela merecida consagração da maturidade da sua literatura, neste caso representada por um dos seus maiores poetas e prosadores de sempre que foi, é e certamente continuará a ser o literato Arménio Vieira, o super-vate das ilhas com nome, digo o super-felino do arquipélago bafejado com um nome miraculado porque incrustado na verde ficção de uma terra, e de um mar, e de um céu, em suma, de um povo, merecedor ele todo de todas as rogações e rezas, porque habitante e construtor de uma “pátria tão pequena que cabe inteira no coração”, como assinalado num dos textos de O Poema, A Viagem, O Sonho.

José Luis Hopffor Almada

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