Arty wax: a África, a arte, a moda e a política

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As conexões entre a moda e a arte contemporânea são geralmente frutíferas.

Certos talentos extirpam da linguagem da moda os materiais necessários à realização dos seus projetos artísticos. A moda africana não escapa à fusão destes dois campos.

Os tecidos africanos também inspiram os artistas da diáspora africana no sentido mais amplo. Bem antes deles, os fotógrafos mais talentosos do continente já tinham usado em particular os tecidos africanos nomeadamente Seydou Keita, Samuel Fosso, mas também os pintores Chéri e Samba.

Yinka Shonibare MBE, artista anglo-nigeriano, nascido em 1962, questionou através das suas memoráveis instalações as relações pós-coloniais entre a África e, principalmente, os países do Sul e o Ocidente.

Ela explora os meandros e as complexidades causadas pela colonização. Fez exposições pelo mundo inteiro e e foi elevado à categoria de Membro do Império Britânico, uma alta distinção no Reino Unido.

Ele faz uso do wax holandês para denunciar o colonialismo e o pós-colonialismo. Shonibare está ciente de que o wax holandês é muito popular na África Ocidental e Central, é um tecido estrangeiro destinado aos mercados africanos. Na verdade, o wax é inspirado no batik indonésio.

Os holandeses tentaram competir com tecidos locais, industrializando a produção, com o fim de vendê-los aos indonésios. No entanto, os batiks holandeses não foram capazes de alcançar a qualidade dos batiks originais e os produtores conseguiram a industrializar os processos de fabricação.

Era preciso encontrar saídas para estes tecidos, a Europa não mostrava entusiasmo por estes tecidos coloridos.

Em contrapartida, o wax iria experimentar um sucesso retumbante ao longo do litoral africano. O trabalho de Yinka Shonibare começa, uma paródia de muitas obras-primas da arte ocidental.

Fazendo recurso do wax, ele "africaniza" os grandes clássicos da arte europeia. As suas mensagens políticas são transformadas em questões relacionadas com a globalização e as noções de raça e classe.

Durante a sua infância, ele contraiu uma doença que o deixou incapacitado, de modo que se cerca de uma equipe de assistentes para realizar as suas instalações.

"The Pursuit" é uma paródia da obra "O Progresso do Amor", de Fragonard. O discurso articula-se habilmente sobre o domínio da natureza, o projeto colonial no momento em que os europeus reivindicam uma certa liberdade de espírito, de progresso social.

Os aristocratas franceses distinguem-se pelas suas roupas, suas cabeças decapitadas reenviam para a tragédia da Revolução Francesa.

Estrepitosa metáfora colonial, esta instalação esteve patente no Instituto Holandês (Paris) até 4 de Novembro de 2012. Yinka Shonibare foi o convidado de honra da Art Basel 2012.

Outro jovem talento aproveitou o wax holandês para nutrir as suas reflexões em torno do género e da raça. Kehinde Wiley (1977) nasceu de mãe afroamericana e pai oriundo da Nigéria. Este pintor virtuoso, diplomado em Yale trabalha sobre a identidade racial e sexual.

Ele cria colisões surpreendentes entre a história da arte e a cultura de rua. O seu trabalho oscila entre crítica política e o poder dos símbolos da dominação masculina.

Pela primeira vez, apresenta em França, na galeria Templon as suas obras para as quais partiu sobre as pegadas das culturas africanas e da história colonial francesa em África (1880-1960) explorando o Marrocos, a Tunísia, o Gabão, o Congo e os Camarões.

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