Camões 20 anos a diplomacia através da Arte

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O regresso ao artista ao contacto com o público de Luanda.

Camões 20 anos a diplomacia através da Arte
Recepção africana Fotografia: Paulino Damião

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

Sob o signo da amizade, como uma festa de partilha de uma língua multissecular, que o embaixador de Portugal em Angola, João Caetano da Silva, leu o poema que inicia esta reportagem. no passado dia 18 de Fevereiro no auditório Pepetela, no instituto CAMÕES, numa concorrida e singela homenagem prestada a todos aqueles que contribuíram para dar corpo e fazer a história do CAMÕES - 20 ANOS A PARTILHAR CULTURA EM ANGOLA.
Das artes plásticas à literatura, da literatura ao teatro, do teatro à música, da música à dança contemporânea, da dança contemporânea à arquitectura, ao longo dos últimos vinte anos, passaram pelo Camões/Centro Cultural Português centenas de criadores, agentes culturais e jornalistas, na sua grande maioria angolanos, mas também de outras paragens, que deram substância e ajudaram a conferir credibilidade ao espaço e à instituição.
Como referiu no acto, a directora do Instituto Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus, “a história mais recente do CAMÕES, dos últimos três anos, é marcada por algumas inovações na respectiva programação, designadamente a apresentação de espectáculos de Dança Contemporânea e “Há Teatro no Camões”. Pela primeira vez, neste mesmo período, foi organizada uma exposição de street art do artista Januário Jano, que transfigurou as paredes do Centro numa rua de Luanda. Um facto marcante foi a organização em 2015, daquela que viria ser a última exposição do malogrado artista plástico José Andrade (ZAN), que assinalou o regresso ao artista ao contacto com o público de Luanda, após 17 anos de ausência, e que, lamentavelmente, veio a ser a sua despedida.”
Para a evocação e celebração destes 20 anos, estiveram em palco a representar os criadores angolanos, os escritores Arnaldo Santos, Pepetela e José Luís Mendonça, os artistas plásticos Antónjo Ole, Paulo Kussy e Mário Tendinha, pela dança contemporânea Ana Clara Guerra Marques, pelo teatro José Mena Abrantes que destacou “a presença humana da periferia no projecto Há Teatro no camões”, e Adelino Caracol, pela música Jerónimo Belo, , que considerou o Camões “um porto de abrigo do jazz”, a arquitecta Ângela Mingas, os cartoonistas Olímpio e Lindomar e pela União dos Escritores Angolanos e a União dos Artistas Plásticos, Carmo Neto e Etona, respectivamente.
Neste gesto de homenagem aos artistas e criadores ficou patente que o Camões é hoje uma ponte cultural entre os artistas angolanos e artistas de língua portuguesa. Só em 2016 foram realizados no Camões mais de cem eventos culturais. Hoje, todos foram unânimes em afirmar o Camões precisa de um espaço maior, pois o auditório Pepetela “tornou-se pequeno para o interesse que as realizações neste espaço despertam”, como frisou Mena Abrantes.

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