Cidade Velha celebra Dia dos Monumentos e Sítios

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Com a assinatura do protocolo entre o IIPC (Instituto de Investigação e do Património Cultural), a UCCP (Unidade de Coordenação do Cadastro Predial) e a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, CMRGS, para a reabilitação das casas da Rua Banana, deu-se início às celebrações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, em Cabo Verde.

Cidade Velha, Cabo Verde

O tamanho da rua e o número de habitações envolvidas não dão relevância ao ato, não fora o facto de ela decorrer na rua mais antiga da África subsaahariana construída pelos colonos europeus (século XV d.c.) e decorrer em Cidade Velha e de na África lusófona apenas Cidade Velha e Ilha de Moçambique integrarem o Património da Humanidade, como tal reconhecido pela UNESCO.

E como se quer que a população dos sítios históricos participe ativamente nos atos que lhe dizem respeito, realizou-se no dia 17 um debate público na Rua Banana sobre a recuperação das suas casas. Mas foi no dia 18 de Abril, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios propriamente dito, coma apresentação das teses de Martinho de Brito e de Natalino Semedo, respetivamente sobre a interpretação histórica da Fortaleza Real de S. Filipe e o desenvolvimento do desejado turismo cultural, feita no Convento de S. Francisco, que se viveu o momento maior.

Sendo atualmente o único Património Mundial existente em Cabo Verde, é natural que se valorize empenhadamente a primitiva capital do arquipélago, arrasada pelos corsários franceses de Jacques Cassard no século XVIII. E a pouco e pouco reerguida dos escombros, vai-se assistindo à reabilitação dos lugares monumentais, já ressuscitadas das suas ruínas a referida Fortaleza Real, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Negros (o mais antigo templo erguido pelos portugueses em África a sul do trópico de Câncer), o pelourinho manuelino, a torre da Igreja da Misericórdia, o Convento de S. Francisco e as emblemáticas Rua Carreira e Rua Banana. Mais a passo vai a restauração da Sé Catedral, havendo agora a notícia de que houve a renúncia ao projeto do famoso arquiteto português Sisa Vieira, o qual motivou amplos discursos e Hilmes (“O arquiteto e a cidade”): supõe-se que questões económicas terão nisto pesado, se bem que tenha havido recentemente um entendimento entre o português IPAD e o IIPC cabo-verdiano e o dinheiro para a obra, que deveria arrancar a curto prazo, já se encontre no país.

Apesar destas vicissitudes e sob a estreita vigilância da UNESCO e do ICOMOS (que não te mim pedido grosseiras violações e construções clandestinas), Cidade Velha vai rivalizando
coma sua gémea e controversa Gorée, no Senegal, como ela um muito importante centro e mercado de negros escravos, exportados para a Europa e para as Américas.

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