Crise de identidade

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A propósito da introdução das línguas maternas angolanas no sistema de ensino e a democratização da cultura.

Estratégias de trabalho

As balizas de uma tal estratégia de trabalho há muito foram ensaiadas e lançadas, como a aprovação da grafia de pelo menos 6 línguas nacionais, em 1976. A experiência-piloto em ordem à sua adoção no sistema de ensino poderia ser articulada para já com a elaboração de manuais e demais material didático.

Resumidamente, se é certo que as demais línguas, além das seis que já têm grafia oficial, poderiam aguardar por melhor oportunidade, dada que uma empreitada de tal envergadura carece de investimentos vultuosos que não se esgotam na ocupação de pesquisadores para fixação da sua padronização, mas implicam também a formação de professores que vão lecionar as e nas línguas em causa, antecedida, sobretudo, de uma prévia formação de formadores de e em línguas nacionais.

As experiências neste domínio existem ao nível por exemplo das igrejas desde longa data (com realce para a protestante perseguida e acusada de desportugalização dos nativos no passado pelas autoridades coloniais, devido ao magistério exercido pelas missões nas línguas locais, a par da tradução da bíblia nas línguas maternas angolanas), bem como, mais recentemente, ao nível, por exemplo, do CEFOJOR, que ministra cursos em várias línguas nacionais, e o da Alliance Française que ministra cursos em kimbundu; lições que poderiam apreendidas e adaptadas, com a devida actualização metodológica e modernização pedagógica, em "tour horizon", sem desprimor pela experiências africanas e não só no domínio, pelos Ministérios da Educação e Cultura, bem como da Comunicação Social, para levar a bom porto uma tal política educacional, cultural e linguística, que coloque as nossas distintas línguas maternas angolanas na crista da onda do acesso ao saber científico e do desenvolvimento, vencendo-se, assim, decididamente a batalha conta o analfabetismo, cujas bases foram lançadas desde os primórdios da nossa independência e ensaiadas ainda no maquis debaixo das árvores e os alunos sentados nas pedras, ainda que este conhecimento rudimentar fosse transmitido entre os maquisards na língua do colonizador, que de dominante passou a dominada, na configuração mental de uma franja significativa dos antigos colonizados, que a têm como língua materna e mesmo segunda, compaginando o ambiente de diglossia no país, em que a língua neolatina convive com as de raiz bantu em Angola e, quiçá, nos distintos PALOP, com as especificidades que se conhecem, em virtude dos contextos locais, onde existem dois crioulos, como em Cabo-Verde e Guiné-Bissau, por exemplo) e demais línguas africanas.

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