Dalton Trevisan Prémio Camões 2012

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“O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei, adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que, cedo ou tarde, acaba acontecendo.”

Dalton Trevisan

Dalton Trevisan Prémio Camões 2012

Dalton Trevisan, considerado pela crítica como o maior contista brasileiro contemporâneo, recebeu o Premio Camões de 2012 pela importância no género do conto. A publicação do seu livro "O Vampiro da Curitiba" (1965) valeu-lhe o apelido de “Vampiro da Curitiba”, por causa do seu temperamento recluso.

Dalton Trevisan nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 14 de Junho de 1925. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Paraná. Exerceu a advocacia durante sete anos. Liderou em Curitiba o grupo literário que publicava a revista Joaquim, tornando-se porta-voz de vários escritores. Publicou na revista os seus primeiros livros de ficção "Sonata ao Luar" (1945) e "Sete Anos de Pastor" (1946).

Ao longo de muitos anos produziu textos sem publicá-los. A partir de 1954, publicava os seus contos em forma de folhetos, à moda da literatura de cordel, onde registrava o cotidiano notadamente situado na metrópole curitibana.

Publicou" Guia Histórico de Curitiba" e "Crónicas da Província de Curitiba".

A sua carreira teve início depois de merecer destaque no I Concurso Nacional de Contos do Paraná. Ganhou repercussão nacional a partir de 1959, com a publicação de "Novelas Nada Exemplares", que reuniu quase duas décadas de produção literária. Recebeu pela obra, o Premio Jabuti de Câmara Brasileira do Livro.

Dedicado exclusivamente ao conto, só teve um romance publicado "A Polaquinha" (1985). Em1996 foi galardoado como Prémio de Literatura Ministério da Cultura pelo conjunto de sua obra. Em2003 dividiu com Bernardo de Carvalho o Iº Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, como livro "Pico na Veia".

Publicou também "Morte na Praça" (1964), "Cemitério de Elefantes" (1964), "A guerra Conjugal" (1969), "Crimes da Paixão" (1978), "Ah, É" (1994), "O Maníaco do Olho Verde" (2008), "Violetas e Pavões" (2009), "Desgracida" (2010), "O Anão e a Nifesta" (2011), entre outras.

Dirce Resnizek Mendes Ferreira e Rosana Gonçalves, na sua recensão “Dalton Trevisan sob uma ótica realista/naturalista”, consideram que “Dalton Trevisan é um dos autores que melhor retratam a sociedade brasileira por meio da ironia e do sarcasmo, sempre demonstrando a falta de identidade e de coerência das atitudes humanas. Ele sabe como mascarar suas histórias pela simplicidade, nunca se referindo diretamente à sociedade, mas com as histórias sempre pertencendo a ela. (…)

Ele não descreve tempo nem espaço, prendendo-se apenas à ação. Numa primeira leitura, sua obra dá a impressão de estar desvinculada de toda e qualquer crítica social, porém, um estudo mais apurado demonstra justamente o contrário. Existe sim um vínculo com a história e com os problemas sociais, mas essa crítica só pode ser desvendada a partir de uma leitura mais crítica.

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