Dia Internacional da Memória do Tráfico de Escravos e da sua abolição

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A 23 de Agosto de cada ano, o mundo celebra o Dia Internacional da Memória do Tráfico de Escravos e da sua abolição.

O tráfico de escravos, praticado inicialmente por países europeus e logo a seguir pela América colonial, teve a cumplicidade dos chefes africanos e durou desde o século XV ao XIX. Era caracterizado pela captura, venda, transporte e exploração de mais de 15 milhões de pessoas e seus descendentes ao longo de quatro séculos (Curtin, 1969).

Para não esquecermos este trágico processo, a UNESCO criou em 1994 o Projeto "Rota do Escravo" e em 23 de Agosto de cada ano é prestada homenagem aos homens e mulheres que lutaram contra esta opressão.

O comércio de escravos resultou na acumulação de capital nas grandes potências europeias e dos Estados Unidos da América e na base económica que permitiu a industrialização da Europa e da América, enquanto a África ficou despojada da sua riqueza, população e sua força de trabalho jovem.

A acumulação primitiva do capital europeu e norte-americano é, portanto, amassado com o sangue dos negros africanos.

O tráfico negreiro foi também uma tragédia humana e um desastre cultural. Como parte da tragédia humana, famílias foram separadas e desunidas na África e negros escravizados na América, onde foram tratados como animais, sendo-lhes negada a possibilidade de formação de famílias estáveis, e despojados das suas antigas culturas e suas línguas nativas.

Os africanos escravizados foram proibidos de seguir as suas crenças e práticas religiosas e, consequentemente, foram doutrinados, embora superficialmente, na religião católica. Mas na viagem transatlântica dos navios negreiros, os africanos também viajaram com os seus deuses, especialmente o aquáticos (mães de água), como Kalunga, a deusa do mar e da morte da bacia do Congo Angola.

Desembarcaram com eles em solo americano. A reunião e confronto de culturas deram origem a religiões sincréticas nascidos em terras do Novo Mundo: voodoo em suas diferentes versões, Santeria, Candomblé, algumas formas de catolicismo popular americano e outras expressões religiosas híbridas.

Quando não foi possível a manutenção económica das colónias, ocorreu gradualmente, nos Estados Unidos, a abolição da escravatura, que nasceu disfarçada como "ato misericordioso e compassivo", mas na realidade foi principalmente devido a fortes razões económicas.

Hoje, a luta contra a escravidão continua principalmente contra dois dos efeitos da história da escravidão: o racismo e a discriminação. Também continua na luta pelo reconhecimento do pluralismo cultural na construção de novas identidades e a criação de uma ideia renovada de cidadania.

No Dia Internacional da Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição, o Dr. Simão Souindoula, historiador angolano, membro do Comité Científico Internacional da UNESCO - Projecto Rota do Escravo, apresentou uma palestra subordinada ao tema "¡KALUNGA EH ! LOS CONGOS DEVILLA MELLA­Património Intangível da Humanidade".

Na sede da companhia de Teatro Laa-Roi teve lugar a terceira sessão do projeto Afidika nzo yeto, bukisi beto, com a projeção do filme "AMISTAD", de Steven Spielberg. Costa de Cuba, 1839. Dezenas de escravizados negros libertam-se das correntes e assumem o comando do navio negreiro La Amistad.

Eles sonham retornar para a África, mas desconhecem navegação e vêem-se obrigados a confiar em dois tripulantes sobreviventes, que os enganam e fazem com que, após dois meses, sejam capturados por um navio americano, quando desordenadamente navegaram até à costa de Connecticut.

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