Em Cidade Velha, Cabo Verde: Escavação britânicas põem a descoberto a mais antiga igreja da África Subsaariana

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Escavações arqueológicas efectuadas em Novembro de 2014 por uma equipa técnica da britânica Universidade de Cambridge, liderada por Chistopher Evans (a pedido do Presidente de Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina) puseram a descoberto, em Cidade Velha, os restos da mais antiga igreja católica da África subsaariana – a igreja de Nossa Senhora da Conceição, nascida da antiga capela do Espírito Santo.

Escavação britânicas põem a descoberto a mais antiga igreja da África Subsaariana
Em cidade velha, Cabo Verde

Data dos fins do séc. XVI e foi construída pelos portugueses na que é hoje o único Património Mundial reconhecido pela UNESCO em Cabo Verde.
Eram conhecidos os vestígios desta relíquia, supondo-se que debaixo de terra se escondiam preciosidades. Os canhenhos históricos faziam-lhe referência mas geralmente era apontada a Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Homens Pretos como mais antigo templo católico existente nesta parte do continente africano, coberto de mitos que a rudeza dos documentos relega para as falácias sem qualquer fundamento – é o caso de te ter sido obra da Irmandade dos Homens Pretos, fazendo-se, com isso, tábua-rasa de que a Irmandade foi muito posterior à construção dessa Igreja, como o atesta documentação eclesiástica colectada em Portugal.
Túmulos, restos de azulejos e de faianças, além de objectos diversos, foram achados nestas escavações que serão continuadas no próximo ano, provavelmente junto dos baluartes filipinos da linha de defesa da Fortaleza Real de São Filipe. Iniciadas em 2006, já permitiram localizar os restos do almoxarifado de Ribeira Grande (do séc. XVII), que foi arrasado por uma devastadora investida de Francis Drake, e o antigo cais deste importante entreposto de escravos. Ambos situados actualmente em artérias com muito trânsito, só agora é possível criar condições para o desviar, permitindo que sejam colocados em visibilidade pública.
Com este espólio agora trazido à luz do dia, surgem condições para os estudiosos analisarem em pormenor os aspectos fundamentais da azulejaria portuguesa em África nos sécs. XV e XVI e começarem a precisar com maior rigor a história da antiga cidade de Ribeira Grande. Uma das interrogações a que será necessário dar resposta é a questão de se apurar se foi a capela do Espírito Santo (cujos restos foram postos a descoberto) que antecedeu a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição ou se esta capela é apenas uma dependência do que teria sido o primeiro templo subsaariano.
Devido ao árduo trabalho de investigadores, é a antiquíssima cidade que ressurge dos escombros e da qual já estão a descoberto alguns monumentos, designadamente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (séc. XVI), o Pelourinho (séc. XVII), o Convento de S. Francisco, os restos da Igreja da Misericórdia (ambos também do séc. XVII, tal como a Fortaleza Real de São Filipe) e a Sé Catedral (do séc. XVIII).
Existiram projectos do arquitecto Siza Vieira para recuperar este majestoso templo, cuja visibilidade desde o oceano era assinalável. Todavia, a crise económica fez abdicar desses intentos, o mesmo acontecendo dos desejos de preservar os vestígios do antigo Paço Episcopal que criminoso e imperdoável vandalismo de um ambicioso, sem escrúpulos de qualquer espécie, lançou ao mar para construir uma discoteca clandestina: há actos que nem uma pesada pena de cadeia consegue reparar.
A antiga Ribeira Grande (actual Cidade Velha, Património da Humanidade e Capital Cabo-verdiana da Cultura 2015 - onde se cruzaram os mais prestigiados navegadores e conquistadores da gesta dos sécs. XVI e XVII (como Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio, Sebastian de El Cano, Francis Drake) – reganha renascido esplendor, graças ao empenho de uns quantos.

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