Enfrentando tempos de crise Mindelact (S. Vicente) teima em fazer obra

Envie este artigo por email

O regresso a Portugal do dr. João Laurentino Neves, diretor do Centro Cultural Português, lançou um manto de incertezas quanto ao futuro do Mindelact, teatro do Mindelo, ilha de S. Vicente.

Criado pelo ator português, a coberto da sombra protetora do CCP, pairam agora justificadas incertezas quanto ao seu futuro, tanto mais que, na atual situação de grave crise económica, é sabido que as prioridades lusitanas não se afirmam na área cultural.

Apesar de tais dúvidas e com as cautelosas reticências devidas, João Branco cedeu a prestar declarações a "Cultura", até porque os ecos do Mindelact já se repercutem hoje em dia no espaço lusófono.

P. - É incerto o futuro do Centro Cultural Português, que foi importante no apoio ao Mindelact., dada a nova política do Governo português e o regresso a Portugal do antigo seu diretor, Dr. João Laurentino Neves. Em que medida as incertezas que imperam agora sobre o CCP se repercutem no seu grupo teatral?
João Branco - Sinceramente, para mim é uma novidade que o futuro do CCP seja incerto. Daí que tenha dificuldades em responder a essa pergunta.

P. - Mindelo, sobretudo por via do Mindelact, tornou-se na verdadeira capital dramática de Cabo Verde. Pode essa situação ser colocada em risco por esta situação?
JB - O desenvolvimento teatral no Mindelo deu-se por duas vias: pelos cursos de formação do CCP e pelas atividades desenvolvidas pelo Mindelact. Isso criou uma dinâmica muito interessante, até com outros projetos teatrais a surgirem independentemente destes dois eixos. Quanto a ser colocada em risco, como eu disse, não conheço esse risco, mas posso afirmar, com segurança, que a dinâmica teatral da cidade é imparável, venha quem vier, aconteça o que acontecer. O teatro está tão presente que essa questão nem se coloca.

P. - É possível encontrar alternativas para o apoio do CCP? Quais?
JB - O apoio direto do CCP às atividades do Mindelact nem é assim tão substancial. A importância do CCP está relacionada com a dinâmica que ajudou e ajuda a criar.

P. - Existem projetos a curto e a médio prazos?
JB - Com certeza. O Ministério da Cultura terá um envolvimento maior na nossa maior atividade, que é o Festival Internacional de Teatro do Mindelo, e continuamos procurando parceiros (e terreno) para uma sala e sede próprias.

P - Como é que a dinâmica impressa ao teatro em S. Vicente se reflete no continente africano, sobretudo no seu espaço lusófono?
JB - Acredito que o que tem acontecido em S. Vicente, pela sua repercussão, acaba por ser um fator motivacional para outros agentes teatrais, nomeadamente do espaço lusófono. Este ano, os dois festivais de teatro lusófono que existiam no Brasil foram ambos cancelados por falta de verba. E a verdade é que o festival Mindelact vai se realizar. Com crise ou sem crise.


Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos