Ex-ministra da Justiça de França Christiane Taubira acaba de ler "Nzinga de Angola - Rainha Guerreira Africana"

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A mais recente biografia de Nzinga Mbande, da professora de história e estudos afro-americanos da Universidade de Boston, Estados Unidos da América.

A mais recente biografia de Nzinga Mbande, da professora de história e estudos afro-americanos da Universidade de Boston, Estados Unidos da América, Linda Heywood, acaba de ter a sua tradução francesa. A obra foi lançada originalmente em inglês em 2017, e, depois da tradução portuguesa, a versão francesa, que está a ter boas apreciações, mereceu a crítica da ex-ministra da Justiça de França, Christiane Taubira.
Economista de 66 anos, Christiane Taubira escreveu, na edição de 23 a 29 de Agosto da revista francesa Le Nouvel Observateur (L´OBS), que "a Rainha Nzinga cruzou o limiar da eternidade" e que "corre os oceanos, continentes, o tempo". Taubira diz ainda que "é tão controversa nos escritos de testemunhas históricas quanto é adulada em narrativas de transmissão oral".
Ministra da Justiça no governo do socialista François Hollande, Christiane Taubira foi, enquanto deputada, a força matriz por trás de uma lei de 21 de Maio de 2001, que reconhece o tráfico atlântico de escravos e a escravidão como um crime contra a humanidade. A antiga governante descreve vários episódios que revelam a bravura da guerreia, mas não deixa de sublinhar que "a rainha Nzinga não é uma santa. É uma mulher de poder, de ruptura, de astúcia e de abusos. (...) A rainha Nzinga tornou-se familiar para mim devido às lendas que, das nossas Américas, revezam méritos e glórias; devido aos curtos ensaios, a obras literárias e artísticas, com destaque para o poema de Agostinho Neto, 'O içar da bandeira'", escreve Christiane Taubira. "(...) Mesmo se o tom é o de uma narração, o que torna a leitura bem agradável, trata-se de um trabalho de história rigoroso, efectuado a uma boa distância crítica".
A biografia de Linda Heywood, que oferece o primeiro estudo completo em inglês da longa vida e influência política da Rainha Nzinga, revelando como a chamada "Cleópatra da África Central" navegou habilmente - e finalmente transcendeu - as impiedosas lutas de poder dominadas por homens do seu tempo, mereceu igualmente uma extensa crítica da jornalista francesa Amelie Quentel na revista cultural "Les Inrockuptibles" (Les Inrocks), sob o título "Por que devemos resgatar Nzinga, Rainha guerreira de Angola e figura da luta contra o colonialismo".
A autora, que diz tratar-se de "uma interessante biografia", reforça a ideia de que se trata de uma oportunidade de "fazer justiça a esta pessoa extraordinária, que tem o seu lugar na história do mundo", numa altura em que "o seu papel é muitas vezes desconhecido ou mesmo apresentado pejorativamente na Europa, enquanto que para os angolanos mas também para os descendentes de escravos africanos, ela é frequentemente considerada uma heroína".
Sobrevivendo a várias tentativas de morte, Nzinga conquistou o Estado vizinho da Matamba e governou como rainha de Ndongo-Matamba. No auge do seu reinado, na década de 1640, Nzinga governava quase um quarto do norte de Angola nos dias de hoje. Perto do fim da sua vida, cansada da guerra, fez as pazes com Portugal e converteu-se ao cristianismo, embora a sua devoção à nova fé fosse questionada. "É com uma miríade de detalhes e uma preocupação constante com a contextualização que Linda M. Heywood nos dá para ver essa «mulher livre, rainha corajosa e orgulhosa que defendeu ardentemente sua posição e sua africanidade»", escreve Amelie Quentel.
Durante nove anos, a professora de história da Universidade de Boston recolheu toda a informação que encontrou em Nzinga, ardente defensora do seu reino contra o invasor português e símbolo da "resistência ao colonialismo".

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