Francisco Costa Alegre: "Não somos putos, mas sim uma mestiçagem muito complicada"

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Socialmente vestido de conselheiro da embaixada de São Tomé e Príncipe em Angola, Francisco Fonseca Costa Alegre é um escritor que passaria despercebido numa esquina qualquer das nossas ruas sem que muitos (falando aqui das consequências da carência de intercambio entre escritores dos PALOP) dessem conta do vulto literário santomense que passa ao lado.

Fotografia: Francisco Costa Alegre

Sorte a nossa que, ainda numa daquelas sempre preguiçosas e frias manhãs de cacimbo, tivemos a audácia inexplicável até agora de nos esbarrarmos com ele e habilmente, depois de um gradual golpe de vista, termos marcado uma conversa quente.

Nascido no dia 2 de Fevereiro na cidade de São Tomé, São Tomé e Príncipe, fez os estudos secundários em sua cidade natal e estudos superiores de Francês em Besançon, França, e de Comunicação Social em Nova Iorque, Estados Unidos da América.

Poeta, crítico e ensaísta, vem colaborando regularmente em jornais e revistas santomenses e estrangeiras. Da sua produção soam títulos como: "Madala", poesia (1991), "Cinzas do Madala", poesia (1992), "Mussandá", prosa (1994), "Muteté", prosa (1998), "Brasas de Mutété", Prosa, Estudo da Literatura Santomense (1998), "Mussungú, poesia (2002), "Crónicas de Magodinho", prosa (2003), "Kissanga-Kiando", Crítica Literária (2004) Santomensidade, prosa (2006),"Latitude 63", prosa (2008).

MAYOMBE (Ao Pepetela)

Mayombe é terra de zumbidos
Ali aprende-se a teoria,
Às vezes ergue-se, às vezes se sucumbe
No pólipo da sabedoria;
Aprende-se a ser narrador
Faz-se um animismo realista
Só e só do Mayombe real e animador
Renovador chamado universalista;
Mayombe será sempre Mayombe
Diferente e sempre Mayombe
Transformar e ser sempre Mayombe
No pólipo da sabedoria;
Tocar-se-ão batucadas da Mucanda,
E a cabindando a vida do povo anda
Andará crioula e genuína no Mayombe
No Polípo da sabedoria;
Corta-se uma árvore.
Corta-se o crescer duma sabedoria,
Nascerão outras centenas de árvores
E o saber multiplicar-se-á na geração que cria
O pólipo da sabedoria;
Luandando a gente se preocupa
Preocupa-se com Mayombe
Ser-se só Mayombe ou também luandando
No realismo realista de toda árvore
No pólipo da sabedoria.

Francisco Costa Alegre in Mussungú

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