Germano Almeida Prémio Camões 2018

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UCCLA e observador.pt)
O conceituado autor d’O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1991), Germano Almeida, venceu o Prémio Camões, o principal do espaço da literatura em língua portuguesa. Cabo Verde, a ilha da Boavista, onde Germano Almeida nasceu em 1945, e a ilha de São Vicente e em especial a cidade do Mindelo, onde o escritor reside, estão de parabéns. O prémio Camões regressa ao arquipélago de Cabo Verde, em 2018, onde já premiara o poeta Arménio Vieira, em 2009.

O júri decidiu que o vencedor deste ano do prémio literário UCCLA – Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesaé o livro de poesia, em língua portuguesa, intitulado Equilíbrio Distante, de Óscar (Ruben Lopez) Maldonado, paraguaio, 48 anos, residente no Brasil.
A 3ª edição contou com 805 candidaturas, consolidando-o como o maior concurso de revelação literária de todo o espaço da Língua Portuguesa, pois só pode concorrer quem nunca editou uma obra literária.
Concorreram cidadãos de outros países, como a Alemanha, o Paraguai e a Espanha, igualmente fluentes em língua portuguesa. Nos dois concursos anteriores, já o prémio havia abrangido outras nacionalidades como a espanhola, holandesa, inglesa, italiana, argentina e norte-americana, com textos em português.  Nesta edição, quanto ao género, 31% (247) das candidaturas eram de mulheres. Quanto às nacionalidades: 75% (616) brasileiros, 15% (124) portugueses, e os restantes 10% são escritores dos restantes países de língua portuguesa e de outras nacionalidades acima referidas. Quanto à idade, a juventude dominou as candidaturas: 35% dos 16 aos 30 anos, 41% dos 31 aos 50 anos, 21% dos 51 aos 79 anos e 13% dos 81 aos 100 anos.
O júri desta 3ª edição foi composto por escritores de 5 nacionalidades lusófonas, professores universitários, membros de Academias de Letras e pelos seguintes 9 membros: António Carlos Secchin, Brasil; Germano Almeida, Cabo Verde; Inocência Mata, São Tomé e Príncipe; Isabel Pires de Lima, Portugal; José Luís Mendonça, Angola; José Pires Laranjeira, Portugal; Marta de Senna, pela Biblioteca Federal da Fundação Casa de Rui Barbosa, Brasil. Pela editora a Bela e o Monstro e o Movimento 2014 - João Pinto Sousa; pela UCCLA - Rui Lourido. Foi consultor do Júri, o poeta e Prof. António Carlos Cortez que fez o trabalho de coordenação da equipa de críticos literários para a pré-selecção das obras apresentadas ao júri.

     Equilíbrio Distante
A obra vencedora de Oscar (Ruben Lopez) Maldonado, “com ecos bíblicos, é um livro que não deixa de chamar para o nosso presente desvitalizado o poder que a palavra de poesia – religatio, religatione, religiosa em certa senda romântica – pode assumir.
A escrita é, a par da demanda de uma paz interior por parte de um sujeito que procura adivinhar os nomes enigmáticos de um deus criador, o tema-chave destes textos.
“O poeta sonhou um sonho transparente», diz-se. Mas, ao discurso de superfície, mais evidentemente espiritualizante, dando a ver as oposições clássicas entre alma e sentidos, entre o alto e o baixo, o terreno e o divino, vibra uma veemência imperativa («vamos derreter nossos metais/ construiremos barcos para os homens/ quem sabe espadas e canhões”) que compensa, aqui e ali, um certo niilismo, ou melhor, a impressão de que um cataclismo se aproxima. Por isso, o Óscar Maldonado pode dizer: “Teremos de desenterrar/ A nossa esperança”. Assim o classificou o consultor António Carlos Cortez.
A UCCLA felicitou o escritor Germano Almeida, por vencer o Prémio Camões de 2018 e congratula-se pelo facto de ter a sua assídua colaboração em várias iniciativas. É membro permanente do júri do Prémio Literário UCCLA - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, que vai na sua 3.ª edição.
 Germano Almeida – autor que “representa uma nova etapa na história literária de Cabo Verde”, de acordo com o Ministério da Cultura português – nasceu em 1945, na ilha da Boavista, em Cabo Verde. Advogado de profissão, licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa e estreou-se como contista no início da década de 1980, na revista cabo-verdiana Ponto & Vírgula, que ajudou a fundar. Publicou o primeiro livro, O Dia das Calças Roladas, em 1982, ao qual se seguiu O Meu Poeta, sete anos depois.
De entre a sua já extensa bibliografia (editada em Portugal pela Caminho), profundamente marcada pelo humor e pela sátira, destacam-se obras como O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1991), cujos direitos foram comprados por vários países, como Itália, França, Alemanha, Suécia ou Dinamarca. O livro até inspirou um filme, premiado no Brasil e no Paraguai. Mais recentemente, Germando Almeida publicou A Morte do Ouvidor (2010), De Monte Cara vê-se o Mundo (2014) e O Fiel Defunto, o seu último livro, que será publicado em breve em Portugal.
Contactado pela Agência Lusa, Germano Almeida admitiu estar “surpreendido” mas “muito feliz” por ter recebido o galardão maior da língua portuguesa. “Estou contente, muito feliz por saber que o que escrevo é apreciado ao ponto de me darem um prémio tão prestigiado como o Camões”, disse o escritor, que vive na localidade cabo-verdiana do Mindelo, por telefone à agência de notícias. Considerando que “existem muitos escritores que merecem o prémio tanto ou mais” do que ele, o autor disse ainda que o Prémio Camões é “o reconhecimento do esforço e do trabalho” que tem vindo desenvolvendo há vários anos.
O vencedor do Prémio Camões acaba de editar um novo livro, "O Fiel Defunto". Em entrevista à Lusa, falou da literatura, "que deve ser uma forma lúdica", e dos autores que se torturam para escrever.
Uma semana depois de vencer o Prémio Camões, o mais importante galardão da literatura em língua portuguesa, o cabo-verdiano Germano Almeida acaba de lançar o seu 17.º livro, uma “coincidência” que considera “interessante” que poderá ajudar a criar mais interesse no seu trabalho.
O autor explicou à Agência Lusa que O Fiel Defunto (com chancela da Caminho, responsável pela publicação das obras do cabo-verdiano em Portugal) já estava para ser apresentado antes do dia 20 de Maio só que se atrasou por causa do desembargo, nas Alfândegas de Cabo Verde. Já que o lançamento vai acontecer agora, Germano Almeida disse esperar que o Prémio Camões possa ajudar a aumentar as vendas e fazer as pessoas falarem mais do autor e dos seus livros.
“É natural que, após vencer o Prémio Camões, suscite mais interesse das pessoas, levando-as a comprar mais livros”, disse, em entrevista à Lusa, via telefone, a partir de São Vicente, afirmando, porém, que em Cabo Verde o aumento não deverá ser “muito significativo”. “Costumo vender à volta de cem livros nos lançamentos em São Vicente, mas espero que o Prémio Camões potencie as vendas”, prosseguiu, adiantando que poderão ser maiores na cidade da Praia, onde o lançamento deverá ser só em Julho. O livro, contudo, está à venda a partir desta terça-feira.
Assumidamente um “contador de histórias”, Germano Almeida considera O Fiel Defunto – que diz ser uma “paródia” em que “brinca” com a literatura –  o seu “primeiro romance”, embora títulos como O Testamento do Senhor Nepomuceno e Os Dois Irmãos tenham sido classificados como tal em diferentes edições.
Sempre [me] defini como um contador de histórias, mas, pela riqueza do pormenor que o livro tem, é capaz de ser um romance e não apenas ‘contar história'”, notou.
O Fiel Defundo passa-se em São Vicente. É “uma história um bocadinho maluca, de um fulano que dizia que era um escritor compulsivo e que deixou de escrever durante alguns anos, e toda a gente protestava. Quando recomeçou a escrever anunciou que ia publicar um romance. Todo o mundo fica contente. E no dia do lançamento do livro, ele é morto por um amigo, com dois tiros”, explicou o autor à Lusa. Quando se descobre o motivo da sua morte, o funeral transforma-se “num Carnaval”, com a multidão que enchia o auditório, onde o livro estava a ser apresentado.




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