Jean-Joseph Rabearivelo (1901 - 1937): Arte longa, vida breve

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Madagascar, na época do nascimento de Jean-Joseph Rabearivelo, nome artístico posteriormente adotado, é uma colônia francesa e as classes dominantes, arruinadas, subsistem em convivência com os poderes estrangeiros, que já dominavam, durante todo o século anterior, os valores tradicionais da ilha, a grande Ilha Vermelha.

Fotografia: Jean-Joseph Rabearivelo (1901 - 1937)
DOIS POEMAS DE JEAN-JOSEPH RABEARIVELO

EM TRADUÇÃO DE ANTÔNIO MOURA

O boi branco

Esta constelação em forma de cruz,
é ela o Cruzeiro do Sul?
Eu prefiro chamá-la Boi-branco,
como os Árabes.
Ele vem de um parque que se estende
às margens da noite
e se enfurna entre duas Vias Lácteas.
O rio de luz não tem aplacado sua sede,
e ei-lo que bebe avidamente do golfo
das nebulosas.
Sendo um efebo cego nas regiões do dia,
ele nada tem podido acariciar com seus
cornos;
mas, agora que as flores nascem
nas pradarias da noite
e que a lua brota de um salto como
um touro,
seus olhos recobram a visão, e ele
parece mais forte que os bois azuis
e os bois selvagens que dormem
em nossos desertos.

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Não faças ruído, não fales:
vão explorar uma floresta os olhos,
o coração
o espírito, os sonhos...
Floresta secreta, porém palpável:
floresta.
Floresta de rumoroso silêncio,
floresta onde se refugiou o pássaro
que se prende à laço,
o pássaro que se prende à laço,
que faremos cantar
ou que faremos chorar.
Que faremos cantar, que faremos chorar
o lugar de seu nascimento.
Floresta. Pássaro.
Floresta secreta, pássaro oculto
em vossas mãos.



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