Legado de uma geração Morreu Stan Lee, o criador de heróis

Envie este artigo por email

A banda desenhada mundial ficou mais pobre. Morreu Stan Lee, o criador de heróis. A América do Norte já chorou a sua morte, ocorrida no dia 12 de Novembro. Agora resta ao mundo mostrar a falta que um dos ícones da cultura pop vai deixar, assim como já o fizeram antes nomes como Walt Disney, Hergé, com “Tintim”, ou Albert Uderzo, em “Asterix”.

A banda desenhada mundial ficou mais pobre. Morreu Stan Lee, o criador de heróis. A América do Norte já chorou a sua morte, ocorrida no dia 12 de Novembro. Agora resta ao mundo mostrar a falta que um dos ícones da cultura pop vai deixar, assim como já o fizeram antes nomes como Walt Disney, Hergé, com “Tintim”, ou Albert Uderzo, em “Asterix”.
Mas quem vai deixar mais saudades é o criador de universos: Stan Lee. Dos seus escritos nasceram heróis que marcaram e ainda o fazem toda uma geração. É um legado que com certeza prevalecerá por anos. Mesmo com o “boom” de novos estilos como os mangás japoneses no mercado da banda desenhada mundial, o “universo” de Stan Lee prevaleceu e vincou, em parte graças as novas tecnologias e a chegada (em grande) dos heróis no cinema.
A pergunta que fica é: o que o difere dos outros argumentistas e desenhadores da sua época que também criaram heróis? A resposta (em especial aos aficionados pela banda desenhada) é humanismo. Stan Lee deu aos seus leitores heróis humanos, com problemas comuns, como qualquer um de nós. Quando personagens como “Homem-Aranha” surgiu o público teve de se acostumar a um super-herói franzino (sem os habituais músculos) e cheio de problemas, que vivia dividido entre a escola e a vida de herói. Era como qualquer um de nós.
Esta humanização ajudou a ver as personagens da Marvel, estúdio em que trabalhou e ajudou a tornar-se numa marca de referência mundial no “universo” da banda desenhada, como pessoas próximas a nós. O público e a crítica na altura reagiram favoravelmente e tornaram estes heróis uma parte da cultura pop que até hoje prevalece.
Esta aceitação, que agora tem uma legião de fãs graças a projecção que ganhou nos cinemas, também se tornou numa forma de passar uma mensagem positiva aos seus leitores, criando a possibilidade de ensinar valores aos jovens. Através das suas personagens as suas mensagens ganharam vida e se tornaram referências. Uma das frases de Stan Lee que se tornou num adágio popular é usada pela personagem “Homem-Aranha” e hoje por quase todos: “Com grande poder vem grande responsabilidade”.
Como leitor essa frase sempre teve muita importância, embora não saiba se na altura para o seu criador teve tal impacto, afinal, como contou uma vez em entrevista, “Eu nunca pensei que o Homem-Aranha fosse se tornar o ícone mundial que ele é. Eu só esperava que os livros vendessem para eu manter o emprego”. Chega até a ser hilário. Mas assim era o criador de heróis, que depois de muito a viver por trás das suas personagens, começou a fazer pequenas participações nos filmes da Marvel.
“Eu costumava ficar envergonhado porque era apenas um escritor de histórias em banda desenhada, enquanto outras pessoas estavam a construir pontes ou ir para carreiras médicas. E então comecei a perceber: o entretenimento é uma das coisas mais importantes na vida das pessoas. Sem isso, eles não conseguem sair do fundo do poço. Acho que, se você é capaz de entreter as pessoas, você está a fazer uma coisa boa”, disse em 2010, numa entrevista ao “The Washington Post”.
Neste seu estilo característico, Stan Lee deu muitas alegrias aos seus leitores. Embora as suas personagens fossem muito humanas e cheias de problemas, mesmo sendo heróis, ele mostrou a todos que é possível superar as adversidades da vida e, às vezes, com uma boa dose de humor.
“É um tremendo desafio, porque muitos personagens têm sido criados ao longo dos anos. Toda vez que você pensa que consegue um ótimo nome, descobre que alguém já fez isso. Sonhar com histórias não é tão difícil. Criar um bom título é a parte mais difícil”, confessou uma vez em 2012 numa entrevista a revista “Esquire”.
Agora, com a sua morte, aos 95 anos de idade, a Marvel perde um dos seus quadros de destaque e o mundo perde um “entertainer da vida”. “Meu pai amou todos seus fãs. Ele era o melhor homem e o mais decente”, comentou a filha do editor, Joan Celia Lee, na segunda-feira, dia 12, em Los Angeles, Califórnia, acrescentando que ele sofria de pneumonia e tinha problemas nos olhos.

CARREIRA
Stanley Martin Lieber nasceu em 1922, em Nova York, nos Estados Unidos. Começou a trabalhar em banda desenhada (BD) com o pseudónimo de Stan Lee em 1939, contratado por John Goodman, fundador da Timely Publications e primo da sua mulher, Joan.
Ele se tornou um dos nomes mais importantes da BD norte-americana ao criar super-heróis como Homem-Aranha, Thor, Hulk, X-Men, Pantera Negra, Homem de Ferro, Doutor Estranho e Demolidor.
Argumentista e editor da Marvel, foi um dos responsáveis por transformar a empresa na maior editora de BD do mundo a partir de 1961. Após a mudança do nome da editora, primeiro para Atlas Comics, e depois para Marvel Comics, Stan Lee revolucionou o mercado ao modernizar o género de heróis com criações para um público mais velho, como o lançamento de “Quarteto Fantástico”.
Com dramas familiares e heroísmos que utilizavam elementos da ficção científica, as histórias ajudaram na fama de personagens mais complexos e realistas da Marvel em relação à sua principal concorrente, a DC.
O mesmo aconteceu com o Homem-Aranha em 1962, um jovem adolescente que dividia suas aventuras com problemas no colégio e contas a pagar, e se tornou num dos heróis mais populares da BD. Em parceria com artistas como Jack Kirby e Steve Ditko, Stan Lee ainda criou outros personagens icônicos, como Hulk, Thor, Homem de Ferro e Demolidor. Em 1963, com a cabeça no movimento por direitos civis de negros no Estados Unidos, lançou os X-Men, uma equipe de mutantes que eram marginalizados e hostilizados pelos humanos.
Além disso, ele desafiou a organização de censura da indústria de BD norte-americana, o Comics Code Authority, indirectamente levando-a a actualizar suas políticas. Em 1994, Stan Lee foi introduzido no Will Eisner Award Hall of Fame, um ano depois no Jack Kirby Hall of Fame e foi distinguido com a National Medal of Arts, em 2008.

DA BD AO CINEMA
Em 1981, Stan Lee transformou os seus heróis em desenhos animados exibidos por emissoras de TV. Quando a Marvel Comics e a Marvel Productions foram adquiridas pela New World Entertainment em 1986, os horizontes do criador foram se expandido ainda mais. Stan Lee teve a oportunidade de se envolver mais profundamente na criação e desenvolvimento de filmes e series de TV. Ele constantemente fazia aparições nas produções do estúdio.
Nos últimos anos, tornou-se um ícone e a cara pública da Marvel Comics. Fez aparições em convenções de histórias em BD pelos EUA, palestrando e participando em discussões. Mudou-se para a Califórnia em 1981 para desenvolver as propriedades de televisão e filmes da Marvel.
Durante a revolução da Internet, criou o StanLee.net, que pertencia a uma companhia separada e administrada por outros que tinha como conceito misturar animação online com tiras de BD tradicionais, mas a companhia ficou conhecida pela sua má administração e irresponsabilidade financeira.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos