Li Hongming: a Arte faz parte da minha vida

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O renomado pintor Li Hongming ganhou três primeiros prémios na aldeia de pintura a óleo de Dafen. Foi o primeiro pintor de Dafen a tornar-se membro da Associação de Artistas Chineses.

Foi o primeiro cujo trabalho passou a fazer parte da colecção do Centro Nacional de Congressos. Li Hongming foi também o primeiro a assinar um contrato com uma empresa de cariz cultural.

Li Hongming é um famoso pintor com uma força equilibrada. Encomendam-lhe muitos trabalhos, uma e outra vez. Mas Li Hongming dedicou-se inteiramente à pintura. "Detesto tudo o que é entretenimento ou entrevistas," diz Li. "Gosto mais de ficar sozinho em casa a pintar do que de sair."

Criado numa família mineira na província de Jilin em 1955, Li Hongming desde muito cedo demonstrou interesse pelas belas-artes, não deixando de estudar nem mesmo quando trabalhava nas minas, na adolescência.

Naquele tempo a mina de carvão Seven Star laborava com três turnos. Quando descia para a mina Li levava sempre um livro no bolso para poder ler durante a pausa. Quando saía da mina às oito da manhã ia a correr apanhar o comboio para o centro da cidade para aprender a desenhar. A fome, o frio e o cansaço eram tão intensos que adormecia sempre durante o trajecto.

Mas o sonho de aprender desenho fazia-o esquecer todas as adversidades, durante as quatro horas que durava a viagem de ida e volta. Desenhava como um danado mas um dia ouviu dizer: "Li Hongming só será pintor quando as galinhas tiverem dentes."

Porque, na opinião geral, era impossível um mineiro vir a ser pintor.

Mas mais tarde viu os frutos do seu trabalho. Em 1979 foi admitido no departamento de belas-artes da Universidade de Ha'erbin, capital da província de Heilongjiang."Foram dias inesquecíveis", recorda Li. A fim de poder comprar material de pintura, tinha de carregar tijolos num estaleiro de obras nos fins-de-semana.

Na Universidade, vivia de forma austera. As refeições eram simples, sem carne. Para poupar dinheiro, a sua alimentação diária resumia-se a pãezinhos com molho picante.

Em 1991 foi admitido no Departamento de pintura tradicional chinesa da Academia Central de Belas-Artes da China, onde foi aluno do responsável pelo Departamento, o excepcional pintor Zhang Lichen.

Após quatro anos de estudos em Pequim, Li Hongming passou a leccionar no Colégio Normal de Baoding, na província de Heibei.

Pouco tempo depois regressou à sua casa no nordeste onde pinta há quase duas décadas.

"O desenho deve ser aprendido passo a passo, as artes começam pela base." Afirma Li. "Um pintor deve ser capaz de suportar a pobreza e a solidão, de outro modo nunca será verdadeiramente pintor. É errado ansiar por sucesso rápido e benesses instantâneas."
 No nordeste da China, Li vivia imerso na sua pintura em casa, ignorando tudo o resto.

A família sobrevivia apenas com o magro salário da esposa. Nos tempos mais difíceis, a esposa de Li chegou a andar pelos mercados a recolher as sobras de hortaliças.

No Verão, o calor era tão intenso que Li, que trabalhava sem ventoinhas eléctricas, suava abundantemente. No Inverno nevava e a temperatura lá fora rondava os 20 graus negativos. Um dia o radiador explodiu derramando a água quente pelo chão, mas Li estava tão absorvido pela pintura que nem deu por nada.

Em 2006 Li veio finalmente para Dafen e assinou um contrato por cinco anos com uma empresa cultural que lhe comprou 270 obras de uma só vez. "Dafen deveria importar mais empresas de excelência," diz Li. "Desse modo mais pintores fariam contratos. E assim já não teriam de se preocupar com a sua subsistência e poderiam dedicar-se inteiramente ao desenho."

Sem sofrimento não há ganho, concluiu Li. Muitos dos quadros de Li foram seleccionados para exposições nacionais e ganharam prémios. Li é membro da Associação dos Artistas Chineses e membro da Academia Chinesa de Gongbi , pintando flores e pássaros.

Em 2010 o seu trabalho intitulado "Maré Primaveril" foi adquirido pelo Centro Popular de Congressos.
As suas obras chamam a atenção. Li combina na sua técnica os dois principais géneros da pintura tradicional chinesa, Xieyi e Gongbi.Alguns dos quadros são trabalhados e refinados, outros ousados e generosos, ou uma associação de ambas as características.

A sua obra intitulada "O Rio Dividiuse em 1979" é grandiosa e magnífica. Li serve-se do pincel para retratar o cenário da China depois das reformas e da política de abertura em 1979. Cerca de dois terços da tela são montanhas, no sopé das quais se vêem várias fileiras de árvores. Mais abaixo vê-se um rio com a neve a derreter. Vêem-se pessoas a avançar com firmeza. Toda a cena é produto da imaginação de Li.

O quadro é como uma bela sinfonia expressando a esperança das pessoas numa vida melhor.

"Cada uma das minhas pinceladas se assemelha uma faca que deixa a sua marca." Explica Li.

"A arte faz parte da minha vida", afirma o artista, "estou muito grato ao Professor Zhang, que é um grande crítico do meu trabalho. Aprendi muito com ele. Espero ainda vir a criar uma obra de arte como a Mona Lisa."

Eis algumas das obras mais representativas de Li Hongming:

Em Dezembro de 1999 o quadro "Sob a Lua" foi seleccionado para a exposição
de pintura e fotografia que assinalou a devolução de Macau à China, ganhando um
prémio de excelência.

Em Março de 2000 o quadro "Pausa na Chuva" foi seleccionado para a exposição
de pintura chinesa “Century China Flavor ”.

Em Dezembro de 2000 "Maré Primaveril" foi seleccionado para a exposição nacional
de pintura e caligrafia "Troféu Yaheng".

Em Dezembro de 2000 "Encanto Primaveril" foi seleccionado para a exposição nacional
de pintura e fotografia chinesas que assinalou o novo século, ganhando a medalha
de bronze.

Em Novembro de 2001 "Maré Primaveril" foi seleccionado para a mostra de pintura
chinesa do século XXI na Austrália, ganhando o prémio de excelência.

Em Maio de 2002 "O Luar brilha mais no lar" foi seleccionado para a exposição
nacional de pintura chinesa Preparação para os Jogos Olímpicos.

Em Setembro de 2002 "Final do Outono no Norte" foi seleccionado para a exposição
nacional de pintura chinesa, ganhando a medalha de bronze.

Em Setembro de 2003 "Geada de Outono" foi seleccionado para a exposição nacional
de pintura contemporânea de flores e pássaros, ganhando o prémio de excelência.

Em Maio de 2004 "Encanto Outonal no Norte" foi seleccionado para a exposição
nacional de pintura chinesa, ganhando a medalha de bronze.

Em Agosto de 2004 "Outono no Norte" foi seleccionado para a primeira exposição
de pintura dos membros da Associação de Artistas Chineses, ganhando a medalha
de prata.

Em Novembro de 2005 "Pausa na Chuva" foi seleccionado para a segunda exposição
de pintura dos membros da Associação de Artistas Chineses.

Em Dezembro de 2005 "Outono" foi seleccionado para a exposição nacional de
pintura chinesa.

Em Junho de 2006 "Outono no Norte" foi seleccionado para a exposição de artistas
chineses, ganhando o prémio de excelência.

Em Dezembro de 2006 "Passeio na Neve" foi seleccionado para a terceira exposição
de pintura dos membros da Associação de Arttistas Chineses.

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