"Literatas" Um veículo eletrónico de estimação

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Dizer, fazer e sentir literatura é o combustível que há um ano tem feito circular o mais recente veículo de alta estimação dos escritores e amantes da escrita, entre os falantes da língua portuguesa e não só.

"Literatas" Um veículo electrónico de estimação

A revista LITERATAS é, indiscutível e indubitavelmente, um dos mais importantes meios de aprofundamento e revitalização das relações literoculturais entre a comunidade dos países falantes da língua portuguesa.

Através dela podemos ler e conhecer autores, jovens e menos jovens, mais velhos e menos velhos, dos mais distintos cantos do mundo lusófono, principalmente.

Entrevistas com escritores poesia de qualidade, para além de profundas reflexões críticas em torno dos nossos processos literários e obras, publicadas aqui, ali ou acolá. Anúncios de concursos e doutras realizações de carácter artístico- literário também podemos lá encontrar. Mas o mais interessante nela é a visão democrática dos editores.

Na LITERATAS fala-se e escreve-se sobre tudo e sobre todos. Da senhoríssima Noémia, do madala Craveirinha e do atrevido Okapi. Do imortal A. Neto ao promissor Capelenguela.

Do senhor Jorge (por todos...) Amado ao filosófico Marcelo Soriano. Do histórico Vasco Cabral ao Carlos Edmilson dos "Contos de N'Nori". De Francisco Tenrreiro e da Dona (de árida poesia) São de Deus Lima. Do herói Xanana e do profundo poeta Jorge Lauten.

Nas suas páginas já li sobre Baltazar Lopes e sobre o multifacético Dany Spínola. Sobre o Luís Vaz que a língua portuguesa imortalizou e também sobre um concreto experimentalista que atende pelo nome de Fernando Aguiar. Já li sobre os irmãos Campos e sobre a mais recente poesia visual. Reencontrei-me também com dois grandes amigos.

O Guido Bilharinho da "DIMENSÃO" de poesia lá do triângulo mineiro e o atento Cláudio Daniel.

Importa referenciar que como prova do estreitar de relações, nos últimos seis meses, na revista pontificaram nomes de escribas angolanos tais como os de Ana Paula Tavares, João Tala, Luís Kandjimbo, Frederico Ningui, Roderick Nehone, Décio Bettencourt, David Capelenguela, José Luís Mendonça, Abreu Paxi e alguns outros dentre os quais também se inclui o nome deste vosso servidor. Muita poesia angolana dos novos e novíssimos tempos com entrevistas e ensaios à mistura.

Passado que está um ano de edições, apraz-nos reconhecer que neste veículo semanal de circulação eletrónica -de que é proprietário o movimento literário Kuphaluxa, instalado na sede do Centro Cultural Brasil-Moçambique em Maputo, graças a generosidade do Diretor Calane da "Xicandarinha... "-, a literatura e os autores angolanos têm ocupado espaço privilegiado. Isto prova que independentemente de um notório esfriamento das relações institucionais da(s) nossa(s) Cultura(s) as palavras correm e percorrem.

Passam e perpassam pela oceânica intimidade do Atlântico nesta margem com os nossos pensamentos e do Índico, na outra margem, com os seus temperamentos. Já lá vão os tempos em que afinada Liga Dos Escritores Dos Cinco ­LEC, se propôs aproximar Instituições e Homens de pensamento das gerações dos utópicos sonhadores.

Refletindo, cabe aos mais novos redinamizar as ações de Luandino Vieira e de Rui Nogar enquanto secretários gerais da União em Angola e da Associação de Escritores em Moçambique.

Urge revitalizar as ações e todo aquele pensamento não só por via de publicações mas, fundamentalmente, organizando encontros , visitas (públicas e privadas), bienais , festivais, recitais, concursos e outros quejandos, cultivando e cultuando os mais nobres propósitos artístico-literários em razão da solidariedade e fraternidade que subjaz do nosso colonial passado comum.

A geração Kuphaluxa e os seus dinamizadores têm hoje a faixa etária e o vigor dos Brigadistas e Charrueiros dos fidos de 80, que souberam aprender e estar, sempre que possível, ao lado dos madalas de ontem e de sempre, apesar do dialético conflito de gerações que com respeito e sem antagonismos de monta permitiu a tarimba e a experiência de hoje.

Ao Japone Arijuane, Amosse Mucavele, Mauro Brito, Eduardo Quive, Dany Wambire, ao Nelson Lineu, e tantos outros que certo dia nos fizeram retroceder no tempo e parar nas ações brigadistas de há trinta e tal anos, resta-nos homenagear dizendo-lhes que com um bocadinho de mais rigor ortográfico, apuro gramatical e vigilância redatorial poderemos, em boa conta, peso e medida, "Dizer, Fazer e Sentir a Literatura", em benefício da História, das gerações vindouras e do próprio porvir.

Finalmente, tendo em conta a necessidade de redizer as coisas servindo-se das mais modernas tecnologias de informação, saibam que é útil e interessante distinguir a ténue fronteira entre a escrita jornalística e a escrita artístico-literária, principalmente quando se é jornalista e escritor ao mesmo tempo. É importante poder destrinçar os rasgos denotativos dos dribles conotativos da linguagem, porque ambos (o jornalista e o escritor) trabalham talhando uma única munição. A PALAVRA. Ela fere tão bem como lâmina e não raras vezes é mesmo letal.

Sereis assim competentes herdeiros de Craveirinha, David Mestre, Calane, Patraquim, Mia e mesmo de um Mendonça ou Saúte que ­com seus textos nos nossos contextos, para lá das circunstâncias e dos nossos circunstantes, souberam e têm sabido ser agentes literários de refinada pena!

Belas, Julho De 2012

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