Literaturas dos PALOP: o tesouro da herança literária e a nova vaga de escritores

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Como é sobejamente sabido, as literaturas africanas de língua portuguesa estabelecem um diálogo intertextual, ainda que ténue, que urge reforçar, "mutatis  mutandis", através do intercâmbio entre os diversos dos seus autores, mais velhos e novos; diálogo adulto que carece de ser promovido no plano institucional.

Literaturas dos PALOP: o tesouro da herança literária e a nova vaga de escritores

A tão apregoada cooperação cultural entre os PALOP não poderá ser, pois, uma palavra bizantina, no domínio profícuo das letras!

Depois das independências em 1974/1975, a par da consagração dos mais velhos autores, Agostinho Neto, Luandino Viera, Wanhenga Xitu, José Craveirinha, Rui Nogar e Luis Bernardo Honwana, Manuel Lopes, Baltazar Lopes e Teixeira de Sousa (Cabo Verde), Alda do Espírito Santo, Albertino Bragança e Agostinho Neves, uma nova vaga de escritores angolanos surge no espaço geográfico dos "Cinco", através de diversas publicações, quer em jornais, quer em revistas e livros(raros), no dealbar dos anos 80.

Estes novos autores são revelados através de jornais como o Notícias, no suplemento de cultural Voz di Letra, do diário Voz di Povo, e na página Vida e Cultura do Jornal de Angola, Nô Pintcha e no Revolução, bem como em revistas tal como a Charrua, Novembro, Lavra e Oficina, Aspiração, Raízes, Ponto e Vírgula, Fragmentos, Arquipélago, Pretextos e Bate Môn.

Outros tantos, senão os mesmos autores, são revelados em antologias coletivas, tanto de poesia, como de prosa. Das antologias registe-se a antologia dos jovens poetas guineenses: Mantenhas para quem luta e Momento primeiro de construção, sob o signo da reconstrução, antolgogia da poesia da Guiné- Bissau; Antologia dos novíssimos poetas cabo-verdianos; e a antologia "Aspiração", publicada pela Brigada Jovem de Literatura, em Luanda, na segunda metade dos anos 80.

Os títulos individuais surgiriam mais tarde: João Melo estreia-se com "Definição" (na coleção de poesia da UEA) - exercícios poéticos ultrapassados pelos livros posteriores, como "Tanto Amor" e outros com poesia experimental à mistura. Carlos Ferreira é dos primeiros brigadistas a publicar o seu primeiro livro de poemas. Depois seguir-se-iam outros tantos entre a segunda metade dos anos 80 e a primeira de década de 90.

É mister assinalar que os poetas experimentalistas são raríssimos entre nós (bebendo do concretismo de Haroldo Campos, por exemplo, da literatura brasileira ou mesmo da obra aberta de um Humberto Eco, o próprio do Nome da Rosa).

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