Literaturas dos PALOP: o tesouro da herança literária e a nova vaga de escritores

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Como é sobejamente sabido, as literaturas africanas de língua portuguesa estabelecem um diálogo intertextual, ainda que ténue, que urge reforçar, "mutatis  mutandis", através do intercâmbio entre os diversos dos seus autores, mais velhos e novos; diálogo adulto que carece de ser promovido no plano institucional.

Literaturas dos PALOP: o tesouro da herança literária e a nova vaga de escritores
Em Cabo Verde, temos José Hopffer de Almada, Lúcio Rodrigues, Leão Peres, Ondina Ferreira, só para citar estes, entre prosadores e poetas, dando livre curso à tradição literária claridosa e das gerações subsequentes que marcam a modernidade literária
Cabo Verdiana entre 1936 a 1975.

Em S. Tomé e Príncipe temos Gustavo dos Anjos, Conceição Lima e Nelson Mendes, herdeiros da tradição literária dos poetas Costa Alegre, Francisco José Tenreiro e Alda do Espírito Santo.

Na Guiné Bissau, sem o peso de uma tradição literária anterior, salvo um ou outro poeta, como Amilcar Cabral e Vasco Cabral ou ainda o etnólogo Benjamim Bull. A influência decisiva de Mário Pinto de Andrade vai constituir um verdadeiro "élan" para abalar a precariedade da sua estrutura cultural e literária, quer queiramos quer não.

O pensador de cultura angolano, enquanto ministro da Informação e Cultura publica diversos ensaios no Nô Pintcha ("Amilcar Cabral e a reafricanização dos espíritos" e "A estrutura das línguas africanas vai influenciar o português") e profere palestras sobre a evolução da imprensa local e o nacionalismo. A nova vaga de escribas guineenses e mesmo investigadores do futuro INEP têm o seu total apoio (institucional), dando lugar, entre outros projetos, à revista Soronda, dirigida pelo seu discípulo Carlos Lopes.

Os novos escritores surgidos depois da independência, pertencentes à geração de Hélder Proença, poeta barbaramente assassinado no ano passado, lançam as verdadeiras bases de um verdadeiro sistema literário, compreendendo diversos autores, pois uma ou duas andorinhas não fazem a primavera, entrando em sintonia com o processo secular de formação das literaturas africanas de língua portuguesa, cuja fundação data dos finais do século XIX e princípios do séc. XX. Amén!

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