Manoel de Oliveira: De actor da Vida a projector de sonhos

Envie este artigo por email

Cento e seis anos de actor Manoel de Oliveira, cineasta português, serviu a arte de viver.

Manoel de Oliveira: De actor da Vida  a projector de sonhos
Manoel de Oliveira

Foi uma longa metragem rodada na sua terra natal, a cidade do Porto, mas também seus pés calcaram os chãos da Europa, numa gloriosa marcha de 84 anos de carreira como director que lhe valeu 47 prémios, dentre eles, o Leão de Ouro de Veneza de 1985 pelo filme "O sapato de cetim" e o prémio do Júri de Cannes, em 1999, pelo filme "A carta". Aos 99 anos de idade, recebeu a Palma de Ouro pelo conjunto de sua obra no Festival de Cannes.
'Aniki Bóbó', projectado em 1942, foi o seu grande filme de estreia na longa metragem. Como todos os outros, a sua filmografia é expressão da sua filosofia, de que o cinema é um fixação da literatura através do teatro da palavra. Foi com esse espírito que Manoel de Oliveira transformou belos romances em outros tantos belos filmes e até versos dos Lusíadas de Camões inspiraram-lhe a obra “O Velho do Restelo”. O caso mais paradigmático é o filme “Amor de Perdição” (1979), uma adaptação literal do romance homónimo de Camilo Castelo Branco, cujo texto é lido na íntegra em voice over por vários intérpretes e é o terceiro filme da "tetralogia dos amores frustrados" que inclui "O Passado e o Presente", "Benilde ou a Virgem-Mãe" e "Francisca". “Amor de Perdição” conta a história do amor impossível de dois jovens e unta num mesmo celulóide cinema, literatura e teatro. Foi classificado como um marco no cinema europeu.
Aniki Bóbó foi mal compreendido pelo público. Por isso, um pouco ferido no seu amor-próprio, Manoel de Oliveira virou-se exclusivamente para os negócios da família: vinho e indústria têxtil. Mas quem traz na alma a paixão de tirar sonhos de dentro da câmara de filmar, jamais abandona a arte. Vinte anos depois vemo-lo a projectar nos palcos 'Acto de primavera'' (1963), um dos mais importantes filmes do principal realizador português de todos os tempos.
“O Passado e o Presente” é a obra que bem espelha a sua noção de cinema, cujo tema favorito era a realidade do quotidiano português.
Dirigiu 62 filmes - entre ficções e documentários – tendo sido considerado pelo Guinness, em 2001, o mais longevo cineasta em actividade do mundo. A sua estreia no mundo do cinema aconteceu em 1923, como actor no filme “Fátima Milagrosa”.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos