Nascido em 3 de Julho de 1899 na ilha do Príncipe, mais exatamente na roça Infante D. Henrique, propriedade da firma Casa Lima & Gama, cuja sede e escritório ficavam em Lisboa, na baixa pombalina, era ilho de mãe angolana, que se chamava Kongola ou Munga e era natural de Malange, tendo ido para a ilha do Príncipe como contratada (à força) com quinze anos.
O seu pai, António Alexandre José Domingues, oriundo de famílias liberais, na impossibilidade de libertar a mãe, devido a uma vingança do capataz da roça, que não levou a bem que o tenha denunciado por maus tratos ao pessoal, enviou-o para Portugal aos 18 meses de idade, tendo ficado confiado à sua avó paterna, que se encarregou da sua educação.
Fez os seus estudos em Lisboa, revelando desde muito novo vocação para as Letras e igualmente para as Artes o seu primeiro sonho foi ser pintor, vocação que viria a inculcar no ilho mais velho, o artista plástico António Pimentel Domingues, que integrou o Grupo Surrealista de Lisboa e que viveu alguns anos em Angola, onde ilustrou várias obras de autores angolanos, nomeadamente "A Sagrada Esperança", de Agostinho Neto, e os livros de literatura infantil de Eugénia Neto.
Contrariado, por motivos económicos, enveredou pela carreira do Comércio, chegando a ser ajudante de guarda-livros e correspondente de Francês e Inglês o que lhe valeria especialmente para, mais tarde, fazer dezenas de traduções dos clássicos da língua inglesa, nomeadamente Charles Dickens, George Eliot, Wilkie Collins e Walter Scott, entre muitos outros mas consagrava todos os sues ócios ao estudo de problemas literários e artísticos.
Com o seu nome próprio, no capítulo da ficção, Mário Domingues publicou a sua primeira "novela curta", Hugo, o pintor, em 1921, a que se seguiu Delicioso Pecado (1923), e A Audácia de um tímido (1923). Em volumes, Entre vinhedos e pomares (1926), Anastácio José (1928), O Preto do Charleston (1930), Uma luz na escuridão (1937), O crime de Sintra (1938), Jesus e a sua vida maravilhosa (1943), O cavaleiro, o monge e o outro (1948), e o romance autobiográfico.
O menino entre os gigantes (1960), que, como ele considerou, «A mensagem que irradia como um perfume do meu romance O menino entre gigantes é toda uma ternura: é todo um apelo à fraternidade entre os homens de todas as cores e condições» Século Ilustrado, 25/3/61.
Por outro lado, no capítulo das evocações históricas, integradas num grande projeto que intitulava Visão dos Tempos, o labor de Mário Domingues é vasto e diversificado, especialmente na Série Lusíada, em que faz um fresco muito objetivo e esclarecedor das grandes figuras da História de Portugal, denunciando os erros e elogiando algumas qualidades, mostrando os seus dotes de narrador e historiador.
No capítulo da História são ainda de referir os anunciados Escorços Biográficos, destinados especialmente às camadas mais jovens, escritos com um sentido didático muito evidente e com uma objetividade a toda a prova.
Aparecerem integrados na Coleção "Quer Saber?", da Civilização, do Porto, e chegaram a sair Fernão de Magalhães (1959), Fernão Mendes Pinto (1958, além de A Lição de Alcácer Quibir (1975). É também de referir a publicação de uma interessante dissertação O Infante D. Pedro, Príncipe Europeu (1964), integrado na Coleção História de Portugal, da Empresa Nacional de Publicidade.


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