Mindelact ganhou alforria: Um dos maiores festivais do continente africano

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Com os apertos que se fazem enormemente sentir em Portugal e sob a ameaça de se fecharem as torneiras do apoio português, o festival Mindelact atinge a "maioridade" (18 anos de existência) com carta de alforria passada com total êxito e com o sorridente beneplácito quer do Ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio de Sousa, quer do Presidente da República cabo-verdiana, Jorge Carlos Fonseca.

O Presidente poeta (o único com extração surrealista em África) quis descer das suas "sete quintas" e dar uma de jornalista: com "show" transmitido pela televisão, Jorge entrevistou o presidente do Mindelatc, o português Jorge Branco, sem qualquer tabu, sem "jogo combinado" e, deste modo, deu grande projeção ao festival.

"Pode parecer estranho em Presidente da República fazer uma entrevista destas, mas para mim é absolutamente normal. Sou Presidente da República, sou político, sou Chefe de Estado, tenho funções mais institucionais, mas, como cidadão, como homem de Cultura, mas também como Presidente da República, é um bom sinal, pode ser um bom sinal, o Presidente da República estar disponível para este tipo de conversas", disse na oportunidade Jorge Carlos Fonseca.

Também durante quatro dias, o Mindelact transmudou-se da ilha de S. Vicente para a ilha de Santiago, levando aí a cabo quatro espetáculos na Praia (dias 16 ­ grupo de Teatro Salinas da ilha do Maio, 17 ­ o palhaço Xuxu, do Brasil, 18 ­ o projeto Palku Abertu, de Praia, e 19 ­ Grupo de teatro do CCPM, Mindelo).

Deste modo, o Festival ultrapassou o encerramento em limites geográficos e ganhou expressão nacional (cabo-verdiana), interligando núcleos culturais que corriam o risco de ficar antónimos.

Assim, durante mais de uma semana, de 7 a 15 de setembro, o Mindelact escreveu-se com 40 espetáculos vindos de Angola, Brasil, França, Itália, Marrocos e Portugal, além de Cabo Verde. Foram homenageados a companhia angolana Elinga Teatro, o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues (este ano completou-se o centenário do seu nascimento, evocando-se que há quatro anos se invocou a sua experiência para fazer então a peça "As Mindelenses") e a coreógrafa berlinense Pina Bausch, falecida em 2009.

Destacou-se também este ano a peça "Alice no país das Maravilhas", versão crioula pelo grupo do Centro Cultural do Mindelo, que teve no papel principal Lara Branco. Os mindelenses puderam ainda apreciar o 2º ciclo internacional de contadores de história, com contadores de três continentes.

O Mindelact, que este ano teve apoio declarado do Ministério da Cultura, libertou-se em definitivo de toda e qualquer tutela, mergulhou na realidade nacional, conquistou público, identificou-se de alma e coração com o público mindelense, galgou as ruas da cidade do Mindelo com um enorme espetáculo que devassou a Baixa sanvicentina. Veio para ficar.

Criada em 1995, a Associação Mindelact, criada por um português, João Banco, implantou-se no coração do Mindelo e ganhou alma cabo-verdiana.

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