Minerva: 80 feiras do livro em Maputo

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A Livraria Minerva, na Baixa de Maputo, capital de Moçambique, comemora os seus 107 anos com apoteose, ao realizar, de 17 a 30 de Abril, a sua 80.ª Feira do Livro. Esta livraria tão histórica como, porém mais interventiva do que a Lello de Luanda, inaugurou da melhor maneira a festa do livro, ao incentivar as novas gerações ao hábito da leitura. Para o efeito, destacou, na abertura da feira, o conto infantil “Perdidos no Museu”, da autoria de António Batel, que retrata, através de imagens e estórias de encantar, o Museu da História Natural de Moçambique.

Minerva: 80 feiras do livro em Maputo
Livros com descontos até 80% em todas as lojas Minerva

A histórica livraria propôs-se oferecer mil exemplares deste livro a escolas primárias e ofereceu ainda 47 mil livros a escolas primárias das cidades de Maputo, Matola, Beira e Nampula.
Numa prolongada visita que a nossa reportagem fez à livraria, notou-se, à primeira vista, a diversidade de sugestões de leitura propostas pelos aliciantes títulos expostos. Via-se na vitrina que dá para a rua o espesso volume de Miguel de Cervantes, “Don Quixote de la Mancha”. No interior abundavam títulos atractivos de escritores da CPLP e de outros quadrantes do planeta.
Sáudio Nadir, gerente da loja, disse ao jornal Cultura que a Minerva desempenha uma função histórica no seio da sociedade moçambicana, pelos seus 107 anos de existência livreira e pela persistência das feiras que completam no espaço mental dos leitores e autores a própria história da livraria.
O gerente Nadir acrescentou que a outra função da Minerva é promover os livros, incentivar a leitura, “um aspecto que, de um tempo a esta parte tem estado a morrer”.
Nadir asseverou que a literatura moçambicana ainda não consegue rivalizar, em termos de oferta, com a literatura universal ali exposta. “Temos muito poucos autores moçambicanos, gostaríamos de ter mais, por isso, para além da feira, realizamos outros eventos para promover, incentivar o surgimento de escritores moçambicanos. Fazemos concursos, encontros, temos também uma gráfica para produção de livros a custos muito baixos, comparados com os do resto do mercado.” Dentro dessa perspectiva funcional, a Minerva promoveu, durante o período da feira, palestras entre leitores e escritores conceituados de Moçambique.
Na floresta dos livros da Minerva, encontrámos uma promessa das Letras moçambicanas, o poeta Mauro de Brito, colaborador permanente do jornal Cultura e membro do Movimento Literário Kupalucha, que explicou que a feira da Minerva é regular, anual, “sempre no mês de Abril, já nos habituámos a ela, permite que tenhamos acesso ao livro com descontos”. O jovem poeta falou do processo de leitura que conheceu uma quebra depois da independência do seu país. “Por isso, depois da guerra civil, houve um esforço no sentido de desenvolver a Educação Nacional, tendo o livro sido colocado como instrumento dessa Educação. Porém, com o avanço das novas tecnologias, decresceu bastante a leitura de livros. Hoje em dia, os jovens lêem mais em blogues, sites, nos telemóveis, no FACEBOOK e noutras plataformas”, discorreu Brito à nossa reportagem em Maputo.
A Livraria Minerva e a sua respectiva Feira do Livro são as mais antigas de Moçambique e estão entre as mais antigas do continente africano.
A 80ª Feira do Livro de Maputo expôs mais de cinco mil livros, e encerrou com a fala cativante dos escritores Suleiman Cassamo, Paulina Chiziane, e do cineasta Licínio de Azevedo. Ali também esteve patente uma exposição alusiva à vida selvagem da Gorongosa, em fotografia, e que foi repartida entre a Fortaleza de Maputo e a livraria. Do livro, o espaço oscilou para diversos saraus musicais e recitais de poesia.
Os 80 anos da feira do livro da Minerva apagou velas com um desconto de 80% nos livros disponíveis em todas as livrarias Minerva de Maputo, Matola, Beira e Nampula.

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