“Nenhuma raça é antónima de outra, por isso não existe preto e branco no mundo”

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Defende o escritor moçambicano Dom Andira (in BATEMOZ.COM)

“Nenhuma raça é antónima de outra, por isso não existe preto e branco no mundo”
Don Andira

“Nenhuma raça humana é antónima de outra neste mundo, cada raça é uma excepcionalidade. Ela goza de uma identidade e orgulho do seu ser/pessoa neste mundo. Nisto, a denominação de seres humanos pretos e brancos, no planeta terra, é algo inexistente, inconcebível, inadmissível e banal, deve ser algo somente para imperadores, colonizadores e pilhadores.”
Foi com estas palavras que o escritor moçambicano Dom Aurênio Andira, iniciou, no ano de 2010, a sua primeira obra intitulada Voz Da África Ao Global Da Globalização, com o objectivo de repudiar o uso abusivo de termos depreciativos na vida social.

Andira explicou, numa entrevista exclusiva ao semanário Debate, a mensagem expressa em cada poema da sua obra, com vista a facilitar a compreensão dos ensinamentos patentes na mesma.
De acordo com o autor, as expressões actualmente usadas em diversas ocasiões da vida sócio-política, económica, cultural e educacional para identificar a raça humana (preto, branco, mulato, caneco, monhé, entre outros) são simplesmente um instrumento de trabalho ao nosso dispor, implementadas com a finalidade de conquistar o bem-estar de algumas pessoas em detrimento de outras.
“É com esses dizeres que começo a escrever a obra. Uma vez que todos nós desejamos um mundo mais unido e próspero, expressões desta natureza não têm mais espaço no mundo, pois servem para humilhar, limitar, intimidar, inferiorizar, oprimir e explorar pessoas” disse Andira.
A leitura do livro prossegue e o escritor fomenta, cada vez mais, filosofias baseadas nas ideologias afrocentristas. No segundo poema intitulado Visão e voz do povo africano, Dom Andira exalta a inteligência africana, isto é, demonstra que os africanos foram colonizados e humilhados no passado, o que jamais irá voltar a acontecer porque o africano está actualmente atento a qualquer invasão. “Esta África faz entender ao Ocidente que não existem animais ou selvagens neste continente, mas sim pessoas sábias e humanas”, explicou, acrescentando a necessidade de se repudiar alguns atributos que julga pertencerem a imperadores e colonizadores, tais como, homem de cabelo longo, loiro, patrão, magia negra, entre outros.
“A África é dos africanos, sempre foi e sempre será, não é uma garrafa de vinho, uma arma de fogo, mas sim um continente de gente com cérebro valente que supera toneladas de ouro, diamante e marfim… E que sempre, em voz de trovão, lamenta humildemente a desgraça, a pólvora, a descriminação tribal e racial”, esclareceu Andira.

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