O auge do cinema

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A magia do cinema continua em alta. Sob um céu banhado de luz lunar, os actores representam a vida para além da própria vida.

O auge do cinema
O auge do cinema

Saborear as aventuras cinematográficas e reter lembranças imperecíveis para o nosso próprio prazer. Para que esta missão chegue a bom termo, organizam-se festivais empenhados, dedicados ao cinema. A França, o país dos irmãos Lumière, que inventaram o cinematógrafo em 1895, é a terra por excelência das produções cinematográficas africanas.
O Festival Internacional do Filme Pan-africano deu início às mundanidades «afro» para a estação estival. A cidade de Cannes, muito conhecida pelo seu grande festival e pela enfiada de estrelas que aí afluem todos os anos, abre-se a África. Os encontros, os debates, e sobretudo a projecção de filmes inéditos, demonstram que apesar dos problemas logísticos e financeiros recorrentes os realizadores fazem questão de dar vida às suas obras.
A segunda edição da semana de Nollywood em Paris atraiu bastante atenção, a sétima Arte conquista um lugar cada vez mais importante. O campeão africano de cinema tem uma bela vitrina em Paris. No programa, conferências e filmes que sublinham a vitalidade do cinema deste gigante do Oeste africano. No momento em que as publicações dos escritores africanos começam a ser conhecidas mundialmente e a inspirar a indústria cinematográfica, o fenómeno enraíza-se em Paris. Em contrapartida, dir-se-ia que os autores da África francófona e lusófona são os grandes perdedores nesta mudança dos tempos. A essência da indústria do cinema será mais anglófona? Em todo o caso, a supremacia da Nigéria sobre as indústrias culturais do continente já deu as suas provas.
Half of a Yellow Sun de Biyi Bandele, que se inspira na Guerra do Biafra, é o vencedor do prémio do público deste ano. Este filme baseia-se num romance do escritor Chimamanda Ngozi Adichie. A sua realização detém, até ao momento, o record do orçamento mais elevado da indústria cinematográfica nigeriana. A distribuição é igualmente de qualidade. Os dois actores, Chiwetel Ejiofor e Thandie Newton representam as personagens principais. Serge Noukoué, um dos organizadores, explica a pertinência de um festival assim na capital francesa: «É importante que os filmes estejam acessíveis neste lugar central tão importante para o cinema que é Paris. Se hoje somos os únicos a levar os filmes nigerianos ao público parisiense, esperamos que esta situação venha a evoluir e que os filmes que exibimos aqui estejam em breve mais amplamente acessíveis neste país e no espaço da francofonia. Esse é um dos objectivos principais deste festival de cinema nigeriano.»

5 ANOS ! Feliz aniversário !
No verão de 2014 vamos soprar as cinco velas do Black Movie Summer (27 Junho/27 Julho): Black to the future. Cineastas negros apresentam as suas curtas e longas-metragens, da ficção ao documentário. A maioria desses filmes são primeiras obras, ricas em termos de imaginação visual e narrativa, de jovens realizadores provenientes da diáspora africana. Como prova da seriedade desse festival, a Câmara de Paris vai atribuir o prémio «Lumière» ao mais talentoso laureado, pelas mãos do inesquecível actor Eriq Ebouaney.
Paralelamente a esses acontecimentos, registamos a saída de dois filmes, o Five/Thirteen de Kader Ayd com os actores Gary Dourdan e Jimmy Jean-Louis e a primeira difusão europeia do documentário Time is illmatic do realizador Erik Parker, em homenagem ao vigésimo aniversário do álbum Illmatic do rapper Nas. A quinzena do Hip Hop (22 Junho-6 Julho), vai apresentar dois filmes : Mauvaises Herbes de Catherine Weilant e Graffiti Dixit Art, documentário de Cécile Gamard. Do cinema ao Hip Hop vai apenas um passo.
Em resumo, todas essas iniciativas são animadoras e abrem novas perspectivas para os realizadores, argumentistas, escritores, actores e outros profissionais africanos e da diáspora, por muito tempo desprezados por esta indústria. É essencial tomar o controlo das nossas histórias, das nossas culturas, das nossas imagens e reapropriamo-nos da narração dos destinos pan-africanos. África é o futuro. Veludo vermelho. Pipocas. Luzes Negras.

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