O Circo e a moda celebram um cheirinho de África

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CIRKAFRIKA 2 apresenta uma imagem de África em total ruptura com os clichés.

O Circo e a moda celebram  um cheirinho de África
O Circo e a moda celebram um cheirinho de África

O grande público vai partir ao encontro de uma África autêntica, viva e muitíssimo poderosa.
Tudo estará reunido para fazer descobrir ao espectador o ambiente de terras longínquas, onde tudo é emoção, generosidade, alegria de viver e encantamento. No programa: acrobacias, malabarismos, números aéreos, entreactos cómicos, sapateado, ballet, música gospel.
É um espectáculo ligeiro, criativo e físico, o que nos propõe a trupe de Cirkafrika. Esta superprodução musical confere claramente uma imensa notoriedade ao circo africano. O conteúdo é rico, festivo e colorido. Os quadros humanos são verdadeiras proezas atléticas e cénicas. Podemos ver aí uma nova forma de circo, incarnado, onde o tema da identidade exprime uma parte real da sua africanidade passando em revista o gospel e o sapateado da tap dance ao ritmo das marimbas da África ocidental. Aqui nada se faz pela metade, uma vez que há cinco marimbas a partilharem o palco. Os artistas são todos muito hábeis e generosos. Um novo grupo de 48 artistas guia o espectador num universo onde se vão suceder números estonteantes, mas também danças e cantos diversificados conduzidos pela orquestra ao vivo e pela companhia de dançarinos do Circo Phénix. A música é o segundo personagem deste espectáculo muito exótico. A orquestração é audaciosa. As marimbas a isso obrigam. Este instrumento originário da África ocidental é composto por uma estrutura leve de madeira ligada por correias de couro, sobre a qual estão alinhadas lâminas de madeira dura por ordem crescente de tamanho e altura. Uma marimba é geralmente capaz de produzir de 18 a 25 notas. O executante toca-a de pé, com resistentes correias de suporte, ou sentado. Toca-se com varetas revestidas de borracha. Da música à dança vai apenas um passo. Sendo um forte símbolo da história dos povos africanos e verdadeiro factor de identidade, a dança, frequentemente acrobática, está presente em todo o continente. Ela une os homens de uma mesma região, tribo ou linhagem. O Zaouli, a Pansula e a Tap Dance contam cada uma a sua história. O Zaouli é uma dança espectacular pela rapidez de execução. Esta dança de máscaras homenageia a beleza da mulher da Côte d’Ivoire. De acordo com as crenças locais, ela aumenta a produtividade da aldeia que a pratica e reforça os laços familiares e clânicos no seio da comunidade. No sul do continente, a Pantsula é mais do que uma dança: é um movimento de protesto. Com origem nos anos 1960-1970, sob o regime do apartheid, nas townships, foi nesses guetos marcados pelo desemprego e pela criminalidade que nasceu a cultura Pantsula, uma perfeita alquimia entre moda, música, dança, códigos gestuais e linguagem. Tal como o Hip Hop, a Pantsula encontra o seu terreno de expressão. O sapateado lembra a dança dos gumboots, dança de percussão dos mineiros sul-africanos durante o apartheid.

«O circo é para mim a forma artística ideal, a que reúne todas as possibilidades. Estimula a minha imaginação, leva-me a questionar os seus códigos sem no entanto atraiçoar a exigência de uma técnica acrobática poderosa» lembra Alain Pacherie, o fundador do circo Phénix.
A trupe do Phénix que concebeu este espectáculo voa de sucesso em sucesso e percorre o mundo. A versão precedente, Cirkafrika I, teve a honra de ser o espectáculo oficial das celebrações do primeiro Dia Mundial da Cultura Africana (JMCA). Depois de Paris, esta tournée passará pelo Togo a 23 de Janeiro de 2015.

Fashion Mix. Moda de cá, criadores de lá. De 9 de Dezembro de 2014 a 31 de Maio de 2015, o Museu da Imigração propõe uma exposição concebida e realizada com o Palácio Galliera, museu da Moda da cidade de Paris.

A moda não conhece fronteiras, abarca todos os horizontes. Os talentos do mundo inteiro deslocam-se a Paris para se aperfeiçoarem acalentando a esperança de se tornarem mais do que um nome, uma marca, cujo alcance tenha a dimensão de um passaporte universal. Para um criador do fim do mundo, um provinciano, conquistar a cidade-luz traz consigo uma consagração pouco usual que começa nos murmúrios discretos de lábios pintados, se alastra, como um rasto de pólvora, para o branco opaco das batas, até ao frenesim das semanas da moda, para terminar no vestuário sofisticado. Vestir o mundo inteiro é a ambição de todos os designers que chegam a Paris, Meca da moda criativa. Um destino assim é também aceitar ser apenas um elo na transmissão de um saber fazer único. Reinar com garra sobre uma indústria. Arbitrar as elegâncias e dinamizar tradições seculares. Passar o testemunho. A magnificência da alta-costura e do pronto-a-vestir de luxo que se renova em cada estação alimenta-se do fascínio que exerce sobre os génios criativos, por vezes sacrificiais, em detrimento da própria saúde, à qual provocam enormes danos.
Olivier Saillard é o curador da exposição; a sua erudição excepcional deixa transparecer um espírito de uma rara fineza e uma paixão sincera.
A cenografia homenageia os criadores através de peças de vestuário emblemáticas como um conjunto de vestido e capa de Cristobal Balenciaga e as últimas criações de alta-costura da casa Alaïa.
E esta história de moda e de imigração funde-se na perfeição num casaco Céline por Phoebe Philo (Outono-Inverno 2013/14). Este retoma a carta gráfica da tela em plástico dos grandes sacos vendidos em Barbés. Gerações de imigrantes do Norte de África e da África negra popularizaram esses sacos de regresso “à terra”, cujo famoso estampado aos quadrados “Barbés” se tornou no Santo Graal da fashionista celiniana mundializada. O símbolo é de tal modo forte que encontramos esses sacos numa sala contígua à exposição. De repente pensamos em Lamine Kouyaté, fundador da marca Xuly Bët, e nas suas icónicas afectadas talhadas na preciosa tela quadriculada. É com alguma tristeza que constatamos que não existe ainda qualquer ligação entre a capital da Moda e o continente africano. No entanto, o contributo do continente é inegável, mas, até hoje, ainda nenhum criador africano a residir na sua terra natal impôs o seu nome no calendário oficial da semana de moda parisiense.
Sakina M'sa, Oswald Boateng, Lamine Kouyaté, Imane Ayissi, estamos à vossa espera.

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