O impacto das palavras que sagram ideias (II)

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Em torno da poética do brasileiro Salgado Maranhão.

Em torno da poética do brasileiro Salgado Maranhão

No soneto O azul e as farpas o desejo assombra as cavidades da palavra e demonstra imageticamente o seu resgate pela arte.

As metáforas bailam, num andamento, tipicamente, barroco, as palavras criam e recriam sentidos e tecem as fibras da memória, numa tentativa sempre falhada de ascender ao enigma, ao limite do impossível.

Assim, as palavras que sangram ideias e imobilizam a vida, promovendo inquietações e impactando o leitor. Essas metáforas nos afiguram um mistério insondável, profundo ou fascinante, que se propõe como uma estrutura determinada por detrás das palavras, o que nos parece ser inelutável e ter o caráter de necessidade, pois o soneto é antes de tudo uma necessidade.

E essas imagens são dotadas de uma força compulsiva que nos faz repetir inflexivelmente no mesmo padrão vibratório que o espaço poético releva.

O espaço da dor anunciada, da perda, do que havia como possibilidade, da falta do que nunca existiu nem existirá, porém liberta muito mais que escraviza. Porque se o desprezo e a exclusão parecem condenar o sujeito poético há anos de solidão, ao procurar caminhos

No soneto O azul e as farpas o desejo assombra as cavidades da palavra e demonstra imageticamente o seu resgate pela arte. As metáforas bailam, num andamento, típica tipicamente, barroco, as palavras criam e recriam sentidos e tecem as fibras da memória, numa tentativa sempre falhada de ascender ao enigma, ao limite do impossível.

Assim, as palavras que sangram ideias e imobilizam a vida, promovendo inquietações e impactando o leitor. Essas metáforas nos afiguram um mistério insondável, profundo ou fascinante, que se propõe como uma estrutura determinada por detrás das palavras, o que nos parece ser inelutável e ter o caráter de necessidade, pois o soneto é antes de tudo uma necessidade.

E essas imagens são dotadas de uma força compulsiva que nos faz repetir inflexivelmente no mesmo padrão vibratório que o espaço poético releva. O espaço da dor anunciada, da perda, do que havia como possibilidade, da falta do que nunca existiu nem existirá, porém liberta muito mais que escraviza.

Porque se o desprezo e a exclusão parecem condenar o sujeito poético há anos de solidão, ao procurar caminhos fora das suas fronteiras e ao falar da mó do destino, desse desabrigo, de repensar a sua condição, que tem muito mais a somar do que a dividir, pois no ato da fala já está implícita uma ação. A linguagem retorna ao solo mais áspero, o soneto não termina, se entrega e, será reconhecido pelo nome do seu autor, assim como, as palavras finais desse artigo:

O poema é um espaço aberto onde nada existia. Onde havia uma necessidade interior inauferível e indeterminada.

No entanto, uma vez que as palavras se transformam em poesia, não se pode mais prescindir desse agradável alimento do espírito. Algo se alarga no nosso universo percetível.

Não é que se tenha aprendido uma técnica de - sobrevivência na selva ou em alto mar, apenas vivemos o clarão de uma experiência inexplicável. Uma ação que não nos deu nenhuma fórmula pronta para domar o mundo, mas abriu em nós uma página para o gratuito exercício de ser feliz.

Esse é o imenso poder da linguagem poética, que não nos prometendo nada, nos devolve ao lado luminoso de nós mesmos.

Poeta Salgado Maranhão

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