O mistério das palavras

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Em torno da poética do brasileiro Salgado Maranhão.

Em torno da poética do brasileiro Salgado Maranhão

As farpas do desejo ­ esse tear das aranhas da dor e sua alcunha

A vasta produção do poeta Salgado Maranhão é reconhecida por diversos prémios.

Inicia-se com a edição de uma Antologia "Ebulição da escravatura" (1978). Já encontraremos o espírito criador do poeta, disposto a reverenciar as ilusões do mundo que é o mistério da sua arte e se lançar por caminhos sinuosos, evidenciando o seu engajamento com o cotidiano vivido na dimensão, ao mesmo tempo escura e vibrante do corpo.

Pois, o centro do seu interesse é o próprio ser, enquanto pensamento e linguagem. Encontraremos uma vinculação de um sujeito poético alicerçado numa relação de complementaridade entre as imagens coletadas pela memória advinda da experiência muda em tenra idade e as impressões alardeadas do presente.

Vertentes que serão amadurecidas no decorrer da sua obra, mas que já se encontravam nos seus primeiros versos, ou seja, a sua poesia já dava mostra do que ambicionava: essência.

Posteriormente publicou os seguintes livros: "Punhos da serpente" (Achiamé, RJ, 1989); "Palávora" (7Letras, RJ, 1995 ); Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera". (1996); a sua antologia "Mural de Ventos" foi o vencedor do Prêmio Jabuti em 1999; em 2002 publicou a antologia "Sol sanguíneo".

Nessa antologia surge o que poderíamos denominar de um ser verbal, puro e simples que tende cada vez mais a encarnar-se. Nesse espaço poético há um pacto com a palavra que vai além da relação individual e das suas alternâncias imaginárias.

Percebe-se uma realidade marcada pela experiência, o limiar do raso e do profundo, onde as coisas não somente têm significações, mas também têm existências.

Em seguida, publicou as antologias: "Solo de gaveta E Amorrágio" (2005). "Concerto a quatro vozes" (2006), "A pelagem da tigra" (2009) e "A Cor das Palavras".( 2009). A sua antologia "Sol Salnguíneo" foi traduzida para o inglês por Alexis Levitin (2012) com o título: "Blood of the sun".

Autor da canção tema da peça "Curral das Maravilhas", de Jonas Bloch, encenada no teatro Glauce Rocha, em 1979 e do filme "Boi de Prata", de Augusto Ribeiro Junior, produção da Embrafilme, 1980.

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