O poeta em permanente inquietação criadora

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Vicente Huidobro o poeta em permanente inquietação criadora.

Fotografia: Vicente Huidobro

Vicente Huidobro (Santiago do Chile, 1893-1948) foi um dos mais importantes poetas chilenos de todos os tempos, e um dos espíritos criadores mais inquietos e irrequietos, enquanto animador e participante ativo das vanguardas poéticas europeias do século XX.

Tendo publicado o seu primeiro livro "Ecos del alma" em 1911, com 18 anos de idade, seguido de "La gruta del silencio" e "Canciones de la noche", em 1913, "Pasando y pasando" e "Las pagodas ocultas", em 1914, Vicente Huidobro publica, em 1916 (ano em que adere incondicionalmente às vanguardas literárias europeias), "Adán" e "El espejo de agua", livro este considerado um marco fundamental no panorama de toda a poesia em espanhol, e fundador da corrente estética do Criacionismo.

Tratando-se de uma obra onde o poeta desentranha o seu espírito criador, inserindo-o na terra que o viu nascer, e com a qual sempre dialogou ao longo de toda a sua obra, muito embora não raro fosse um diálogo de certo modo conflituoso, dadas as suas transgressões poéticas e as suas opções ideológicas.
(Huidobro foi um dos fundadores do Partido Socialista chileno, num tempo em que o Chile não passava de uma imensa coutada feudal e reacionária), "El espejo de agua" representa um ato de libertação que irá caracterizar toda a posterior poesia do autor, onde a convivência do moderno e do anacrónico se tornam a sua marca indelével.

Cidadão do mundo, Huidobro viveu em Buenos Aires, Paris, Madrid (durante a Guerra Civil, não só contribuiu para organizar a ajuda aos republicanos, como esteve na frente de batalha enquanto correspondente de guerra), onde, com o argentino Jorge Luis Borges fundou o Ultraísmo. Foi ainda companheiro de Picasso, Apollinaire, Ruben Darío, Cesar Vallejo e tantos outros poetas e intelectuais progressistas.

Escreveu grande parte da sua obra originalmente em francês ("Horizon carré", 1917; "Tour Eiffel", 1918; "Saisons Choisies", 1921; "Automne régulier", "Manifestes" e "Tout à coup", 1925). Mas foi "Altazor o El viaje de mi paracaídas", em 1931 (de que aqui se dá em tradução o seu “Canto II”) que, se ainda necessário fosse, catapultou o nome de Vicente Huidobro para os mais altos cumes da poesia mundial do século XX, ao lado de Ezra Pound, T.S. Eliot, St.-John Perse, para citar apenas três poetas que arriscaram o poema longo, de cariz épico.

Entretanto, publicou ainda: “ Poemas árticos” e “Ecuatorial”, 1918; “Vientos contrários”, 1926; “Temblor de cielo”,1931; “Caligostro”, “Lapróxima” e “Enla luna”, 1934; “Ver ypalpar” e “El ciudadano delvolvido”, 1941. Prosa de Micção: “Tres inmensas novelas” (em colaboração com Hans Arp), 1935, e “Sátiro o el poder de las palabras”, 1939.

Sobre a função do poeta e da poesia no mundo, escreveu um dia: «Um poeta deve dizer aquelas coisas que, se ele não existisse, não teriam sido ditas por ninguém. A coisa criada contra a coisa cantada. Fazer um poema como a natureza faz uma árvore. A emoção deve nascer unicamente da virtude criadora.»

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