ONU alerta para estigma contra pessoas albinas

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Na sua mensagem para o Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, lembrado neste 13 de Junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que as pessoas com essa condição genética continuam "tragicamente" a sofrer "discriminação generalizada, estima e exclusão social". Em alguns países africanos, indivíduos albinos são vítimas de perseguição por conta de preconceito e de crenças culturalmente arraigadas.

Na sua mensagem para o Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, lembrado neste 13 de Junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que as pessoas com essa condição genética continuam "tragicamente" a sofrer "discriminação generalizada, estima e exclusão social". Em alguns países africanos, indivíduos albinos são vítimas de perseguição por conta de preconceito e de crenças culturalmente arraigadas.
"Muitos deles, incluindo crianças e mulheres, estão extremamente vulneráveis, isolados e sujeitos a abuso e violência", ressaltou o chefe das Nações Unidas, que pediu solidariedade para os albinos. Em 2018, o tema da data global é "Brilhando a nossa luz para o mundo".
Em algumas comunidades do Burundi, Malawi e Tanzânia, pessoas albinas são vítimas de criminosos que as mutilam para vender partes de seus corpos, considerados sagrados ou mágicos. Órgãos e membros de indivíduos com albinismo chegam a ser comercializados num mercado ilegal extremamente lucrativo: braços e pernas podem custar 2 mil dólares, enquanto que um corpo inteiro chega a 75 mil dólares.
Há relatos de casos em que indivíduos são desmembrados ainda vivos, tendo seus dedos, membros, olhos, partes genitais, pele, ossos, a cabeça e o cabelo arrancados com facões. Em Moçambique, também há relatos de agressões e violações dos direitos.
Segundo Guterres, o aval da Comissão Africana de Direitos Humanos e do Parlamento Pan-Africano para o Plano de Acção Regional sobre Albinismo no continente é "um passo adiante fundamental". "Mas muito mais pode ser feito globalmente para consciencializar sobre o suplício das pessoas com albinismo."
O secretário-geral pediu um esforço colectivo para garantir que essa população viva livre de medo e discriminação e possa exercer plenamente seus direitos humanos.

Especialista alerta
para acesso à educação
A especialista independente da ONU, Ikponwosa Ero, ressaltou conquistas e desafios que a população albina enfrenta. Para a nigeriana, que é ela mesma albina, o 13 de Junho é uma data para celebrar "as contribuições consideráveis de pessoas com albinismo, incluindo Goldalyn Kakuya, a menina de 14 anos com albinismo que foi a melhor nos exames nacionais da escola primária no Quénia, em Dezembro".
O marco, afirma Ikponwosa Ero, "quebrou estereótipos e preconceitos". "Ainda se acredita frequentemente que pessoas com albinismo são incapazes de aprender. Esse preconceito ilustra a discriminação particular que elas enfrentam no que diz respeito ao acesso à educação, incluindo o bullying persistente e a ausência de instalações adequadas para a deficiência visual que é frequentemente parte do albinismo", explicou.
A especialista também lembrou que "seis mulheres com albinismo, incluindo vítimas de ataques e mutilação, estão actualmente se preparando para chegar ao cume do Monte Kilimanjaro". "Essa campanha é uma demonstração ricamente simbólica das capacidades das mulheres com albinismo", completou Ero.

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