Quai Branly celebra a África lusófona

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De 1 de Janeiro a 30 de Abril de 2014, o Museu do Quai Branly homenageia Angola e os outros países lusófonos do continente cujo 40º aniversário (1974-2014) comemora o fim do império colonial português.

O museu parisiense fundado em 2006 pelo Presidente Jacques Chirac, cujas colecções são maioritariamente dedicadas às artes e civilizações de África, da Ásia e da Oceania organizará leituras e debates sobre a África lusófona  Paris, capital do mundo africano francófono, está cada vez mais curiosa e talvez invejosa do dinamismo económico e do renascimento cultural dos países lusófonos em terras africanas.

O museu nacional francês interroga o passado, o presente, e aborda o futuro das antigas colónias portuguesas. Explora essas civilizações desde o período anterior à colonização até à Revolução dos Cravos, e, depois, desde a independência até às premissas de uma nova situação económica. Uma abertura artística e cultural que vai das margens de Cabo-Verde a Moçambique.

O programa do salão de leitura do Museu do Quai Branly destacará a história e a arte do grande reino do Congo. Os mitos fundadores, como o da Rainha Ginga, cujo 350º aniversário será celebrado.

A literatura lusófona contemporânea será analisada por universitários e escritores (8 de Fevereiro) que se debruçarão sobre as obras publicadas por Mia Couto, António Lobo Antunes e Suleiman Cassamo. A descoberta da tradição oral através da leitura na obscuridade de contos da etnia Cokwe fará parte da oferta (27 de Fevereiro).

Bem como a música lusófona (29 de Março), de Cabo-Verde, onde a figura de Cesária Évora permitiu trazer para a ribalta artistas, músicos e melodias de uma grande riqueza emotiva, e jovens músicos urbanos de Maputo, de Moçambique, assim como um enriquecedor regresso a Teófilo Chantre que deverá estar presente.

Um desvio por São Tomé e Príncipe para ouvirmos as suas músicas tradicionais. A poesia moçambicana (5 de Abril) será debatida, nomeadamente o seu papel no inconsciente nacional.

Para terminar em beleza, a responsável pela colecção África exibirá máscaras ainda não expostas originárias da África lusófona que se encontram nas reservas do museu (6 de Abril).

Durante muito tempo ignorada pelo espaço franco-africano, a África lusófona desperta hoje a curiosidade e os apetites. Estes encontros prometem ser enriquecedores e fecundos para os intercâmbios intelectuais e culturais.

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