Rainer Maria Rilke: O poeta da «inspiração que se chama e se prende»

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Rainer Maria Rilke nasceu a 4 de Dezembro de 1875, em Praga, cidade onde passa a infância, e em cuja Universidade estuda História, Arte e Literatura.

Ainda em Praga, publica o primeiro poema, em 1894, começando aí o seu crescente interesse pela prática da escrita, que o levará a tornar-se num dos poetas e ficcionistas absolutamente fundamentais da modernidade em língua alemã, cuja influência se faz ainda hoje sentir um pouco por todo o mundo.

No ano de 1895 vai viver para Munique, uma das cidades mais cosmopolitas da Europa do seu tempo. Aí conhece a escritora Lou Andreas-Salomé, que se tornará sua mentora literária, e com quem virá a manter um longo relacionamento amoroso.

Com ela se desloca à Rússia, na Primavera de 1899, conhecendo então vários pintores e escritores, entre os quais, Leão Tolstoi, o pintor Leónidas Pasternak e o ilho Boris Pasternak, então com 10 anos de idade.

Na sequência dessa viagem (tão marcante para o ainda jovem poeta: «Que a minha verdadeira pátria seja a Rússia é uma das grandes e misteriosas certezas com que vivo», dirá ele em 1903), escreve o Livro das Imagens e o Livro das Horas, as lições breves de Histórias de Deus e o longo poema em prosa A Balada do Amor e da Morte do Alferes Cristóvão Rilke, obra esta, segundo o próprio autor, escrita de um único fôlego numa noite de 1899, alcançando na época um enorme sucesso.

Em 1901 conhece a escultora e antiga aluna de Auguste Rodin, Clara Westhoff, com quem se casa e de quem tem uma filha. No ano seguinte, em Paris, Rilke conhece Rodin, de quem se torna secretário, e que será a sua figura tutelar até ao rompimento provocado por uma atitude da mais vil mesquinhez por parte do genial escultor (a acusação do roubo de duas cartas endereçadas ao próprio Rike!), testemunhada na terrível carta de despedida que Rilke lhe escreve, datada de "Paris, le 12 mai 1906".

Escorraçado e quase na miséria, Rilke congrega todas as forças do seu Cosmos interior, cerra-se na mais absoluta solidão, e trabalha com uma paciência obsessiva e dolorosa na árdua conquista da sua obra, escrevendo esse magnificente romance que é Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (publicado originariamente em 2 volumes em meados de 1910), cuja gestação, e subsequente escrita definitiva, começada a 8 de Fevereiro de 1904, apenas a 27 de Janeiro de 1910 se concluiria.

Paralelamente à escrita de Os Cadernos..., outras obras se vêm intrometer: Carrossel; Arcaico Torso de Apolo; Réquiem e Novos Poemas.

Isto, para além daquilo que viria a ser o conjunto das dez Cartas a um Jovem Poeta, escritas entre 1903 e 1908, e que o seu destinatário (um obscuro e jovem poeta de nome Franz Kappus, que havia enviado a Rilke as suas primícias literárias, pedindo-lhe conselhos) viria a dar à estampa em 1929, e que de imediato se transformaram num dos mais perenes monumentos literários, porque mais que uma simples lição sobre a criação poética, o que as Cartas propõem é uma lição de Vida, transbordante de humanidade.

Até ao eclodir da I Guerra Mundial, Rilke viaja pela Rússia, Itália, França, Escandinávia, Espanha, Argélia, Tunísia e Egipto, vivendo temporariamente nalguns desses países. O começo da Guerra apanha-o em Munique, onde permanecerá, depois de uma breve incorporação no Exército austríaco.

Com o fim da Guerra, vai viver para a Suíça até ao final dos seus dias, no castelo de Muzot (um castelo do séc. XII, cedido ao poeta por Werner Reinhart), onde reencontra a solidão absoluta e a ambiência e condições necessárias, que lhe permitem um trabalho mais profícuo. E é aí que, em 1922, compõe Os Sonetos a Orfeu e conclui as Elegias de Duíno, começadas em 1912, ou sejam, as suas obras poéticas capitais.

Em 1924 começa a escrever os seus poemas em francês, numa "aventura" para "descobrir uma possibilidade de trocas no domínio da sua sonoridade e dos seus acentos próprios." Vergers e Quatrains Valaisans são as duas obras que nos legou, não como fruto de "um trabalho intencional, mas de um espanto, de uma submissão, de uma conquista", na língua de Rimbaud. Ao livro Vergers, publicado em Junho de 1926, pertencem os 15 poemas que hoje aqui se dão a público.

Com a saúde debilitada desde 1923, devido a uma leucemia, Rainer Maria Rilke viria a falecer por septicémia (depois de se ter picado numa roseira), a 29 de Dezembro de 1926, em Valmont, na Suíça.

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