Timbila: o som tradicional que a ciência reconhece científico

Envie este artigo por email

Passam-se seis anos depois da Timbila ter sido problamada Património oral e imaterial da humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Desde lá, várias ações são pretendidas levar a cabo para garantir existência da árvore "mwenje" usada para o fabrico desse instrumento musical. contudo, não passam de pretensões, porque na verdade, a espécie está em extinção, numa altura em que já se fazem descobertas que podem valer muito a cultura no geral. Trata-se da apresentação de um docente de física da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) sobre a possibilidade de se explicar cientificamente o fabrico e o funcionamento da Timbila.

O investigador moçambicano e docente de Física da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) Mário Baloi encontrou espaço na Mbila ou Timbila, para desmistificar os segredos da construção do instrumento que tradicionalmente o seu domínio é transmitido de através de descendências familiares, em Moçambique, particularmente na região de Zavala, província de Inhambane a sul do país.

O que o estudioso pretende apresentar na verdade é sobre a quantos anda a popularização de tecnologias tradicionais em Moçambique, visto que, ao seu entender e pelos estudos que fez, a Timbila é uma inovação do tradicional.

Comentando sobre o aspeto da preparação da sociedade, para tomar conhecimento da realidade sobre assuntos tradicionais que são, na verdade, científicas Mário Baloi disse, que isso sempre fez parte da sociedade e salienta que existe nas pessoas um conhecimento empírico, mas que é válido, na construção de uma tecnologia africana.

"A sociedade já vive com esta tradição há séculos, temos que pensar que talvez, desde os anos 1800. Entretanto, temos que nos perguntar, por exemplo, se aqui em África que conhecimentos, tecnologias existem. E que papel, estas tecnologias podem desempenhar para o desenvolvimento do país na sociedade moderna? Os conhecimentos tecnológicos podem ser relacionados com as construções de casas, celeiros, pontes e estradas, na produção de adubos, incluindo na área artística musical, como a ponte que estas tecnologias podem estabelecer com a área de ciências."

"O grande problema que temos e, que chamamos isso de positivismo clássico, é que vimos a ciência apresentada nos livros, como algo pronto, sem nenhuma relação com o pensamento, com a civilização e desenvolvimento local e isto, vai criando cada vez mais dificuldades às crianças e aos cientistas de como inserir-se na sociedade. Tenho feito esta comparação e descubro que o conhecimento destas tecnologias locais, só cria uma plataforma de facilidade para conhecimento das tecnologias moderna", argumentou Baloi.

Por outro lado, este estudioso, apesar de considerar haver um desenvolvimento científico elevado, hoje em dia, disse não haver tecnologias correspondentes, sendo assim "há um equilíbrio e penso que cada parte do mundo participa para tal, uns com a tendência para a tecnologia e outros na própria construção do conhecimento. Se a tecnologia da Timbila é secular, não quer dizer que nós estamos a dominar outras tecnologias e outros conhecimentos explicativos do domínio da Física ou da acústica por exemplo."

Em contra partida, Baloi garante que "nos revelamos assim, como um povo especial dentro do conhecimento da humanidade, e isto, é fundamental para o conhecimento é humano, independentemente dos estágios em que ele pode alcançar.

O facto da Timbila ter sido declarada património da humanidade, dá-nos uma chance de irmos valorizando cada vez mais, esta parte humana de conhecimento, onde Moçambique pode participar."

Quando colocada a questão sobre o enquadramento que se pode dar a quem sabe fazer e tocar a Timbila, não havendo notas musicais, nem mesmo uma instrução científica para o seu fabrico, a nossa fonte realçou a necessidade de se aproveitar as fontes existentes para se adquirir este tipo de experiência, como no caso de Venâncio Mbande Júnior, filho do mais popular e respeitado mestre moçambicano da Timbila, Venâncio Mbande, seu acompanhante na investigação sobre a Mbila dos Chopi.

"A experiência que tenho, de um modo concreto, foi promover junto daquelas pessoas com quem trabalhamos na pesquisa científica, como o Mbande Júnior criando uma oportunidade nas universidades, para que esses jovens conhecedores desta cultura, por um sistema de educação oculto ou tradicional ou enraizado na própria cultura, para que possa elevar esse conhecimento, estudando essas áreas e combinar o conhecimento com uma possibilidade de sistematiza-lo, dentro de uma instituição de ensino superior."

"Temos que dar a oportunidade a pessoas que tem conhecimento empírico e não sempre olharmos a estatística, quando queremos que alguns jovens continuem a estudar, querendo ver se que passou o exame de admissão ou não passou, porque se reprova os exames, perdemos toda uma chance de tais jovens que vem de uma realidade diferente e com habilidades, perdemos uma chance deles desenvolverem o país, diante de uma visão moderna e futurista que vão ter e olhando para o passado, de escrever, de relatar e de publicar teses científicas nesta área" rematou.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos