A Liga Africana e a sua importância histórica

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A Liga Africana e a sua importância histórica
Carlos Mariano Manuel (ao centro)

(ANGOP)

A Liga Africana é uma organização da sociedade civil, de grande reputação e de maior longevidade, cujos membros são provenientes de organizações como a Liga Nacional Africana e a Associação dos Naturais do Sul de Angola.
Discursando na cerimónia que marcou as jornadas alusivas ao 20º aniversário da Liga e ao 41º da independência nacional, o Presidente da Liga Africana, Carlos Mariano Manuel, destacou no dia 29 de Outubro em Luanda, a importância da organização no quadro do processo histórico e político do país, tendo-se referido aos sacrifícios dos fundadores da Liga como destacados nacionalistas e combatentes pela independência.
De igual modo, homenageou-os como “servidores cimeiros do nosso Estado, que continuam a partilhar no mundo físico as mais elevadas virtudes de notáveis construtores da liberdade, justiça e da plena cidadania angolana”.
Ao debruçar-se sobre a existência do Governo de Transição, Carlos Mariano Manuel argumentou ser este um dos muitos aspectos que configuraram a especificidade da história de Angola.
Pronunciando-se sobre a realização do evento, o presidente da Liga afirmou que o mesmo foi concebido e organizado para contribuir no sentido da recuperação e difusão da memória de factos históricos ao serviço da unidade nacional, independentemente das perspectivas que reflectiam as partes que representavam este governo.
O dirigente associativo afirmou que, por esta razão, a Liga Africana partilha do entendimento nacional, segundo o qual, a comemoração da independência é a principal celebração da angolanidade.
Por este facto, reiterou a importância e papel do Governo de Transição, que vigou em 1975, para a independência de Angola.

Nacionalistas
do Governo de Transição

As memórias vividas e o papel do Governo de Transição, que vigorou em 1975 em Angola, para o processo histórico do país, com realce para a proclamação da independência nacional, foi tema de debate, no mesmo dia.
A cerimónia teve lugar no anfiteatro da Liga, tendo como prelectores ex-integrantes do Governo de Transição, no caso, o Primeiro-ministro, Lopo Fortunato Nascimento (MPLA), o Ministro do Interior, Ngola Kabangu (FNLA), o Ministro da Informação, Jaka Jamba (UNITA) e o Ministro do Urbanismo e Obras Públicas, Manuel Resende de Oliveira (governo português).
Durante uma acesa abordagem na presença de ilustres convidados, sócios e membros da Liga, Lopo Ferreira de Nascimento lamentou o facto deste governo ter sido constituído por três primeiros-ministros que exerciam a função com uma rotatividade mensal.
Por outro, referiu que a nomeação de um ministro pela administração portuguesa era de suma importância e indispensável, porque Angola possuía ainda uma administração colonial.
Este antigo primeiro-ministro disse que durante este Governo de Transição para a independência foi elaborada uma declaração que continha o dia da independência.
Por sua vez, Ngola Kabangu, na sua dissertação, destacou a Liga como primeiro berço do nacionalismo angolano, tendo contribuído para despertar os mais jovens sobre a realidade do país.
Ao referir-se ao Governo de Transição, argumentou que este foi o culminar de vários acordos, entre os quais o de Alvor.
Já o nacionalista Jaka Jamba, da Unita, abordou o Governo de Transição e o seu papel para o alcance da independência, fazendo uma caracterização no que toca a língua e regiões e o seu papel na composição das formações políticas.
Nesta sua intervenção, fez uma resenha histórica sobre o evoluir do processo de resistência dos angolanos contra a ocupação colonial, com as diferentes batalhas e líderes, assim como descreveu a trajectória do Pan Africanismo até aos dias de hoje.
O nacionalista Ngola Kabango, ao descrever a visão da Governo de Transição, apontou críticas ao acordo Alvor, mas argumentou que o momento “é para olhar para uma Angola renovada e independente”.
Por sua vez, Manuel Resende de Oliveira afirmou, durante o debate, que agiu “de acordo com a sua consciência e não com consciência do governo português, face aos problemas dos angolanos e da sua independência”.
Ao longo das abordagens foi unânime reconhecimento sobre a importância do estudo deste período da história de Angola, na qual dominou Governo de Transição, para um melhor conhecimento do seu desenrolar e seus efeitos.
Neste sentido, os participantes reconheceram a importância do seu estudo pelas novas gerações e para o enriquecimento de disciplinas como História de Angola e de História Diplomática.
Durante a abordagem, o nacionalista Lopo do Nascimento predispôs-se a ceder alguns documentos para o enriquecimento de acervos históricos, académico e de leitura pública em bibliotecas e escolas.
A sessão de encerramento foi efectuada pelo ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, que saudou a Liga Africana pela passagem de mais um aniversário e pele promoção de mais um evento histórico.
A ministra realçou a construção de um novo edifício do Arquivo Histórico Nacional, na localidade de Camama, sendo o maior do continente africano com 69 salas e 3.600 metros quadrados e três edifícios prontos em 2018.
Carolina Cerqueira anunciou, igualmente, que o primeiro Centro de História de Angola, em construção, está na sua fase final.

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