À quarta-feira Cabinda se veste de tradição

Envie este artigo por email

Dispersa entre árvores, mulher de corpo quente, Cabinda convida os novos filhos de Angola a não terem medo dos seus mistérios, da sua imperdível kizaca misturada com feijão ou da fama de que vende feitiço na praça.

O detalhe do pano na cabeça à maneira de Cabinda
Segundo ainda o director, que tomou como exemplo uma das práticas casamenteiras mais aplaudidas da província: o tchicumbi, a casa de tinta que algumas províncias chamam apenas por alembamento , de um tempo a esta parte muita coisa foi se desvirtuando.
"Antes era tacula, agora é com o pó branco e já não rapam os cabelos.

A moça, antes era completamente pura (virgem). Hoje já não é bem assim. Tudo ficou apenas reduzido ao simbolismo", confronta.

Artes Plásticas

No plano das artes plásticas, Euclides adiantou que os artistas plásticos são os que têm gozado de uma condição especial, beneficiando para já de alguns apoios, isto também porque a grande meta é a requalificação do sector.

"Criámos um local onde eles pudessem expor, embora eles acabem por vulgarizar as suas obras como quem vende qualquer produto no mercado. E não era esse o objectivo. Os preços praticados também não foram de acordo à realidade económica dos habitantes.

Demos um espaço para que eles funcionassem como associação e conseguimos um espaço aonde eles conseguissem comercializar as suas obras dentro do Malongo, e isto já faz anos", enumerou.

Também adiantou para breve um espaço que será mobilado, sendo que reconhecem que há bons artistas que trabalham com a madeira. Outra grande preocupação levantada é a de que muitos deles são do Zaire ou do Congo Democrático, que chegam a fazer as suas oficinas nas terras do Mayombe.

Mas, sustenta que agora é preciso ter criatividade.

Também pretendem arranjar espaço no centro de Simulambuco, para que se tenha um roteiro turístico-cultural a funcionar.

Os artistas plásticos apontaram a dificuldade de vendas como a que mais os "incomoda". Têm muita madeira e as peças dependem muito da coragem e da madeira a desbravar. Levantaram a maka de haver gente que pensa que a feitoria de peças artesanais tem alguma coisa ligada à feitiçaria ou magia oculta. Pensam que as estátuas têm vida. Pedem aos filhos para não comprarem. Pensam que as pessoas vão ficar estátuas. É preciso desmistificar e impor a função económica da arte.

Domingas Sumbu, a estilista

Domingas Sumbu, a linda mulher que defende a moda africana há já treze anos, foi uma das artistas aí encontradas. É estilista de roupa africana e dona da boutique "Mima África".

Compra os panos no Benim, Senegal e Costa do Marfim. Foi a cabindense que nos ensinou que o tecido bazé, oriundo do Senegal, é o mais solicitado e que o samakaka é entre os nacionais o que também chama muito a atenção dos seus clientes. O conjunto de dois panos à moda de Cabinda é uma das representações que exercita em toda a sua trajectória.

Lembra que a sua mãe contava que as mulheres não se imaginavam de calça. Era sempre de pano, principalmente quando o casal prestava uma visita aos sogros. Fazia parte do feitio da mulher de Cabinda. Domingas defende ser necessário que os maridos tomem um pouco do seu poder de influência para ajudarem as esposas a serem livremente africanas.

A estilista acredita que a noção de beleza não é uma coisa estática, mas que depende muito dos parâmetros da época. Um pouco contrário ao que acontece com a tradição, um conceito e prática que não pode ser abalado, mas apenas ser tomado como base de qualquer tendência contemporânea por surgir.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos