Agostinho Neto e a Libertação de Angola das sombras à luz

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Em muito aquém do silêncio, da manhã à tarde de 10 de Setembro, mais de duzentas almas, dos seus contemporâneos aos netos de Neto, fizeram-se presentes para fazerem parte deste que, segundo São Vicente, nas vestes apresentador dos arquivos, é apenas o somatório de várias personalidades e gerações, principalmente futuras.

À posterioridade - Agostinho Neto e a Libertação de Angola: das sombras à luz

Entre 1946 a 1974, dos assombrosos arquivos da PIDE-DGS à luz da dialética positivista dos dias de hoje nos vem este legado que ainda é um sinal do muito que há por se construir e trazer à tona sobre a figura de Neto.

Um avanço significativo que servirá para as academias e investigadores independentes observarem mais as motivações internas da burocracia colonial de uma época marcada pelo seu próprio obscurantismo.

Hoje, já em tempos de paz e de lavrar visões futuristas, trazer ao de cima estas sequelas nos leva à ideia imediata de "Agostinho Neto e a Libertação de Angola".

E com ela um turbilhão de questões com respostas doloridas de um passado recente, tal como Maria Eugénia Neto afirmou, no seu discurso de apresentação da obra, que "estamos no presente, a caminhar para o futuro, e queremos fixar o passado de tantos sacrifícios e abnegação, de tantas mães que perderem os seus filhos, de tantos filhos que perderam os seus pais, de tantas viúvas que perderam os maridos, de tantos mutilados, de tantos jovens que não gozaram a juventude!"

A régua dos tempos não pára, e hoje a figura de Neto já é apresentada à uma geração que se pode considerar neta do Neto. Está já muita mais aberta e, paradoxalmente, altamente suscetível às interferências do além de nós. Entretanto, num período determinantemente positivista em que, com o materialismo histórico, tem, ao revirar as partes mais negras da história, uma potente forma de aprender e garantir condições para assegurar um futuro bem mais diferente.

Esta é, de facto, uma ação que sob a aura da liberdade e necessidade de sofisticação global herdadas como maior trunfo do iluminismo modernista, a emergência em dar corpo à figura de Neto é um caminho que nos ultrapassa como indivíduos e que somente como coletividade em movimento será possível.

Esta procura sinuosa leva-nos aos mais sórdidos momentos da história, mas de uma história que, independente da posição dos seus agentes, a partilha se viu obrigatória. Estes momentos levantam-se como pontes que, com a primeira das mentes, vão se abrindo límpidas para a sua travessia.

Aberto à narração dos novos tempos, o legado ideológico de Neto vai chegando à sua aurora e, como é óbvio, vitalizando-se conforme as necessidades contextuais, para que todos, e em tempos diferentes, saibam receber um Neto atual e orgânico. Quem foi Neto virou uma questão a que todos têm o direito de contribuir para responder.

Entretanto, as peripécias do nosso destino muitas vezes abalam a memória e, em consequência, sujeitam a posterioridade a uma orfandade de uma mão cheia de aTos repletos de substância e vestígios vitais para a estética da receção sobre figuras que devem fazer parte dos vultos ideários do Olimpo das memórias de cada um.

Embebida no propósito de solidificar Neto por caminhos que consigam se suportar até à posterioridade, a Fundação Agostinho Neto viu assim, com "Agostinho Neto e a Libertação de Angola", os seus maiores esforços, até agora, a darem frutos neste grande desafio que é o de cimentar satisfatoriamente à altura da grandeza e pluralidade desta figura nacional.

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